Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

terça-feira, novembro 20, 2007

Notas sobre Espanha

(i) 20 N

Apraz aos castelhanos há muito já qualificar as datas da forma em epígrafe. Em 20 de Novembro de 1975 falecia o Generalíssimo Francisco Franco, Caudilho de Espanha. Uns comemoram a data, outros lamentos e outros ainda a consideram com a soberba indiferença do dia a dia.

Este ano contudo, tal qual nos longínquos idos de 1975 esta data têm algo de único, é o último ano em que a comemoração do franquismo e do regime vigente em Espanha entre os anos 1939 e 1975 pode de forma livre e em paz com a sua história celebrar a efeméride ou ignorar esta, consoante a vontade de cada um. Porque?

A resposta é de chapa, ou decreto, por conta da Lei da Memória Histórica. Esta peça de revisionismo legislativo visa por decreto mudar a história. Nada de novo para a esquerda que parece padecer de um certo alzheimer selectivo no tocante à história, ou seja, honra e lembra-se somente do que lhe interessa e por decreto anula e visa alterar o resto. A absurda construção legal visa consoante o juízo do momento "acertar as contas com a história", retirando símbolos franquistas e mudando locais emblemáticos como o Vale dos Caídos entre outros.

A lei como o dissemos antes é abstrusa e absurda pois é motivada por puro revenchismo com o facto de num conflito civil o lado que hoje se encontra em maioria ter perdido. Tal é errado pois não permite uma verdadeira reconciliação histórica uma vez que esta é espontânea e sem quaisquer subterfúgios legais. Infelizmente nos últimos anos a actuação de certas forças políticas, respaldadas no PSOE de ZP conseguiram por em discussão tudo sobre a Transição que se seguiu ao Franquismo.

Diram alguns que as coisas não devem continuar imutáveis e inalteráveis. É um facto, contudo a afirmação caí pela base no tocante a Espanha uma vez que a Espanha de '75 é bem diferente da de hoje, não só em termos de riqueza económica mas também e mais importante em pluralismo saudável criado naturalmente e não por decretos. A Lei da Memória histórica demonstrará que sob os auspícios das melhores intenções se escondem acertos de contas e agendas políticas que não hesitam em utilizar a história como arma de arremesso.

(ii) Reforma Fiscal

Mariano Rajoy definiu já o tema que será a guideline principal para a campanha eleitoral do próximo ano. Reforma Fiscal. A sua proposta simples e eficaz. Isenção total de IRS a todos os cidadãos com rendimentos globais inferiores a €16.000 ano. A isto junte-se o facto do IVa e demais impostos sobre o consumo serem já baixíssimos em Espanha.

Transpondo a Portugal a realidade continuamos com o Seu Menezes a dizer que baixa de impostos «Nim», o Teixeira dos Santos o mesmo. Como termo de comparação um indíviduo com rendimento inferior a 16.000€ ano em Portugal encontra-se no escalão dos 23,5% de IRS. Admitimos estar somente perante uma promessa eleitoral, contudo se tal fosse transposto para o lado de cá da fronteira implicaria que muitas pessoas deixariam de andar a trabalhar 1/4 do ano aproximadamente para pagar impostos sobre o trabalho, cujo peso se faz sentir no corpo de quem se alça cedo da cama em vez de ficar à espera das "novas oportunidades", de "rendimentos de inserção", de uma casinha do estado ou outras esmolas que prodigamente se distribuem. Há coisas fantásticas não há? Claro que sim, mas é para lá de Badajoz.

(iii) O cozinheiro e o HIV.

É de conhecimento comum que a SIDA nao se transmite por beijo, por toque etc, contudo vivemos num mundo em que os standarts sanitários são crescentes, as embalagens devem estar etiquetadas, os alimentos rotulados e separados uns dos outros em câmaras frigoríficas distintas. O pessoal deve obedecer a crescentes exigências sanitárias. O episódio descrito por AOC e sua posição são por mim secundadas.

A sida não se transmite por o cozinheiro ter SIDA como é consabido contudo há um risco em quem lida com alimentos e instrumentos acutilantes em induzir o contágio. Os imans do politicamente correcto vituperam a relação de Lisboa por entre outros aspectos ter realizado um juízo de prognose sobre o risco, o risco de uma infecção do pobre cozinheiro, um corte, uma ferida etc, além do alarme aos colegas de profissão e aos clientes.

A questão não é se os profetas do sanitarismo ou os "geriartricos" juízes têm ou não razão, mas antes do risco que se passa a correr, não apenas jurídico mas antes do mais de saúde pública. A Relação assim decidiu, e bem na nosssa opinião.

Ademais não se preclude o direito ao trabalho aquele cidadão, pelo contrário, o que se diz é que aquela actividade representa um risco acrescido que a sociedade não deve correr. O mesmo se passaria com um piloto que por acidente têm tonturas ou episódios psicológicos, de um enfermeiro psicopata ou outros exemplos mais sãos que os expostos visto ser um argumento ad absurdum... já agora para quando se proibem os políticos cleptomaniacos ou megalómanos?

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segunda-feira, março 12, 2007

Notas de Fim de semana

Passando em revista os eventos do final de semana destacam-se:

(i)

Sábado passado, 10.3.2007, uma manifestação com mais de 2 milhões de participantes percorreu as ruas da capital espanhola. Motivo, a política terrorista do Governo Espanhol que insensatamente rompeu com consensos históricos, oriundos da transição, governando de uma maneira que somente se poderá considerar como errática. O caso do etarra de Juana foi a faisca que fez escalar a crispação no pais vizinho, a níveis inauditos até hoje. É facil entender o que Zapatero fez, pura e simplesmente governa com o apoio de algumas forças nacionalistas de esquerda, aliando-se aqueles que cada vez menos se reveem como Espanhois e cuja ideia do seu Pais é na melhor das hipóteses uma Federação e na pior um Estado independente. Mais ainda Zapatero, promove dolosamente a exclusão do centro direita, empurrando-o com declarações de populismo e irresponsabilidade para um ghetto criado pela maioria "sui generis" do dia 11 de Março de 2004.

