Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, janeiro 31, 2008

O político da Gruta!

Em declarações na cimeira luso-ibérica o nosso primeiro ministro, buraco negro de política, brindou o Grupo de amigos de Olivença com a epitome de "Folclore". Parece que a meritória, longa e indefectivel causa dos que, como eu reivindicam que Olivença é Portugal (no plano jurídico-formal pelo menos), não passa de mero "funk" político.

Sobre o Sr. Sócrates, homem de obscuras qualificações literárias pouco mais seria de esperar. Alias notória é a sua marca de tecnocrata, de homem de ipods e tecnologias mas ao qual nunca em 3 anos de exercício político se lhe reputou uma tirada histórica de alguma profundidade ou que demonstrasse uma erudição por ai além. Depois do Espanha Espanha Espanha, seguiu-se o Europa, Europa, Europa e seguidamente a Cimeira de Africa, Africa e Africa e depois a separata de Lisboa que também dá pelo nome de tratado renovador de uma construcção monstruosa.

Se algo ecoa nestas linhas, não é por acaso, é que Sócrates é o político da Gruta, ou seja à falta de substância ou matéria no discurso repete soundbites à exaustão, por vontade própria ou simplesmente porque o fenómeno do eco ocorre com a maior facilidade quando algo está vazio. Imodestamente digo que até têm a sua piada; Sócrates o político da Gruta, contudo na Gruta só ecoa a ignorância que um pensamento estruturado não permitiria, a repetição do último medley do assessor mais próximo.

É por demais evidente que tudo o que não seja dar razão ao Guia e à ultima encarnação do estrelato político moderno é pura e simplesmente levado na enxorrada de baboseiras que brota das fontes governamentais. Sem dúvida é de esperar que não saibam as pessoas o que dizem excepto se for avalizado pelo Rei Sol e uommo mobile político. Nós por cá respondemos que Sócrates e o seu discurso são pobres e ausentes de qualquer reflexão histórica do papel de Portugal no mundo e na Europa. Eu bem sei que do Fundão veio ao Mundo a maior estrela e génio contemporâneo, um indivíduo ao qual a "iarea", àrea para os mais básicos, é a dos brilhantes e geniais estadistas como Zapatero e outros....

Completando esta vã divagação, é meu parecer que Sócrates é como diz VPV uma criatura completamente plástica, sem uma onça de gravitas e mais grave ainda com uma única aspiração, alias a eterna como diria Maquiavel, a de obter o poder e lá se conservar. É a sua "iarea" nascido e criado nas melhores escolas políticas do pais, as juventudes partidárias.

É sendo altura de acabar com o discurso do sofisma, é tempo de ter alguma ideologia na pose e na acção política. Note pois caro leitor que a ideologia é o esqueleto do político, sem esqueleto não têm pose e sem pose está lá somente para se governar e não para levar a cabo nenhum projecto de estado mais profundo que não seja o estar ao dispor de Bruxelas!

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segunda-feira, março 26, 2007

Seixal ou Santa Comba?

Depois de ver Os Grandes Portuguesas e a eleição inesperada (será?) de Salazar e Cunhal para os dois primeiros lugares da tabela, merecedores de ouro e prata do pódio (juntamente com um tal Aristídes que parece que safou uns milhares da morte certa), faz-me pensar que Portugal não sabe qual dos seus são merecedores de figurar no seu quadro de honra.

Dos 10 finalistas (porque não me atrevo a mencionar os vinte primeiros, onde constavam Pinto da Costa, Jorge Costa, José Mourinho etc), tinhamos a seguinte panóplia de personalidades, de acordo com o discutido no programa.

- Ditador
- Aspirante a Ditador
- Marquês Ditador e anti-jesuita
- Reis Ditadores e responsáveis pela escravatura e pela cruel morte de milhares
- Poeta sem respeito pelas mulheres
- Poeta bebado e sem mulheres
- Navegador pedófilo
- Navegador bárbaro, cruel e parece que racista (!!!!!)
- Um gajo porreiro, mas que verdadeiramente ninguém conhece...

Destas definições, ainda estranham que tenha ganho aquele que verdadeiramente é aquilo que as pessoas pensam que ele é? Alguém acha que Salazar não foi um ditador... que mandou prender e matar dezenas ou centenas de pessoas? Que defendia a censura e a existência de um só partido? Que equilibrou as contas públicas? Que teve uma ideia de Portugal (ainda que não concordemos com ela)?

Não é ensinado o Estado Novo nas escolas? Claro que é! Tanto é que as pessoas conseguem julgar a História quando esta aconteceu à 40 anos!

Mas ao contrário do que diz a Camarada Odete, as pessoas que votaram nesta eleição possivelmente por estarem informadas sobre os prós e os contras de Salazar entenderam que este fez por Portugal, mais do que Alvaro Cunhal fez por si e pelo PC. E o voto útil (este sim) nasceu.

Todos os outros com pequenas excepções, ou porque passaram largos séculos, ou porque são figuras que a História nos faz ver a cores (e não a preto e branco), não são amados ou odiados... não nos fazem votar... sempre estiveram e estão lá, e por eles temos respeito e admiração. Mas não votariamos neles porque são homens como nós. Com defeitos, virtudes, praticantes de actos barbaros (aos nossos olhos) e defensores da opressão religiosa ou da cor de pele.

Mas Alvaro Cunhal ser o maior dos portugueses? Não seria esse um maior ultraje da nossa História? Aquele de quem se diz ser informante da PIDE (que teria permitido a sua fuga de Peniche), defensor de um regime de opressão como o da URSS. Defensor das Nacionalizações da economia, da Reforma Agrária etc.

Parece que desta vez, Santa Comba ganhou.

Penso que ganhou o menos mau (entre Cunhal e ele próprio). Mas todos os outros mereciam ficar à frente, pois fizeram o que tinham de fazer com os constrangimentos das suas épocas e com os olhos do seu tempo.

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