Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, julho 17, 2008

Spin strategy

Numa semana em que o flop da nação, que dá pelo nome de Governo, não de Luis Filipe Vieira, sofre um acossamento inaudito por conta de previsões mirabolantes nas quais ninguem havia acreditado, e vê de forma consistente falhados na maior parte as supostas reformas que se havia proposto. Além de serem notórios problemas gravíssimos em termos de segurança interna e outras áreas, "factoides" estranhos sucedem-se, senão vejamos:
  • O Governador do Banco de Portugal aquando da apresentação das previsões económicas vêm falar de"energia nuclear". Como se isso fosse do escopo de suas atribuições. SPIN ONE!
  • O grupo parlamentar do PS vêm falar de uniões de facto e seus direitos. Como se não houvessem coisas mais importantes para tratar. SPIN TWO!
  • No pico da "crise"(mais uma...que enfado de vocabulário) da Quinta da Fonte o Governo vêm propor chips nas matrículas. Ou seja enquanto em Beirute/Loures se anda aos tiros literalmente o bom governo da nação anda preocupado com seguros e inspecções períodicas. Qual é a próxima, controlos de velocidade e seguros também nas competições DTC e outras realizadas no autodromo do estoril. SPIN Three!
  • No Pros&Socialistas da RTP fala-se de "Desingnios Nacionais". Que nem o disparate poucos se vêem. SPIN
  • No 2º programa de entrevista da RTP fala-se de bola. Pão e circo! SPIN
  • O caso maddie vai ter uma "solução". Será uma das seguintes, exorcismos e cerimónias de ressureição de Maddie, arquivamento, acusar o Murat sem provas...Conhecendo a justiça nacional será uma mistura de 3ª com 4ª... SPIN

O Spin, não é mais encher os media de contra-informação ou de tamanho ruido como alguns casos, nomeadamente o do Governador do BdP de forma a que não se falem de certos assuntos mais incómodos, neste caso as vergonhas que sucedem com o Rendimento Mínimo Garantido ou com a habitação social que são autenticas vergonhas...

É por demais evidente que a producção de "factoides" não é feita por um polvo todo poderoso que estende os seus tentáculos. No entanto é evidente que há mão de agencias de comunicação, por exemplo na forma como a noticia do nuclear se sobrepõe às previsões de abrandamento do Banco de Portugal, na forma como o chip se sobrepõe às preocupações com áreas de segurança bem mais importantes e daí em diante.

A central de imagem governamental não é todo poderosa mas lança os seus spins, neste caso uma campanha de contra-informação atolando o panorama mediático com "factoides" que distraem do principal para o acessório. O trabalho é muitíssimo bem realizado pois além desta estratégia activa a falta de inteligência ou as conveniencias em redacções dos jornalistas ajudam e muito a que se caia no isco...

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quarta-feira, junho 04, 2008

Os herois do regime de Baptista Bastos

O artigo do Dn de hoje escrito por Baptista Bastos é de letra. Daqueles para ler e reler.

Abaixo ficam alguns highlights.

«Alienação muito bem montada e insuportavelmente apoiada pelas televisões, pelas rádios e pelos jornais. Esta ambição do aparato impede a mais módica posição crítica daqueles que, apreciando o jogo (o meu caso), não entram na peripécia irracional e não se intimidam com a algazarra.

Conhecemos, através das televisões, um povo verdadeiramente feliz, gritando, apopléctico, a responsabilidade cumprida de cidadania e civilidade. Um povo enérgico, expondo, como elevado título, a radiosa coragem de estar no desemprego, de ser imigrante por carência absoluta de trabalho e de esperança no País onde nasceu - e que cauciona, com júbilo, a desgraça como virtude.»

Para mais ver o link infra:

http://dn.sapo.pt/2008/06/04/opiniao/os_herois_regime.html

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segunda-feira, junho 02, 2008

Dia Mundial da Criança


Gosto muito de escrever sobre os media portugueses, por diversos motivos, os principais destaco que é sempre bom escrutinar a qualidade de informação e programação em Portugal, tema nunca abordado pelos media, especialmente com espírito crítico severo e em segundo lugar porque são ilustrativos da mentalidade cultural lusa. Tudo bem os directos de 20 minutos que nada dizem, os casos de paranoia colectiva, Maddies, Casa Pia, Carolina Miccaelis, Casino de Lisboa, BCP etc..., os telejornais sem alinhamento noticioso, parciais e infantis... tudo isto é verdade no entanto o zénite é a selecção nacional e o futebol. Até ao dia em que uma verdadeira tragédia como um ataque terrorista ou catástrofe nacional aconteça em Portugal e aí os jornalistas seram os primeiros a pagar na pele a superficialidade dos seus comentários e bacorinas, sensaboronas e básicas coberturas dos eventos.

