Dia Mundial da Criança

Gosto muito de escrever sobre os media portugueses, por diversos motivos, os principais destaco que é sempre bom escrutinar a qualidade de informação e programação em Portugal, tema nunca abordado pelos media, especialmente com espírito crítico severo e em segundo lugar porque são ilustrativos da mentalidade cultural lusa. Tudo bem os directos de 20 minutos que nada dizem, os casos de paranoia colectiva, Maddies, Casa Pia, Carolina Miccaelis, Casino de Lisboa, BCP etc..., os telejornais sem alinhamento noticioso, parciais e infantis... tudo isto é verdade no entanto o zénite é a selecção nacional e o futebol. Até ao dia em que uma verdadeira tragédia como um ataque terrorista ou catástrofe nacional aconteça em Portugal e aí os jornalistas seram os primeiros a pagar na pele a superficialidade dos seus comentários e bacorinas, sensaboronas e básicas coberturas dos eventos.
O dia de ontem era o dia da criança e portanto admite-se uma infantilização dos noticiários, dos jornalistas e enfim de todo um pais que não quer crescer e olhar que se têm de crescer e fazer escolhas dificeis para um dia estarmos melhor. Como as crianças os portugueses não olham além da sua sombra ou umbigo mas adiante.
Ontem como todo o esmero a SIC e a TVI quebraram todas as barreiras do tolerável, do aturável e do permissível. Melhor a TVI que toda a tarde promoveu a rúbrica "Todos com Portugal" que consistiu num momento de alta exaltação nacional e patriótica durante o qual acompanhamos (eu não!) em grande transe e exaltação colectiva a viagem da selecção. O todos com Portugal foi mesmo isso uma ode ao que de melhor têm o tuga o sentimentalismo de trazer por casa, o apego à futulidade, tudo isto numa fogueira de baboseiras na qual os jornalistas praticam uma especie de dealers de droga pois apontam as camaras às multidões pondo-as numa excitação colectiva.
A explicação vêm de longe mas penso que se o national Geographic fizesse um programa sobre os nativos descobria que colocar uma câmara de fronte a uma turba de nativos lusos é como por um pano encarnado de fronte de um touro, ou imagens parecidas. O calmo nativo torna-se num selvagem que compete com os membros de sua tribo pela atenção das câmaras. Ora dizendo ora fazendo habilidades estúpidas idiotas e cretinas, ou simplesmente e numa palavra básicas.
Ora são dois básicos, o jornalista, básico profissional, e os membros da multidão Allez, que além de roncos guturais e afirmações como "sêmos favoritos" entre perguntas como:«Como se sentem?»; «Viu-os acenar», «O que acha da Seleção?» etc...
Faz pena ver como os media cobrem estas situações em Portugal, a "euforia" sempre com qualquer coisa que não é coisa nenhuma, o desbragamento de toda a ética e bom-senso em troca das sempiternas imagens repetidas horas a fio de autocarros passando, de entrevisas ao motorista da selecção na Suiça, ao piloto da TAP, ao pessoal do Aeroporto, à mulher da limpeza, ao cozinheiro, ao portageiro da brisa, ao recepcionista, ao Ti antonio e à ti maria e a todo o circo de estupidez montado em torno da seleção. É tudo muito lindo uma vez ou 5 minutos agora horas a fio é demais.
Já deviamos ter crescido desde há muito ou pelo menos ter vontade disso e não propalar infantilidades mediáticas que são numa palavra idiotas.
Notas:
-Parece que o Serviço de comunicações da Adm. Interna custos 5 vezes mais!
-Um bilhete de TGV custa mais que um bilhete de avião para Madrid!
Enfim coisas de somenos importância....
Etiquetas: jornalistas, Media, selecção

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
12:18 p.m.
Caro "Deusébio",
Comentários ad hominem só quando forem assinados de nome verdadeiro, por uma questão de equidade e igualdade para resposta.
DL
2:53 p.m.
Caro "DL",
O meu nome/nick é esse mesmo, ou tem problemas em responder a um cibernauta? Precisa que lhe envie o meu BI e Contribuinte, para ter direito a comentar e ser comentado? Que fraca figura me saiu...
2:27 p.m.