Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, março 02, 2007

Uma nova Direita, uma nova política

As pessoas falam. Falam da OPA. Falam das OPAS. Falam da "blindagem"... falam da "desblindagem". Falam do Norte, falam do Sul. Falam dos reacionários do Porto e dos elitistas de Lisboa. E falam de Portas.

Porque se fala de Portas?

Esta pergunta é aquela que a maioria dos comentadores que ontem falaram sobre a declaração de Paulo Portas tem medo de falar. Normalmente fogem para o lugar comum... "É uma figura mediática" dizem...

Nada mais falso. Paulo Portas é falado porque é apreciado. Também porque é mediático, mas convenhamos que a Lili Caneças também é mediática... Serão iguais?

Portas é apreciado pelas suas qualidades, boas e más. Pela sua cabeça e por nenhuma outra que possa estar por trás ou ao lado. Portas pensa. Por si. E as pessoas percebem isso.

E nos dias que correm dão valor áqueles que pensam pela sua cabeça. Sem dogmas, sem medos e com clareza. Tudo palavras ontem repetidas... palavras que os portugueses querem ouvir... determinação, clareza, coragem, ideias, valores.

Nada mais claro. Transparente.

Mas se as ideias que Paulo Portas vai trazer são claras (ao contrário do dito pelos analistas governamentais), não é menos verdade que a segunda vida de um político é sempre mais difícil que a primeira, especialmente porque o discurso já foi ouvido.

É por isso que, conforme escrevi há já longos meses, Paulo Portas tem de agarrar uma ideia fundamental para esta sua segunda vida política. E essa é a Reforma fundamental da Constituição da Republica Portuguesa. Só com ela é exequivel um novo projecto de centro direita (assim falou Portas) para Portugal.

Um projecto que não pode ter medo de propor solucções revoluccionárias para problemas da reacção. Defender uma mudança essencial na Constituição abrindo, e deixando de limitar os projectos políticos apresentados aos portugueses deve ser a primeira bandeira de uma nova direita. Defender a busca de uma sociedade livre de restrições socialistas, com um Código do Trabalho competitivo, respeito pela classe média trabalhadora e respeitadora das suas obrigações fiscais e sociais, defesa da família enquanto núcleo social. Fomento da cultura portuguesa em Portugal e no Estrangeiro. Defesa de um sistema nacional de saúde pago pelos utentes que podem pagar (tb por todos na percentagem das possibilidades) e usado por todos. E não pelos remediados. Educação baseada no ensino da lingua portuguesa, com qualidade e sem cairmos em autores do regime apenas por serem de esquerda. Limpeza de corporações educacionais, empresariais e sociais. Fomento da poupança. Fomento do respeito pela Segurança Social de quem estudou e trabalha, não daqueles para quem o trabalho é algo a evitar.

Defesa da liberdade económica e funcionamento do mercado. Defesa de um Estado de Direito para todos. Começando nos políticos mas passando por todos. Do dono do café ao empresário de futebol. Todos fazemos parte da sociedade. Desta sociedade.

Será isto possível com esta Constituição? Em meu entendimento, não!

Dir-me-ão: Mas isso não é possível num espaço de tempo considerável? Concordo... mas não totalmente.

Paulo Portas ao posicionar-se no centro direita, ao passar por cima do PSD e de Marques Mendes, deu um sinal claro a Marcelo Rebelo de Sousa e aos restantes barões sem joias do PSD. Se não vierem para o combate político, este Portas irá buscar votos ao centro no combate a José Socrates.

Mas mais importante, irá buscar votos ao centrão descontente com Sócrates e que não reconhecem em Marques Mendes um homem... é um pequenote!!!! tipo SCP (peço desculpa aos amigos sportinguistas).

Se Portas conseguir os ditos 8% ou 10% nas próximas eleições e o PSD 28 ou 30%, alguém se atreve a dizer que se não aparecer uma figura de proa, o PSD irá entrar em declínio. Esta situação deve deixar muito preocupado todos os pseudo-barões do PSD, pois sem líder e sem bancada parlamentar, o PSD arrisca-se a ter um dos piores resultados de sempre nas próximas eleições.

Aliás, chamo a atenção para o facto de Paulo Portas se encontrar na AR, e as eleições para o Grupo Parlamentar do PP serem para a semana... teremos com certeza Paulo Portas numa figura de maior destaque a roubar, em cada debate, votos ao PSD.

Constituição, Reforma do Estado e baixa de impostos. São estas as traves mestras de um novo programa de direita para Portugal, para o qual se pede que Portas apresente solucções.

Já se viu que mais ninguém vai aparecer para contestar Sócrates... assim o meu voto será dele... se o merecer.

P.S. Interessante pensar que passado mais de 30 anos do 25 de Abril, ainda estes esquemas ideológicos estão presentes na nossa vida, pois é a OPA, que deve ser "morta", como afirmou o PCP e o BE. Pois são os 30 mil trabalhadores na rua contra o Código do Trabalho e o desemprego. Para quem pensa que a Constituição está bem assim...

Etiquetas: