Episodios do quotidiano nacional
Epísodios vários são merecedores de atenção na nossa coluna:
i) Birras de Ex-Soba
Nada como o destilar de um velho ódio. Sejamos honestos Cavaco e Soares odeiam-se é um caso figadal, Cavaco enfrentou a encarniçada "força do bloqueio" de Soares cujos resultados estão ainda para se perceber. Mais ainda, Cavaco o menino bom do campo (elogio para o Algarve) foi enganado pelo "batidão" da cidade, o melífluo Soares que aproveitou a bem intencionada vontade reformista de Boliqueime quando lhe interessou e soube com inteligência conduzir o PS ao governo em 1995. Alias como Sampaio em diferentes circunstâncias em 2005...
Contudo, os invios caminhos dos estreitos corredores da política portuguesa são assim, ora se está em S. Bento, ora se está em Belem, e em Belém não se prestam contas a ninguém. Cavaco entendeu promover um evento para discussão à porta fechada sobre a Europa. Soares ficou fora, não por ser Soares, mas por não constar do critério adoptado pelo Soba de Boliqueime. Resultado, birra jornalistica com apoio dos acólitos de ambos os lados. Pois é as Repúblicas Bananeiras com PR's de poderes completamente idioticos têm de isto, os PR's antigos são algo inconvenientes, Soares duplamente. Num pais africano a coisa resolvia-se de uma de duas maneiras, primeiro o Soba só deixa de o ser quando morre, segundo o ex-Soba têm vida curta desde que abandona o poleiro, especialmente se continuar a habitar no seu Pais. Por cá os usos são mais brandos e fazendo jus ao ideário republicano, pior que termos que gramar com o PR em funções é gramar a galeria dos ilustres que foram já eleitos e que são figuras de prateleira com ar respeitavel. Por estes motivos, viva a Monarquia, mas continuando...
A birrinha de Soares nada têm de respeitavel e têm somente como intuito reeditar o velho conflito e odiozinho de estimação entre estas duas grandes figurinhas do Portugal moderno. Pois claro os convites de Cavaco são noticia mas as escolhas de Sócrates...essas são para a segunda linha de discussão...
ii) Roncos de Santana
A comunicação social nativa abusa da nossa inteligência, não me refiro à bela e o mestre, aos programas informativos nem aos debates do Prós e Contras que hoje prometem uma estupada técnica que assentará em meia dúzia de Srs. Engenheiros (à séria!!) a trocarem piropos sobre aluimentos de terras ou coeficientes de segurança ou seja o que for. Mas enfim, a mórbida atenção dispensada ao Dr. Santana já farta, alias fazendo jus a tese aqui já plasmada de que a cada momento de desgraça de Sócrates lá vem o Dr. Santana, esta semana foi este mais uma vez banhado com os holofotes do mediatismo que tanto lhe aprazem. Noutros tempos ignorado por medo ou por ser populista, qualquer intervenção de Santana, mesmo na humilde qualidade de deputado serve para ilustrar a falta de alternativas a Sócrates. Seja por Mendes não se descolar de Santana, seja por este ser ainda forte alternativa.
Pois é andam a gozar comigo...Pessoalmente, e eu levo a coisa a peito, ando farto da mediocridade jornalistica e das campanhas de imagem fracamente encapotadas levadas pelos auxiliares do governo e de Sócrates. A complacência com a qual o governo e tratado e a oposição impiedosamente tratada, alias como se fosse da oposição que as coisas andam mal ou algo assim... A estratégia irá cair quando a realidade de impuser à propaganda, o que com o arrastar do mandato se vê que será para breve.
iii) Mais vida para além do deficit?
Alguem se lembra desta genial expressão do homem de que deu o dito por não dito segundo Santana? Poucos, o deficit e já aceite como desígnio nacional, uma especie de Quinto Império socialista. Pena que não questionem o Dr. Sampaio sobre estes assuntos, mas também qual é o interesse de ver figuras pouco crediveis a descredibilizarem-se mais... Nenhum mesmo, mas continuando, parece que o governo reviu em alta o deficit, menos 0.7%. Uma vitória, bem urdida na comunicação social do regime, motivo, a receita fiscal superou bastante as previsões, claro que o estado continua a gastar mais com despesa primária mas isso pouco interessa, a tirânica administração fiscal está a vencer a luta contra a prevaricação e todos nos pagamos para que todos paguem menos, ou pelo menos é isso o que a verve governamental vende.
