Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, março 15, 2007

Estado Malandro, Povo pelintra

Enquanto o pais se excita serodiamente por mais uma menina, neste caso o da menina raptada do hospital, que nada mais fazem que estupidificar os já de si pouco esclarecidos nativos há vários assuntos que escapam ao mainstream de discussão nacional.
Ontem durante o almoço disse-me o dr. AOC que "n assuntos" merecem posts, e com toda a razão mas que este pais é um fartar de vilanagem e portanto para que?

Para que nos preocuparmos com a propaganda que passa nos media encapotado de notícias, para que escrever dos pequeninos episódios que lemos e vemos quotidianamente e que ilustram que Portugal está a resvalar para um salve-se quem puder no qual o Estado é o primeiro a ser o primeiro "malandro de bem".

Malandro de bem é uma expressão muito sem graça, bem sei contudo de bem porque promete habitação, saude, educação, segurança, paz etc... e malandro porque não há nenhum compromisso de perenidade com cidadãos e é o pais governado por fogachos conforme a cabeça ministerial ou primeiro ministro do momento. A diferença é somente a da gordura do bovino, uns em tempos de vacas magras outros nem tanto, o resultado o costumeiro agravar fiscal compensado por serviços sociais que servem para cada vez menos e custam cada vez mais...

Em Portugal a resignação é sempre um sentimento difícil de interpretar, tudo porque Luis de Camões, em fim de período de vacas gordas criou o "Velho do Restelo", permitindo a todos os reis e ministros bem intencionados e de espírito "reformista"sejam vistos como profetas do progresso, quando a experiência histórica demonstra que quanto maior é o animo de mudar, fazer, modernizar etc... pior ficará o Pais no final e possivelmente endividado até à geração seguinte.

Contudo o libelo é fortíssimo, os que como eu preferem um pais mais avançado em termos cívicos e com uma expectativa de Estado Social realista com o desenvolvimento e possibilidades do pais são logo apelidados de Velhos do Restelo, Salazarentos, amantes do Portugal pequenino, enfim the Works...

Esses merecem de resposta que D. João II ou o Infante D. Henrique não prometeram o "Choque dos Descobrimentos", ou 150.000 empregos na construção de naus, ou cursos de Indiano desde a 4ª Classe, pelo contrário não venderam ilusões mas sim trabalho, suor e lágrimas. Não me ocorre nenhuma das ilustres figuras ter dito “especiarias para todos” ou outra promessa qualquer. Pelo contrário tinham uma meta dificílima a atingir e alcançaram-na com muitíssimo esforço e ao custo de muitas vidas.

Pelo contrário os ignorantes, sabichões ou outros vendem ilusões seja aqueles que infelizmente pouco ou nada têm, ou pior ainda fazem promessas de recompensas à custa do Estado ou seja dos contribuintes que caem na malha na extorsão fiscal. È notório quase todos os políticos pós 1974 criaram este engano que é mantido com crescente dificuldade e à custa dos de sempre.

Continuamos, e em Democracia especialmente a viver, numa lógica estatal da recompensa é assim que o pais é governado, as reformas, mudanças etc... são sempre feitas em nome de benefícios palpáveis num qualquer futuro distante, num mandato de governo ou outra coisa qualquer. É isso o que o povo quer e é isso que lhes servem há 30 anos, a crescente desconfiança dos políticos deve ser vista a esta luz e se o povo se fartou deles é porque prometem e não cumprem. Pois é mas o erro está aí, o Zé anda aí de mão estendida e ouvido atento sempre à coca de uma borla, um almoço grátis, uma t-shirtzinha, uma pontezinha, uma coisa qualquer. Os Zés deste pais não clamam por reformas, seja por nata desconfiança seja por saber que o que “o dia seguinte é sempre pior que o de hoje”, seja por terem a inelutável convicção de que as promessas não têm maneira de ser cumpridas...

Contudo persistem e persistem, e votam nas SCUT’s grátis e nos 150.000 empregos e nas promessas mais baratas tudo claro, não pensando nem por um segundo no bem comum da nação ou da próxima geração mas sim em obter para seu egoísta benefício uma alcavala qualquer.

O pais têm os políticos que merece e o status quo é aquele que nos últimos anos se andou a preparar, eu só não entendo porque não há ninguém com um mínimo assomo de coragem para o dizer e pior ainda que persista no modelo que só poderá conduzir um dia, não muito distante a um final triste...Até lá caros contribuintes é um fartar de vilanagem como o são os negócios em volta da OTA, com referência aos seus terrenos, os de lá e os da Portela de Sacavém...

Etiquetas: , , , ,