O dia de ontem era o dia da criança e portanto admite-se uma infantilização dos noticiários, dos jornalistas e enfim de todo um pais que não quer crescer e olhar que se têm de crescer e fazer escolhas dificeis para um dia estarmos melhor. Como as crianças os portugueses não olham além da sua sombra ou umbigo mas adiante.

Ontem como todo o esmero a SIC e a TVI quebraram todas as barreiras do tolerável, do aturável e do permissível. Melhor a TVI que toda a tarde promoveu a rúbrica "Todos com Portugal" que consistiu num momento de alta exaltação nacional e patriótica durante o qual acompanhamos (eu não!) em grande transe e exaltação colectiva a viagem da selecção. O todos com Portugal foi mesmo isso uma ode ao que de melhor têm o tuga o sentimentalismo de trazer por casa, o apego à futulidade, tudo isto numa fogueira de baboseiras na qual os jornalistas praticam uma especie de dealers de droga pois apontam as camaras às multidões pondo-as numa excitação colectiva.

A explicação vêm de longe mas penso que se o national Geographic fizesse um programa sobre os nativos descobria que colocar uma câmara de fronte a uma turba de nativos lusos é como por um pano encarnado de fronte de um touro, ou imagens parecidas. O calmo nativo torna-se num selvagem que compete com os membros de sua tribo pela atenção das câmaras. Ora dizendo ora fazendo habilidades estúpidas idiotas e cretinas, ou simplesmente e numa palavra básicas.

Ora são dois básicos, o jornalista, básico profissional, e os membros da multidão Allez, que além de roncos guturais e afirmações como "sêmos favoritos" entre perguntas como:«Como se sentem?»; «Viu-os acenar», «O que acha da Seleção?» etc...

Faz pena ver como os media cobrem estas situações em Portugal, a "euforia" sempre com qualquer coisa que não é coisa nenhuma, o desbragamento de toda a ética e bom-senso em troca das sempiternas imagens repetidas horas a fio de autocarros passando, de entrevisas ao motorista da selecção na Suiça, ao piloto da TAP, ao pessoal do Aeroporto, à mulher da limpeza, ao cozinheiro, ao portageiro da brisa, ao recepcionista, ao Ti antonio e à ti maria e a todo o circo de estupidez montado em torno da seleção. É tudo muito lindo uma vez ou 5 minutos agora horas a fio é demais.

Já deviamos ter crescido desde há muito ou pelo menos ter vontade disso e não propalar infantilidades mediáticas que são numa palavra idiotas.

Notas:
-Parece que o Serviço de comunicações da Adm. Interna custos 5 vezes mais!
-Um bilhete de TGV custa mais que um bilhete de avião para Madrid!
Enfim coisas de somenos importância....

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terça-feira, maio 13, 2008

Tudo Louco

Umas notas que se esperam breves:

i)
O site do IDT para crianças e informações sobre o consumo de drogas é per si uma pérola. Ver o link abaixo.

http://www.tu-alinhas.pt/InfantoJuvenil/displayconteudo.do2?numero=23216

De entre as diversas funcionalidades pagas a expensas do erário público, destacam-se uma mascote que é um género de dragão verde com os olhos esbugalhados, de tamanho diferente e meio zonzo. O "Drogas", nome que proponho que adoptem à falta de heterónimo para tal criatura é na certa um ex-toxicómano que têm intervalos lúcidos e outros nem tanto. Numa breve explicação o "Drogas" adverte que as drogas mudam as percepções da realidade de quem as toma, que são inerentemente más, tal qual o alcool e o tabaco, até porque na certa na cabecinha queimadinha do "Drogas" é tudo o mesmo.

Senão vejamos se é tudo o mesmo uma jovem mente mais susceptivel depois da explicação do "Drogas" olha para os seus progenitores que tomam um copo de vinho ao jantar e fumam um cigarro de quando em vez como dois drogados e portanto uns charros ou outras coisas lá com a malta do liceu é basicamente farinha do mesmo saco.... De facto está tudo dito, proponho contudo que alterem a denominação do IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência) para IPDT, Instituto para a Promoção das Drogas e Toxicodependência, IP.

