O Álamo ou o "Cavanço"
Nota prévia, este blog fez ontem 1 anos, 365 dias, 8760 horas, 525.600 minutos ou 31536000 segundos. Vezes sem conta escrevi ao longo do ano passado que os objectivos estavam sendo cumpridos, o espaço é livre e sem quaisquer complexos ideológicos ou outros, que venha mais um ano...
Posto isto cumpre falar do que significa o regresso de portas. Em primeiro lugar devemos afastar o bacoco pensamento correcto que existem vários Portas, o do independente, o amigo de monteiro, o dos primeiros anos de liderança, o do governo e o do Estado da arte, o homem é o mesmo, passando contudo por um período de maturação pois não se pode esperar a maturidade de um jornalista de intervenção com 28 anos seja igual à de um homem amadurecido com mais 12 anos de experiência, inclusive num ministério de Estado como é o da Defesa. Portas têm uma enorme qualidade, num partido cujo nome per si não garante mais de 3 ou 4% dos votos soube escolher causas que galvanizassem, ademais porque os ventos foram de feição, aos anos dourados, que precederam a queda de Guterres iniciaram-se com o "Eu fico" de Lisboa e continuaram alegremente até à saída de Durão Barroso. As causas sucederam-se, bastante meritórias mesmo, os ex-combatentes, os idosos, os agricultores entre outros foram cavalos de batalha que convergiram à eleição para o Governo. Quais as causas de amanhã? Provavelmente duas, o Estado e seu tamanho, a tributação dos cidadãos e as reformas sociais do Eng. Sócrates.
O que se espera de Portas, uma atitude menos complacente e permissiva para com o Governo, assim como o exigir de resultados à maioria absoluta. Na prática pouco se fará até que os ventos se alterem, pelo menos um pouco.
Em todo o caso a liderança de Ribeiro e Castro é fraca desde o primeiro dia, uma vez que confrontado entre Bruxelas e Lisboa, este escolheu sempre aquela, portanto não se poderá culpar a má performance à actuação de espíritos do portismo ou a outro motivo qualquer. A verdade é esta Ribeiro e Castro não conseguiu nunca demarcar-se da sombra de Portas, em boa parte porque os Portistas nunca sairam do Partido. A tarefa sempre foi difícil, mas R Castro não subiu às expectativas criadas. Uma notinha para o Telmo, ele está de volta a gabar o dr. Portas, é pois inegável, há os que só sabem seguir a voz do dono sem uma pinga de pensamento político ou tomates como diz com sabedoria o dr. Jardim.
Dá-se por adquirida uma coisa, que a liderança será facilmente arrebatada a Castro. Será? Ignorando os argumentos legalistas que valem o que valem, especialmente nos partidos políticos há muita gente que ocupa cargos que não é da linha acrítica portista, daí as posições turvas de Nogueira Pinto, e muitas vezes os barões preferem um susserano fraco que não causa engulhos e é suportável a outro que sendo ultra activo e desconfiadíssimo e traz a sua gente, da qual espera obediência cega e do qual se sabe como implacável com dissidentes. Mas também uma coisa se diga do PP, aquilo é e será sempre um one man show....
E agora Castro?
Cavanço ou Álamo?
O "Alamo" implicará sempre o fim de futuro tacho em Bruxelas, o "Cavanço" nem tanto...
Nota histórica: O Cavanço era o fado que os soldados portugueses cantavam nas trincheiras de La Lys, referindo-se a alguns oficiais que indo de licença a Portugal não voltavam...
