Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sábado, março 03, 2007

A academia é igual em toda a península

Pensava eu que a tacanhez dos académicos fosse uma característica muito portuguesa. O país é pequeno e as aventesmas que pululam nas cátedras das nossas universidades apenas querem ser "king of my castle" do seu mundinho fechado.

Era piada corrente na Faculdade de Direito de Lisboa que quando no Conselho Científico se discutia a reforma do plano de curso e se colocava em cima da mesa a eliminação de uma determinada cadeira (perfeitamente inútil, diga-se de passagem) o professor respectivo, ofendido - quiçá mesmo, humilhado - no seu orgulho, retirava-se da sala e recusava-se a regressar enquanto não fosse retirada a infame proposta.

Nas conversas regulares que vou mantendo com amigos no meio, a decepção, cansaço e desmotivação dos mesmos é pedra de toque. As capelinhas e jogos de influência são os mesmos de há ano sem fim. Não admira, pois os actores são exactamente os mesmos.

Bom, aqui em Barcelona a academia também é uma torre de marfim onde estão encerradas algumas luminárias preocupadas exclusivamente com o seu bem-estar. Ainda que na área de Direito haja uma maior abertura à sociedade civil das faculdades públicas que em Lisboa. Mesmo assim, é gente tacanha, pequenina, mesquinha e centrada no seu umbigo.

Há um projecto para criar na Europa uma extensão de um prestigiado instituto de investigação e ensino de uma muito importante universidade americana. Até agora o plano era estabelecer esse instituto aqui em Espanha. Bons programas, bons professores, seria uma honra para a universidade de acolhimento estar associada a este projecto (já para não falar no dinheiro que lhe poderia daí advir). Enfim, uma honra para a instituição de acolhimento.

Mas estranhamente, nenhuma das universidades até agora contactadas está muito aberta a aceitar o projecto? Não me pronunciarei sobre as desculpas esfarradapas. O problema subjacente é que os eminentes professores não poderão controlar este instituto como "pet project". Por outras palavras, por efeito de comparação directa, poderá deixar clara a falta de qualidade da generalidade do ensino pós-graduado dessas faculdades.

Não sendo um brinqued de um professor com influência na casa, não contribuindo para a melhoria da condição de um único professor - ou de um grupo de professores - o resultado é que ninguém quer este projecto.

A melhor comparação que me lembro foram as confusões das universidades portuguesas quando se começou a negociar a instalação do MIT em Portugal. É mais ou menos o mesmo síndrome: se não contribui para o meu avanço pessoal e está sob o meu controlo, não apoio.

Enfim, pequenezes.