Num tom mais sério as campanhas de prevenção de comportamentos de risco sexuais, de toxicodepência ou prevenção rodoviária tratam sempre o público alvo como uns imbecis na melhor das hipóteses, ou simplesmente são demasiado elaboradas para que se lhes retire um sentido e alcance prático. O sucesso de políticas de prevenção de drogas ou de doenças sexualmente transmissíveis salta bem à vista de todos, no entanto os funcionários públicos e iluminados que têm a seu cargo estes pelouros optam por continuar assim, a estupidificar, infantilizar e desculpabilizar, em vez de insistirem na tomada de decisões responsável. É pena, para todos nós, especialmente para os mais jovens. Ao bom leitor recomendo a leitura do site, vale pelo menos 5 minutos para ver que se se dá ao Estado e seus apaniguados a tarefa de educar em vez das famílias, mal vai o mundo.

Já agora uma pérola de eduquês: [sobre relações entre pais e filhos, do mesmo site]

«Mas lembra-te que também é complicado para os teus pais adaptarem-se às grandes mudanças que estão a acontecer em casa e encontrarem um equilíbrio entre a necessidade de estabelecer regras, educar e orientar os filhos e a de aceitar e respeitar as suas opiniões.
Para que te consigas entender com os teus pais, não é preciso que pensem da mesma forma. É necessário isso sim, que se respeitem mutuamente, e que consigam falar e negociar de forma a chegar a um acordo que concilie os desejos de todos os membros da família»

ii) Líbano-west

O Hezzbolah decidiu dar criar o Far-west e começar uma autentica guerra dentro das cidades do Líbano. Os clamores no mundo não se fazem sentir, motivo, para a esquerda do tipo BE ou PC as agressões só contam quando são realizadas pelo imperalismo norte-americano ou pior ainda pelos seus pequenos seguidores zionistas. O que acontece no Líbano só conta quando começarem a cair bombas lançadas pela aviação israelita, decerto em resposta a ataques do lado libanes da fronteira a Israel. Até lá não conta.

iii) 10,000 mortos na China!

Um terramoto fortíssimo causou uma terrível catástrofe no sul da china, mortos, feridos, desajolados. O interessa à comunicação social em Portugal são os 23 de scolari e porque razão caneira e maniche não vão à selecção. Isto da RTP 1 à TVI. Belo exemplo de liberdade informativa e de bom senso... Que grande serviço! Vivemos na ditadura da comunicação social bem pensante...

iv) Sócrates Air

O primeiro licenciado da nação foi apanhado a fumar a bordo do voo fretado para caracas... Belo exemplo! Isto sim é caso para 20 minutos de telejornal! Viva a futilidade desta gente e o amoralismo...

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terça-feira, fevereiro 19, 2008

Uma entrevista com guião

Ontem o Eng. que também é Sócrates deu uma entrevista à SIC em prime time. A entrevista, especialmente se comparada com a do dia anterior feita por Conceição Lino, foi bastante prazenteira, lisonjeira e "caseirinha", ou não fossem os dois jornalistas consabidamente conotados com a área socialista de governo.

É curioso contudo ver o guião da entrevista, O PM conhecia as perguntas de antecipação, e tal qual aluno que marra de véspera e de cor, antecipavasse frequentemente às perguntas, fornecendo respostas antes mesmo destas terminarem. Momento alto foi quando, a meio da pergunta Ricardo Costa tentando terminar a pergunta é interrompido por Sócrates pedindo tempo para responder. Alias e sobre o duo dinâmico do expresso "do Rato" ou da meia noite consoante preferir o bom leitor dizer que Costa, a instâncias próprias ou por sentimento familiar tentou ainda em momentos raros um simulacro de contraditório, ao invés de Nicolau que trajava a rigor, de Laçarote, que nem uma apresentador de variedades ou de circo, anunciando em palco ou na pista o fabuloso Sócrates e o seu circo de pulgas amestradas ou outro número, o Eng. Mágico que faz desaparecer e aparecer documentos em estabelecimentos de Ensino ou outras coisas...

Continuando, o homem na ribalta foi fiel ao seu estilo ou seja mais do mesmo. Tiradas geniais como que a «mortalidade infantil já mata menos crianças» ou outras passaram em surdina entre os soundbites costumeiros que no final levam o contribuinte a pensar se Portugal merece um estadista de tamanha craveira. Já imagino o acto de contrição lá para os lados do Rato que começa com «Meu Engenheiro porque sois tão bom».

