Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, março 09, 2007

A política da energia

Por estes dias os líderes europeus discutem amigavelmente na Cimeira da Primavera qual o caminho a seguir no que toca à política energética da União. Para já demonstram estar em acordo apenas numa coisa: não depender em excesso do gás russo, sob pena de sofrer problemas semelhantes aos da Ucrânia e a Bielorússia.

O problema é definir qual o caminho a seguir. Apostar pelo nuclear ou pelas renováveis? E aqui é fácil perceber os motivos levam cada país a optar por uma ou outra solução.

Independentemente das mais valias técnicas de uma solução ou de outra, a opção de cada país vai ser sempre consolidar a política que já optou por seguir e proteger os lóbies dessa indústria.

Vejamos o caso da França. Este país optou há largas décadas pelo nuclear. Boa parte do mix energético que fornece electricidade à França provém de centrais nucleares. Têm tecnologia, empresas e know how na área. Qual é a posição deles? Em primeiro lugar o nuclear, só depois as renováveis. Nas renováveis não têm propriamente muita competência.

Passemos agora à Alemanha. Os germânicos decidiram ir fechando a pouco e pouco as centrais nucleares do país, desligando-se desta tecnologia. Os sucessivos governos apoiaram com subsídios enormes a energia eólica e a energia solar. Têm tecnologia, empresas e know how na área. Qual é a sua posição? Renováveis, nuclear nem pensar.

Vejamos o caso português. Portugal apostou primeiro no sector hidroeléctrico e mais recentemente nas energias renováveis, especialmente no eólico, onde garante generosas tarifas aos promotores do invesimento durante alguns anos (i.e., retorno garantido, baixo risco para os "sortudos"). Não tem (para já) grande competência na área, mas está bem manietado pelos lóbies da indústria renovável. Qual é a sua posição? Renováveis, nuclear nem pensar.

Portanto, independentemente da mais valia de uma ou outra tecnologia, cada um destes países simula tomar uma decisão fulcral neste momento. Digo simula, pois a decisão - para o melhor e para o pior - foi tomada há muito.

1 badaradas:

Blogger Fliscorno said...

Bem visto. Uma nota: nuclear não é energia renovável. Há aquele "pequeno" senão do que fazer com o lixo nuclear.

2:04 a.m.

 

Enviar um comentário

<< Home