Uma pérola
De quando em vez temos o prazer de ler textos tão bem produzidos e laudatórios que merecem ser homenageados com um post. Aconteceu com alguma da prosa da delirante Câncio, e acontece hoje também. Plagiando os gatos fedorentos são "tesourinhos deprimentes do jornalismo". O autor é Pedro Guerreiro, editorialista do Jornal de Negócios, sendo assim com prazer que transcrevemos o seguinte parágrafo, do dito periódico do dia de hoje:
«A "esquerda moderna" com que José Sócrates ganhou as eleições, há dois anos, significa, em termos económicos, que ser socialista não implica deixar de ser liberal. Sócrates é liberal. E esta reforma da Administração Pública é, nesse sentido, liberal: é "esquerda moderna", tal e qual foi eleita.»
Acho que a frase que por si não valerá dois caracois furados contudo é demonstrativa da baixíssima qualificação literária dos professionais dos média. Sócrates é liberal, faz reformas liberais à moda da esquerda moderna, isto tudo claro sem deixar de ser socialista.
É a tese do bipolar.
O homem de todos os méritos, liberal como se quer na economia, deixando à iniciativa privada e ao mercado a condução económica mas ao mesmo tempo socialista em termos sociais, querendo um estado prestador de bons serviços aos governados.
A reforma na Administração Pública Liberal pois claro, mantem as funções do estado na mesma, joga com truques como o do contrato individual de trabalho, mantém o status quo anterior sem quaisquer alterações, mas é liberal porque uma luminária "graxista" o diz. Em Portugal há muito que vale a regra de que não interessa o que as coisas são mas sim o que se publica, os chavões utilizados ou a verborreia de cavalheiros como este.
Fosse o indivíduo minimamente letrado e saberia que liberalismo e socialismo são no mínimo antagónicos e no máximo dois conceitos diametralmente opostos, até pela sua natureza conflituante. Mas enfim a quem isso interessa? O spin doctor já se pronunciou é liberal pois claro, sem que haja um novo contrato social, uma redefenição clara da actuação do estado, suas funções específicas etc...
É a reforma liberal de manter o mesmo estado, os mesmos funcionarios a fazer as mesmas coisas, tudo claro lavado por uma dose de cosmética. Há portanto que ver isto como é uma "banhada" que alimentada por uma imprensa de ignorantes acríticos que quando retirado o açaime fazem a melhor crítica ao nível do teatro de Revista do defunto Parque Mayer.
Há uns tempos um Coronel do Exercito, que havia servido na recolha de informações, disse-me que a leitura de um jornal não deveria ser em tempo superior a 10 minutos, motivo: a intoxicação informativa deturpa a percepção do interprete, seja na actualidade nacional seja na internacional. O mesmo de forma hábil e rápida deu-me prontamente um exemplo, a do conflito do médio oriente com artigos claramente favoráveis aos interesses palestinianos. A nível nacional em Portugal hoje sucede o mesmo, mas de forma "imbecil" pois a sociedade de espetáculo cede sempre à propaganda. O episódio das urgências é somente uma excepção numa política de imagem cuidadosamente montada, aí a força do número e a rusticidade do protesto valeram sobre o tratamento da imagem...
Ora nada mais correcto, o bombear constante de informação governamental têm esse efeito lavagem cerebral a par de uma política de informação bem gerida pelo executivo que desde o primeiro dia assentou numa premissa, a baixa de expectativas de maneira a que tudo o que venha como projectos, choques tecnológicos ou simplexes pareçam a última coca cola do deserto.
O Governo é péssimo é um facto quase indiscutível. O PRACE redundará num sucesso num ministério qualquer, provavelmente o da Agricultura e um rotundo fracasso em tudo o resto, óbvio que só conheceremos o primeiro. O segundo será objecto de perfídia cada vez que Marques Mendes ou outros falem contra o espírito reformista e liberal do ex-comuna das Finanças ou do ex-comuna das Obras Públicas que pela sua opacidade deveria mudar o nome para Mário Limo.
Se o governo fosse um "cocktail party" seria de terceira categoria, as pessoas estariam meio casual meio formal e tudo seria de mau gosto, a comida, o decor,as pessoas seriam somente ex-comunas ou piores, a populaça mascaria de bocarra aberta os licores seriam bons e permitindo a tudo andar meio grosso e intoxicado para observar o paupérrimo espetáculo.
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