Em bom rigor e numa surriada de soundbites o que nos disse Sócrates, que na saude mudou o ministro mas a política é a mesma, e o facto de a ministra estar com um processo no Tribunal de Contas é algo estranho. Alias como Sócrates o disse, «não espera que o Tribunal de Contas não decida diversamente»! Risos! Fica em surdina o recado a Oliveira Martins! Na educção tudo óptimo bastando três anos de governo para diminuir o insucesso escolar. Aparentemente cada vez mais interessa chegar ao 5º ano sem saber ler e escrever que chumbar pelo meio. Terminar o 12º ano, mesmo que não sirva para nada e não corresponda a valências nenhumas, além de um emprego de caixa ou outro semelhante, e o desiderato nacional de qualificar e dar qualificações sobrepõe-se a absolutamente tudo o que são critérios de aprendizagem ou rigor. A moral socialista bem o diz que interessa é qualificar analfabetos mesmo que seja para nada. Alias o programa novas oportunidades consegue que o 10º,11º e 12º ano sejam espremidos em 3 meses de aulas à la minute! Para rir somente!

Ainda sobre a Educação a nova lei, tal qual as 20 anteriores certamente decorrem do corolário anarquista ou marxista que as escolas devem ser participadas, com pais, alunos e comunidade escolar, seja lá o que isso seja tudo a avaliar os professores. Para gaúdio ainda convém juntar a este orgão colegial também os autarcas. Ou seja um caldinho local que avalia os professores, uns mais ignorantes que outros no entanto deixando a marca da participação, o que à portuguesa significa tão só, todos berram, nínguem manda e todos opinam. Os professores esses berram menos pois aturam os desmandes e a falta de educação dos alunos assim como os autarcas da zona a dar bitates sobre a escola que provavelmente poucos frequentaram.

Já agora e por maioria de razão os professores também deviam avaliar os pais pela fibra e têmpera moral dos seus filhinhos! Ou seja além de um caldo de conflitualidade, juntar os autarcas significa politizar mais um bocado a escola. A finalidade é simples ao passar para a responsabilidade das autarquias, a Administração Central prepara-se para trespassar muitos dos seus encargos para as Câmaras cuja boa vocação já se conhece!

Outros highlights de Sócrates podem ser vistos na entrevista na qual o PM papagueou repetidamente meia dúzia de medidas absurdas, uma das quais e com bastante alarde a de por crianças até aos 10 ou 11 anos diariamente das 8 da manhã às 17.30 da tarde na escola em vez de estarem com os pais ou a família. Ao invés do que se promove na Europa com redução de horários de trabalho aos pais de forma a acompanharem as crianças o bom engenheiro põe as crianças na escola 9 horas ou mais por dia de forma a se socializarem umas com as outras ou seja a que passem mais tempo na escola que com a família, educando as criancinhas com cartilhas já sobejamente conhecidas!

O caminho que hoje se trilha não é de hoje nem de ontem já vem de longe contudo e infelizmente não se vislumbra uma mudança séria de políticas ou de forma de governação, insistindo-se em ilusões como promessas que não se cumprem e governando-se com o auxílio à sempre "simpáticas" ou ajustáveis estatísticas, nas quais tudo melhora contudo na vida real as dificuldades aumentam... Lembra um certo pais que existiu chamado União Soviética, esse paraíso socialista dos trabalhadores!

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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

As histórias que nos querem vender

Parece que o Estado deu um casino à Estoril Sol.
Parece que o Estado deu o pavilhão do Futuro à Estoril Sol.
Parece que o Estado cedeu a pressões da Estoril Sol.
Parece que o Estado alterou a lei do jogo a pedido da Estoril Sol.

Qualquer pessoa que visse os últimos telejornais pensaria que Telmo Correia e o governo de Pedro Santana Lopes, tinha feito trinta por uma linha de forma a beneficiar o Estoril Sol na construção do Casino de Lisboa.

Entrevistas começam com “ o Sr. beneficiou a Estoril Sol?” ou “ O Sr. está de consciência tranquila?”.

E ninguém diz nada. Não existe um único actor político da oposição que diga que não continuaremos a pactuar com um jornalismo serviçal aos interesses do PS e do Governo. Que não continuaremos a prestar vassalagem às notícias compradas pelos gabinetes ministeriais.

