Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, março 12, 2007

Notas de Fim de semana

Passando em revista os eventos do final de semana destacam-se:

(i)

Sábado passado, 10.3.2007, uma manifestação com mais de 2 milhões de participantes percorreu as ruas da capital espanhola. Motivo, a política terrorista do Governo Espanhol que insensatamente rompeu com consensos históricos, oriundos da transição, governando de uma maneira que somente se poderá considerar como errática. O caso do etarra de Juana foi a faisca que fez escalar a crispação no pais vizinho, a níveis inauditos até hoje. É facil entender o que Zapatero fez, pura e simplesmente governa com o apoio de algumas forças nacionalistas de esquerda, aliando-se aqueles que cada vez menos se reveem como Espanhois e cuja ideia do seu Pais é na melhor das hipóteses uma Federação e na pior um Estado independente. Mais ainda Zapatero, promove dolosamente a exclusão do centro direita, empurrando-o com declarações de populismo e irresponsabilidade para um ghetto criado pela maioria "sui generis" do dia 11 de Março de 2004.

A manifestação de sábado teve o condão de ser convocada expressamente contra ZP e ter ampla participação. Note-se que a reacção do PSOE não se fez esperar, ficou-se por um irónico "esperavamos mais". Os tempos do populismo fácil contra o Iraque e Aznar acabaram urgindo agora malhar num governo avesso a qualquer sentido de estado, errático e que conduz uma política interna e de coesão imperceptível e que até ao momento fez muito mais mal que bem. Finalizando a política do "bom polícia" de ZP atingiu o seu prazo de validade, ZP tenta governar como homem bom e de consensos, estando refem da boa vontade de organizações terroristas ou de formações partidárias que odeiam a ideia de Espanha.

(ii)

Por cá o soba mor fez um ano de mandato e o governo dois. A Imprensa rendeu-se à efeméride, com elogios redobrados a Sócrates, de entre os quais se destaca uma parola reportagem no Sol sob o título "Nascido para o poder". A coisa é quase risível, primeiro a começar com as fotos que os agit-props do governo enviaram de entre as quais se destaca um Sócrates de peito nú apanhando sol em Paris ou as fotos da terra. Enfim está ao nível do pais é tudo quanto se pode dizer, ou seja "brega", especialmente com Armani. Coberto de Armani ou de outra coisa qualquer a reportagem de culto personalista como escreveu VPV, evidencia somente o paupérrimo estado da fibra de Sócrates, a de um carreirismo em partido político desde a juventude. A de um bom rapaz de um terrinha que subiu a pulso pelo partido para chegar a Lisboa e triunfar. Dotes académicos ou actividades profissionais de vulto para além da militância 0 (ZERO), vida além do partido ZERO.

A crítica a Sócrates anda menos rendida? Passados dois anos de governo interessa sim discutir as crises das oposições e denegir o líder do seu partido mais votado, ao invés de exigir do Governo mais do que têm sido pedido. As condições de Sócrates são e foram inigualáveis em termos de oportunidades, contudo dois anos depois que credenciais demonstra o governo, eu deixo uns pontos de reflexão:
-agravamento fiscal em quase todos os impostos (IRS,IVA,IA,IMI,IMT,ISP,IEC's, IS etc...)
-aumento das despesas (continua-se a gastar mais com o Estado)
-aumento de desemprego (não obstante a propaganda diária em contrário)
-abaixamento do nível de vida
-reformas insatisfatórias
-actuação à revelia do programa de governo

Ora cada vez que se levantam alguns dos temas lá aparece, por magia o Dr. Santana, o Dr. Menezes ou se demonstra a fraqueza do Dr. Mendes...

Continuando contudo o PR faz um ano de mandato. 17 valores diz o Prof. Marcelo, mais por reverência que por vontade própria, ora o ano de Cavaco é marcado por o que? Muito pouco, alias Cavaco seguindo o mote dos PR's anteriores exerce o seu mandato aos Zig-zags, ora dando um rebuçado ao Governo ora dando um à oposição. Constitucionalmente não há melhor maneira de exercer o seu magistério, estando os pais fundadores da Constituição rendidos ao modelo de poderes "esquizofrénico" que o PR exerce. No mais o que destacar? A cooperação estratégica? Quais os resultados práticos? Zero ou quase , uns pozinhos e umas coisinhas, uns arrufos mais de imprensa mas a verdade é que Sócrates têm levado a melhor de Belém o que até encerrar esta legislatura poderá ser perigoso, especialmente porque será o PM a colher a insatisfação nas urnas, mesmo que a propaganda noticiosa indicie bons augúrios.

(iii)

Nota final, o belíssimo e integro artigo de VPV no Público de Sábado. O tema eram os 50 anos da RTP e as festas de gala que foram realizadas para a homenagem. Diz o autor que a RTP de Salazar e Caetano era a agência noticiosa do Governo, mesmo com a mitómana construção da Censura. As coisas são como são em Portugal e a censura do Estado Novo é substituida pelo partidarismo que lhe segiu, sendo a RTP o repositório de presidentes devidamente endossados pelos sucessivos governos, reproduzindo-se em orgão público as orientações de S. Bento, foi assim com todos os primeiros ministros e continuará a ser. Vislumbram-se laivos de independÊncia ou inconformismo na RTP? Eu arrisco que não, a RTP é a televisão nacional e deve refletir o pensamento dominante de liberdade de informação de quem paga as contas. Os financiamentos da RTP são sempre polémicos pois quem paga a conta é que escolhe o cardápio.

A conclusão de VPV é simples a de que os portugueses são um povo de respeitinhos e reverências e não um povo que aprecia a liberdade, seja por a misturar frequentemente com irresponsabilidade e desgoverno, seja por não terem ainda formação e maturidade para viver construtivamente em liberdade. Alias o bom jornalismo da RTP fica patente com reportagens de meninos e pais em Cuecas na praia de Carcavelos aproveitando o sol e com os bácoros gritinhos da jornalista sempre que indo para perto da água se molhava. Depois disto repito a pergunta de VPV, há mesmo algo na RTP que mereça ser festejado?

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1 badaradas:

Anonymous Anónimo said...

Muito esclarecido!
Abraço

AML

1:11 p.m.

 

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