Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Patoleia ou Parvoeira

Raras vezes se conhece grande profundidade e maturidade de pensamento às massas nacionais. Lembremo-nos a título exemplificativo que a Revolta da Maria da Fonte, que alastrou de Norte para Sul contra o Cabralismo e alguns políticos da época foi despoletada pela publicação de leis que impediam que os defuntos fossem enterrados nas igrejas. A medida, cuja salubridade pública não se discute, não colheu entre as iluminadas populações da época que pegando em instrumentos agrícolas rumaram a Lisboa, deixando um rasto de pilhagens e destruição pelo caminho.

A boa esquerda deste pais esquece frequentemente estes pormores até porque lhe apraz o rasto de destruição e pilhagens, mais que tudo o resto. Desde o movimento grassa em Portugal o chamado síndroma de Lisboa, que opõe o interior ou o campo ao poder político e ao Estado, representado em Lisboa pelos orgão de governo da nação. Anos e anos volvidos, vários foram os que colheram dividendos políticos com isto, desde o Gomes do Capachinho (administrador da Galp) a Pinto da Costa etc..

O fenómeno explica-se com facilidade por ser primário, as autarquias que não assumem a condução de aspectos legislativos ou de serviços sociais chutam para o lado tudo o que seja impopular ou que não queiram ver implementado por "Lisboa". O caso das urgências é mais um exemplo, contudo num pais pequeníssimo, as decisões que têm algum impacto sobre as populações são sempre culpa da distante e arrogante Lisboa. Confrontados com o dilema da fidelidade política ao partido do governo ou de se montarem na onda facil da troglodita contestação popular os autarcas, como ponderados que são julgam sempre ser melhor a salvação das suas carreiras políticas, encabeçando frequentemente os cortejos de protesto, buzinões ou formas semelhantes de protesto.

Estranhamente nenhumas das luminárias se lembram de vir a Lisboa protestar, salvo os gajos de Canas de Senhorim, e porque? Por diversos motivos, primeiro porque é longe, dá trabalho, saí caro e as possibilidades de mobilização popular são bastante menores, segundo pela sempre construtiva e inteligente atitude dos media que conseguem sempre desencantar os mais imbecis dos imbecis para entrevistar ou filmar. Esses claro agradecem... Assim a procissão de inflamados locais prefere fazer caravanas de buzinão (andar a pé é que não), dar três voltas ao largo ou à circular do sítio e desmobilizar. A cobertura pelos media faz o resto e repercute as ondas de choque em Lisboa. Essas ondas encontram sempre políticos compreensivos na oposição pois claro pois no Governo ganha-se um autismo inato, até porque se podem sempre cavalgar uns votos pelos protestos lá do interior.

O círculo está pois completo. A populaça lá faz uns protestos, corta umas linhas férreas ou rodoviárias, os jornalistas lá estão para filmar os cívicos protestantes, os autarcas encabeçam a marcha e os politicos da oposição em Lisboa mostram simpatia e vestem a camisola do Litoral. O pais agradece e lá vai caminhando para a ingovernabilidade, ora porque a pratica rotativista colocará o Dr. Mendes ou outro em S. Bento, ganhando este qualquer autismo. Note, bom leitor que quaisquer méritos ou deméritos da proposta não foram ainda discutidos ou ponderados até porque as discussões se manifestam estéreis ou improdutivas pois redundam em argumentos técnicos e não permitem interessantes argumesntos como eu não quero "nascer em Nelas, Fafe ou Ranholas" porque sempre nasci aqui na terra, ou em alternativa não quero ir à urgência a 20 km porque fui toda a vida aqui e se é para estar na fila à espera ao menos que seja na terra.

É assim pois com estes funestos e tristonhos episódios que a OTA e o TGV passam por debaixo do mainstream da discussão política, que temas como o agravamento fiscal sucessivo e continuado também, assim como o desemprego, caminhando assim o pais para pior, vivendo as populações pior e fazendo-se as negociatas do costume para os lobbis do costume. Ademais e como brinde extra, o Eng. Socrates dá ares de quem enfrenta os problemas do pais e os grupos de interesse, como o círculo recrativo do jogo do pau de Valença do Minho ou outros que participam na marcha, colhendo dos comentadores alinhados o gaúdio de tomar decisões de coragem como alocar para outro conselho 4 médicos e 6 enfermeiros ou ainda menos como muitas vezes se reconduz o problema.

A discussão das urgências é das que colhe pontos extra merce estar relacionada com a saude de um povo sempre doente, doente, com dores e combalido sempre mais por feitio que por motivos clínicos mas enfim há que saber o que a casa gasta... Qualquer dia ainda dizem certamente que será por causa do tempo que se têm tantas doenças, é que parece correr aí, segundo o Segolene Sócrates que os portugueses afinal são é finladeses e explicando assim esta incapacidade de aguentar bem o clima. Enfim a frase já foi por mim escrita várias vezes contudo, seria para rir se não fosse para chorar.

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