É preciso dizer basta. Justificar um negócio vantajoso para o Estado? Mais vantajoso que qualquer outro casino em Portugal? Que deu uso a um prédio devoluto que não tinha fim e que hoje, para além de um casino, alberga salas de espectáculos? Mas em que país estamos?

Pagaram o preço pelo imóvel? Sim. Negociaram as contrapartidas? Sim. Estas são melhores que praticadas anteriormente? Sim. Então porque estamos a abrir noticiários com isto?

Enquanto isso, o Primeiro Ministro assinava projectos que eram feitos por terceiros (que disseram que os fizeram), afirma que era ele que os fazia (alguém estará a mentir) e tudo isso desaparece das notícias… Parece não ser relevante que o Primeiro Ministro de Portugal, mentiu durante anos à Assembleia da Republica, aos Portugueses, ao Munícipes da Covilhã… enfim.

No fim, ainda tem coragem de referir que uma manifestação de professores (organizada por 10 professores ou pela FENPROF) é antidemocrática!!!!! Em que país é que vivemos, onde o Primeiro Ministro pode referir que uma manifestação à porta da sede do partido do governo é antidemocrática? Porque condiciona os professores que entram para a reunião??? Mas eles foram impedidos de ir à reunião? Penso que não…

Este país é uma anedota!

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sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Um tesourinho portuguezinho

«Aqui ao lado, em Espanha, os jornais tomam partido em plena campanha eleitoral. A prática é comum noutros países e por cá já houve tentativas nesse sentido, felizmente sem sucesso.»
José Leite Pereira. "Jornal de Notícias", 08-02-2008

É natural, os profissionais da comunicação social e os nativos deste pacato quadradão sempre foram apegados à luso-hipocrisia!

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sexta-feira, outubro 19, 2007

A coisa que não o é!

I) A GOLPADA!

O título aparentemente contraditório só poderá referir-se a uma coisa, ao trato de Lisboa, nome que importará à posteridade que começou por ser uma coisa que agora não o é mas cujo conteúdo é o mesmo. Confuso caro leitor, nós também...

Comecemos por partes, o Tratado Constitucional Europeu foi rachassado nas urnas francesas e holandesas, motivos vários que aqui não interessa aprofundar até porque estes foram ignorados pela clique de Bruxelas. Com o insucesso nas urnas e a impossibilidade de impor 3 referendos ao povo francês, um dos estados maiores da Europa, ao contrario do que sucedeu com os dinamarqueses e irlandeses no Tratado de Maastricht, os líderes europeus, burocratas zelosos e malta que anda lá por Bruxelas, fala a sua linguagem e mastiga um projecto europeu com um nome muito específico mas cuja pronúncia é proibida (FEDERALISMO E FEDERAÇÃO EUROPEIA), sob a capa de outros eufemismos entendeu que seria necessária uma alteração, um tratado novo e reformador que basicamente é a constituição europeia com menos alguns pozinhos. Diz Pacheco Pereira e outros que a similitude é de 90% com o tratado proposto a referendo. Diriam certamente os apologistas daquele documento que o Diabo está nos detalhes e que o tratado institucional é somente um instrumento que permite à UE funcionar a 27. Diriam mas não podem porque o Diabo é uma criação judaico-cristã e portanto blasfema do léxico europeista. (nota ao bom leitor: a piadola blasmefo é um termo cristão, realidade cultural cujo léxico de bruxelas desconhece...enfim boa piada na minha propria avaliação).

Continuando o que está em causa são várias matérias mas que trilham o caminho para uma integração europeia verso aos Estados Unidos da Europa ou da Federação Europeia. Por partes;

(i) diminuição do elenco de matérias sujeitas à unanimidade dos estados
(ii) aprofundamento dos mecanismos de política internacional
(iii) aumento da transferência de competências soberanas dos Estados para a União Europeia
(iii) reforço dos poderes do Parlamento Europeu em detrimento da Comissão