A manifestação de sábado teve o condão de ser convocada expressamente contra ZP e ter ampla participação. Note-se que a reacção do PSOE não se fez esperar, ficou-se por um irónico "esperavamos mais". Os tempos do populismo fácil contra o Iraque e Aznar acabaram urgindo agora malhar num governo avesso a qualquer sentido de estado, errático e que conduz uma política interna e de coesão imperceptível e que até ao momento fez muito mais mal que bem. Finalizando a política do "bom polícia" de ZP atingiu o seu prazo de validade, ZP tenta governar como homem bom e de consensos, estando refem da boa vontade de organizações terroristas ou de formações partidárias que odeiam a ideia de Espanha.

(ii)

Por cá o soba mor fez um ano de mandato e o governo dois. A Imprensa rendeu-se à efeméride, com elogios redobrados a Sócrates, de entre os quais se destaca uma parola reportagem no Sol sob o título "Nascido para o poder". A coisa é quase risível, primeiro a começar com as fotos que os agit-props do governo enviaram de entre as quais se destaca um Sócrates de peito nú apanhando sol em Paris ou as fotos da terra. Enfim está ao nível do pais é tudo quanto se pode dizer, ou seja "brega", especialmente com Armani. Coberto de Armani ou de outra coisa qualquer a reportagem de culto personalista como escreveu VPV, evidencia somente o paupérrimo estado da fibra de Sócrates, a de um carreirismo em partido político desde a juventude. A de um bom rapaz de um terrinha que subiu a pulso pelo partido para chegar a Lisboa e triunfar. Dotes académicos ou actividades profissionais de vulto para além da militância 0 (ZERO), vida além do partido ZERO.

A crítica a Sócrates anda menos rendida? Passados dois anos de governo interessa sim discutir as crises das oposições e denegir o líder do seu partido mais votado, ao invés de exigir do Governo mais do que têm sido pedido. As condições de Sócrates são e foram inigualáveis em termos de oportunidades, contudo dois anos depois que credenciais demonstra o governo, eu deixo uns pontos de reflexão:
-agravamento fiscal em quase todos os impostos (IRS,IVA,IA,IMI,IMT,ISP,IEC's, IS etc...)
-aumento das despesas (continua-se a gastar mais com o Estado)
-aumento de desemprego (não obstante a propaganda diária em contrário)
-abaixamento do nível de vida
-reformas insatisfatórias
-actuação à revelia do programa de governo

Ora cada vez que se levantam alguns dos temas lá aparece, por magia o Dr. Santana, o Dr. Menezes ou se demonstra a fraqueza do Dr. Mendes...

Continuando contudo o PR faz um ano de mandato. 17 valores diz o Prof. Marcelo, mais por reverência que por vontade própria, ora o ano de Cavaco é marcado por o que? Muito pouco, alias Cavaco seguindo o mote dos PR's anteriores exerce o seu mandato aos Zig-zags, ora dando um rebuçado ao Governo ora dando um à oposição. Constitucionalmente não há melhor maneira de exercer o seu magistério, estando os pais fundadores da Constituição rendidos ao modelo de poderes "esquizofrénico" que o PR exerce. No mais o que destacar? A cooperação estratégica? Quais os resultados práticos? Zero ou quase , uns pozinhos e umas coisinhas, uns arrufos mais de imprensa mas a verdade é que Sócrates têm levado a melhor de Belém o que até encerrar esta legislatura poderá ser perigoso, especialmente porque será o PM a colher a insatisfação nas urnas, mesmo que a propaganda noticiosa indicie bons augúrios.

(iii)

Nota final, o belíssimo e integro artigo de VPV no Público de Sábado. O tema eram os 50 anos da RTP e as festas de gala que foram realizadas para a homenagem. Diz o autor que a RTP de Salazar e Caetano era a agência noticiosa do Governo, mesmo com a mitómana construção da Censura. As coisas são como são em Portugal e a censura do Estado Novo é substituida pelo partidarismo que lhe segiu, sendo a RTP o repositório de presidentes devidamente endossados pelos sucessivos governos, reproduzindo-se em orgão público as orientações de S. Bento, foi assim com todos os primeiros ministros e continuará a ser. Vislumbram-se laivos de independÊncia ou inconformismo na RTP? Eu arrisco que não, a RTP é a televisão nacional e deve refletir o pensamento dominante de liberdade de informação de quem paga as contas. Os financiamentos da RTP são sempre polémicos pois quem paga a conta é que escolhe o cardápio.

A conclusão de VPV é simples a de que os portugueses são um povo de respeitinhos e reverências e não um povo que aprecia a liberdade, seja por a misturar frequentemente com irresponsabilidade e desgoverno, seja por não terem ainda formação e maturidade para viver construtivamente em liberdade. Alias o bom jornalismo da RTP fica patente com reportagens de meninos e pais em Cuecas na praia de Carcavelos aproveitando o sol e com os bácoros gritinhos da jornalista sempre que indo para perto da água se molhava. Depois disto repito a pergunta de VPV, há mesmo algo na RTP que mereça ser festejado?

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