Combustíveis descem menos em Portugal que no resto da Europa
Uma das notícias de capa do Público de hoje é sobre o recuo inferior dos preços dos combustíveis em Portugal quando comparando com o resto da Europa (19% contra 33%).
Apesar de não se saber se aquando dos sucessivos aumentos de preços, a percentagem de aumento foi idêntica em Portugal e no resto da Europa, os números apresentados hoje pelo Público são motivo de espanto? Não.
Vejamos. Portugal é um país pequeno. O mercado dos combustíveis é um mercado estabilizado, maduro (quase diria, fossilizado, pois as empresas são as mesmas há anos sem fim e em número cada vez menor). Não há dinamismo, vontade de ganhar quota de mercado agressivamente, nem entrada de novos players (os custos actuais de entrada no mercado de combustíveis são insuportáveis para um mercado tão pequeno).
Com isto a Galp limita-se a fixar os seus preços e o resto do rebanho vai atrás, mais cêntimo menos cêntimo. Como empresa que é, quando a matéria prima sobe de preço, aumenta imediatamente o preço de venda e quando ela desce, os preços desinflam mais devagar. Discretamente, como no ditado, enquanto o pau vai e vem folgam as costas. Neste caso, folgam os bolsos dos consumidores com o dinheiro a voar.
Atrevo-me a dizer que verdadeira competição no mercado dos combustíveis não temos nem nunca iremos ter. Pelo menos até à próxima mudança de paradigma, em que o mercado de combustíveis mude radicalmente (por exemplo, com biocombustíveis ou hidrogénio).
Até lá estamos entregues aos vampiros das bombas de gasolina.