A respeito deste ponto e do anterior somos compelidos a fazer uma explicação. À guiza do reforço dos poderes do parlamento europeu esconde-se o germen do caminho federalista, o parlamento é em essencia o orgão representativo dos povos, veja-se nos diversos ordenamentos internos dos diversos estados. Contudo e sob este motivo nobre de aumento de poderes se esconde o monstro que abre as portas, a de que o parlamento europeu é o primeiro representante dos povos europeus e cujas competências cada vez se assemelham mais às do parlamento nacional, cujos poderes são paulatinamente esvaziados. A isto junte-se o facto dos partidos eleitos estarem organizados por famílias políticas e não por estados, estando pois criada a base para uma federação.
A esta luz a questão das minorias de bloqueio reveste especial importância pois ao contrário dos diversos parlamentos nacionais cuja regra (salvo casos excepcionais em função da lei a aplicar) é de maioria simples. Ora considerando que os principais estados congregam boa parte das populações europeias se entende o receio dos pequenos estados, não como o nosso que foi alegre e contente, e sem quaisquer interesses específicos a proteger. Note-se que a população nacional representa 10/493 dos habitantes da UE. Ou seja 2,02%...

Assim se entende o receio polaco e britânico que estão a passar um cheque em branco à UE. Daí a questão do referendo surgir novamente e daí que as cabecinhas pensantes políticas (PS-PSD-CDS) não quererem referendar um documento seco, abjecto e já recusado nas urnas de outros paises. Veja-se alias que há um compromisso europeu de não referendo, minimalizando o tratado como meramente reformador, além de querer impor uma maratona de aprovações e ratificações até ao final do primeiro semestre de 2008, ideia do "sábio" Jean Claude Junker que representa o Luxemburgo, vulgo pais que não conta pro campeonato, excepto o financeiro claro.

A golpada está à mão portanto e daí a irritação de bastantes "problemáticos" intelectuais que são contra essa coisa boa linda, unanime e maravilhosa que é a União Europeia.
E nós portugueses não necessitamos de nos preocupar, o José e o Aníbal sempre gostaram de agradar aos camones. Nada de burburinhos discussões ou manif's, aqui de serenos costumes, gente sã e boa mas desinteressada pelas políticas não se deve preocupar com isso de Europas e tal. Alias a coisa até têm um nome bonito e é de lisboa o resto são coisas para os políticos e técnicos!

II) O CORO

Os nacionais jornalistas mais uma vez deram um belo espetáculo de ignorância e obediência leal e cega aos ecos de Bruxelas. Os directos informativos como salienta JPP eram de três géneros, (i) ou que o acordo estava por minutos ou de que podia ficar tudo adiado para mais tarde, o que denota o bom trabalho e boas informações que estavam a recolher, sem nunca indicar absolutamente qualquer motivo; (ii) a teoria dos bons e dos maus (Polónia, Itália e Reino Unido) que impregnados de um egoismo histórico queriam impedir o momento de coroação dos povos europeus verso a uma europa melhor e mais não sei o que que me parecem é tretas ; (iii) e o momento fait divers, com duas sub variantes, a de propaganda a Sócrates que julgo não conseguir fazer um pensamento coerente sobre a Europa mas elogiadíssimo pelo seu papel conciliador dos diversos interesses e como Estadista (curiosamente quais eram os nossos interesses e quais foram os salvaguardados? pois ninguem entende, além de pespegar o nome de Lisboa na coisa) ou outros momentos que são especialidade dos nossos jornalistas, a informação inútil que comporta tudo, desde a mochilinha com foto células oferecida aos jornalistas e de uma originalidade extrema em homenagem ao "Choque Tecnológico", passando pela segurança, pela mobilização e mais aspectos de pormenor que sinceramente só servem para distrair do essencial, o corpo do tratado.

O coro ou récula de animais fez o seu papel verdadeiramente o de desinformar sobre o "Golpe de Lisboa". Claro que a insatisfação quanto à europa pagar-se-à com juros agravados muito mais à frente, mas cada vez mais nos aproximamos do ponto de não retorno. Um dia não muito distante prevejo que um governo secessionista europeu que se farte desta porcaria de coisa que esta a germinar mande é Bruxelas à urtigas!

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sexta-feira, março 09, 2007

Uma pérola

De quando em vez temos o prazer de ler textos tão bem produzidos e laudatórios que merecem ser homenageados com um post. Aconteceu com alguma da prosa da delirante Câncio, e acontece hoje também. Plagiando os gatos fedorentos são "tesourinhos deprimentes do jornalismo". O autor é Pedro Guerreiro, editorialista do Jornal de Negócios, sendo assim com prazer que transcrevemos o seguinte parágrafo, do dito periódico do dia de hoje:

«A "esquerda moderna" com que José Sócrates ganhou as eleições, há dois anos, significa, em termos económicos, que ser socialista não implica deixar de ser liberal. Sócrates é liberal. E esta reforma da Administração Pública é, nesse sentido, liberal: é "esquerda moderna", tal e qual foi eleita

Acho que a frase que por si não valerá dois caracois furados contudo é demonstrativa da baixíssima qualificação literária dos professionais dos média. Sócrates é liberal, faz reformas liberais à moda da esquerda moderna, isto tudo claro sem deixar de ser socialista.

É a tese do bipolar.

O homem de todos os méritos, liberal como se quer na economia, deixando à iniciativa privada e ao mercado a condução económica mas ao mesmo tempo socialista em termos sociais, querendo um estado prestador de bons serviços aos governados.

A reforma na Administração Pública Liberal pois claro, mantem as funções do estado na mesma, joga com truques como o do contrato individual de trabalho, mantém o status quo anterior sem quaisquer alterações, mas é liberal porque uma luminária "graxista" o diz. Em Portugal há muito que vale a regra de que não interessa o que as coisas são mas sim o que se publica, os chavões utilizados ou a verborreia de cavalheiros como este.

Fosse o indivíduo minimamente letrado e saberia que liberalismo e socialismo são no mínimo antagónicos e no máximo dois conceitos diametralmente opostos, até pela sua natureza conflituante. Mas enfim a quem isso interessa? O spin doctor já se pronunciou é liberal pois claro, sem que haja um novo contrato social, uma redefenição clara da actuação do estado, suas funções específicas etc...

É a reforma liberal de manter o mesmo estado, os mesmos funcionarios a fazer as mesmas coisas, tudo claro lavado por uma dose de cosmética. Há portanto que ver isto como é uma "banhada" que alimentada por uma imprensa de ignorantes acríticos que quando retirado o açaime fazem a melhor crítica ao nível do teatro de Revista do defunto Parque Mayer.

Há uns tempos um Coronel do Exercito, que havia servido na recolha de informações, disse-me que a leitura de um jornal não deveria ser em tempo superior a 10 minutos, motivo: a intoxicação informativa deturpa a percepção do interprete, seja na actualidade nacional seja na internacional. O mesmo de forma hábil e rápida deu-me prontamente um exemplo, a do conflito do médio oriente com artigos claramente favoráveis aos interesses palestinianos. A nível nacional em Portugal hoje sucede o mesmo, mas de forma "imbecil" pois a sociedade de espetáculo cede sempre à propaganda. O episódio das urgências é somente uma excepção numa política de imagem cuidadosamente montada, aí a força do número e a rusticidade do protesto valeram sobre o tratamento da imagem...

Ora nada mais correcto, o bombear constante de informação governamental têm esse efeito lavagem cerebral a par de uma política de informação bem gerida pelo executivo que desde o primeiro dia assentou numa premissa, a baixa de expectativas de maneira a que tudo o que venha como projectos, choques tecnológicos ou simplexes pareçam a última coca cola do deserto.

O Governo é péssimo é um facto quase indiscutível. O PRACE redundará num sucesso num ministério qualquer, provavelmente o da Agricultura e um rotundo fracasso em tudo o resto, óbvio que só conheceremos o primeiro. O segundo será objecto de perfídia cada vez que Marques Mendes ou outros falem contra o espírito reformista e liberal do ex-comuna das Finanças ou do ex-comuna das Obras Públicas que pela sua opacidade deveria mudar o nome para Mário Limo.

Se o governo fosse um "cocktail party" seria de terceira categoria, as pessoas estariam meio casual meio formal e tudo seria de mau gosto, a comida, o decor,as pessoas seriam somente ex-comunas ou piores, a populaça mascaria de bocarra aberta os licores seriam bons e permitindo a tudo andar meio grosso e intoxicado para observar o paupérrimo espetáculo.

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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Patoleia ou Parvoeira

Raras vezes se conhece grande profundidade e maturidade de pensamento às massas nacionais. Lembremo-nos a título exemplificativo que a Revolta da Maria da Fonte, que alastrou de Norte para Sul contra o Cabralismo e alguns políticos da época foi despoletada pela publicação de leis que impediam que os defuntos fossem enterrados nas igrejas. A medida, cuja salubridade pública não se discute, não colheu entre as iluminadas populações da época que pegando em instrumentos agrícolas rumaram a Lisboa, deixando um rasto de pilhagens e destruição pelo caminho.

A boa esquerda deste pais esquece frequentemente estes pormores até porque lhe apraz o rasto de destruição e pilhagens, mais que tudo o resto. Desde o movimento grassa em Portugal o chamado síndroma de Lisboa, que opõe o interior ou o campo ao poder político e ao Estado, representado em Lisboa pelos orgão de governo da nação. Anos e anos volvidos, vários foram os que colheram dividendos políticos com isto, desde o Gomes do Capachinho (administrador da Galp) a Pinto da Costa etc..

O fenómeno explica-se com facilidade por ser primário, as autarquias que não assumem a condução de aspectos legislativos ou de serviços sociais chutam para o lado tudo o que seja impopular ou que não queiram ver implementado por "Lisboa". O caso das urgências é mais um exemplo, contudo num pais pequeníssimo, as decisões que têm algum impacto sobre as populações são sempre culpa da distante e arrogante Lisboa. Confrontados com o dilema da fidelidade política ao partido do governo ou de se montarem na onda facil da troglodita contestação popular os autarcas, como ponderados que são julgam sempre ser melhor a salvação das suas carreiras políticas, encabeçando frequentemente os cortejos de protesto, buzinões ou formas semelhantes de protesto.

Estranhamente nenhumas das luminárias se lembram de vir a Lisboa protestar, salvo os gajos de Canas de Senhorim, e porque? Por diversos motivos, primeiro porque é longe, dá trabalho, saí caro e as possibilidades de mobilização popular são bastante menores, segundo pela sempre construtiva e inteligente atitude dos media que conseguem sempre desencantar os mais imbecis dos imbecis para entrevistar ou filmar. Esses claro agradecem... Assim a procissão de inflamados locais prefere fazer caravanas de buzinão (andar a pé é que não), dar três voltas ao largo ou à circular do sítio e desmobilizar. A cobertura pelos media faz o resto e repercute as ondas de choque em Lisboa. Essas ondas encontram sempre políticos compreensivos na oposição pois claro pois no Governo ganha-se um autismo inato, até porque se podem sempre cavalgar uns votos pelos protestos lá do interior.

O círculo está pois completo. A populaça lá faz uns protestos, corta umas linhas férreas ou rodoviárias, os jornalistas lá estão para filmar os cívicos protestantes, os autarcas encabeçam a marcha e os politicos da oposição em Lisboa mostram simpatia e vestem a camisola do Litoral. O pais agradece e lá vai caminhando para a ingovernabilidade, ora porque a pratica rotativista colocará o Dr. Mendes ou outro em S. Bento, ganhando este qualquer autismo. Note, bom leitor que quaisquer méritos ou deméritos da proposta não foram ainda discutidos ou ponderados até porque as discussões se manifestam estéreis ou improdutivas pois redundam em argumentos técnicos e não permitem interessantes argumesntos como eu não quero "nascer em Nelas, Fafe ou Ranholas" porque sempre nasci aqui na terra, ou em alternativa não quero ir à urgência a 20 km porque fui toda a vida aqui e se é para estar na fila à espera ao menos que seja na terra.

É assim pois com estes funestos e tristonhos episódios que a OTA e o TGV passam por debaixo do mainstream da discussão política, que temas como o agravamento fiscal sucessivo e continuado também, assim como o desemprego, caminhando assim o pais para pior, vivendo as populações pior e fazendo-se as negociatas do costume para os lobbis do costume. Ademais e como brinde extra, o Eng. Socrates dá ares de quem enfrenta os problemas do pais e os grupos de interesse, como o círculo recrativo do jogo do pau de Valença do Minho ou outros que participam na marcha, colhendo dos comentadores alinhados o gaúdio de tomar decisões de coragem como alocar para outro conselho 4 médicos e 6 enfermeiros ou ainda menos como muitas vezes se reconduz o problema.

A discussão das urgências é das que colhe pontos extra merce estar relacionada com a saude de um povo sempre doente, doente, com dores e combalido sempre mais por feitio que por motivos clínicos mas enfim há que saber o que a casa gasta... Qualquer dia ainda dizem certamente que será por causa do tempo que se têm tantas doenças, é que parece correr aí, segundo o Segolene Sócrates que os portugueses afinal são é finladeses e explicando assim esta incapacidade de aguentar bem o clima. Enfim a frase já foi por mim escrita várias vezes contudo, seria para rir se não fosse para chorar.

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