A verdade é que o deficit foi inferior porque o Estado "se esticou" um pouco na cobrança e no aumento fiscal. Lembram-se daquele homem que não ia aumentar os impostos? Pois já ninguem se lembra mesmo e ninguem quer saber, pois o estado gastador, desperdiçador e prestador de serviços ronceiros continua alegremente a gastar mais, mas também a cobrar mais aos seus cidadãos,a pedir um bocadinho mais e a dar um bocadinho menos... Tudo em nome do socialismo e da justiça social, eu cá digo...«há mais vida para além do deficit», e que o monstro ainda aí anda e andará... 2007 ano do flop do PRACE...Reformas por um canudo e bluff só na propaganda...
iv)Canudos
O Engenheiro Sócrates têm um canudo resmenga, de uma universidade resmenga, com uma média resmenga e processos administrativos obscuros. Espelho da alma de um pais diram alguns. A história não seria triste se não vendessem o dito engenheiro como o espelho do portugal moderno e o salvador do pais. Sobre o CV do Engenheiro já aqui escrevemos que para além da trica de cassique lá pelos PS's das Beiras primeiro e depois de Lisboa, que nunca trabalhou fora da política etc... O recente episodiozinho do seu canudo lembra somente que a propaganda têm vida curta quando exacerba realidades que nunca foram... Mas enfim quem se espera que esreva sobre isto, para além de meia dúzia de desalinhados colunistas (vide espetacular artigo de Constança Cunha e Sá de há 2 semanas)? Ninguem, ou dos letrados licenciados em comunicação social é de esperar algo mais?
Pois também não acho...
v) Grandes Portugueses
António Oliveira Salazar venceu com 41% o passatempo. Giro foi o programa de ontem, que teve direito ao missal habitual comunista de Salvadores do Regime e defensores da Liberdade etc... Felizmente não vivemos há 20 anos e a hegemonia cultural vermelha está já bem mitigada, para não dizer de forma acre fora de prazo. Os urros e gritos de Odete Santos que ressoaram como hinos de justiça popular são hoje vistos com desdem, para não dizer ridículo e a espontaneidade das massas que louvam Cunhal deixa a desejar. Os apelos ao voto útil foram ridículos,e fieis ao espírito do regime, voto útil para tudo que nada mais serve para perpetuar os inúteis habituais, PS PSD ou outros ainda piores. Tudo isto em nome da salvação nacional ou outros motivos quaisqueres. É risível para não dizer tristíssimo para todos menos para os que engordam com o estado de coisas.
A vitoria de Salazar assusta pois surge enquadrado como um voto de protesto pelo status quo, mas também e mais ainda porque se a história do portugal dos ultimos 40 anos for vista à lupa séria talvez se veja o papel branqueado do PCP na destruição de Portugal, ou que as coisas não são como as pintam desde sempre. Não deixa de ser engraçado que em momento de tremenda corrupção e falta de moralidade na vida pública nacional se escolha um homem austero e apegado a uma moralidade propriamente sua. Escrevia o AOC que Santa Comba levou a melhor sobre o Seixal, e eu acrescento que também sobre a "moderna" Lisboa dos inícios do século XX foco de endémica instabilidade da Primeira República que foi endireitada pelo filho de caseiros da beira educado em seminário... Digam o que disserem mas os portugueses gostam pouco de liberdade, antes preferem o professor, o dr. o polícia ou alguem que ponha alguma ordem nos lusos gentios, aconteceu com Salazar, e hoje com a Europa, esse desígnio luso como o deficit...
Pior ainda é que fruto do branquemento histórico aos últimos 90 anos de Portugal foi o passado difuso, obtuso e torto que prevaleceu sobre os dias de hoje, é engraçado? Não é mesmo é ignorante à décima casa. Duvido que 100 portugueses consigam ter uma opinião inteligente do Estado Novo ou seja ponderada e lúcida, mas também crítica e sem pudores ideológicos... Até lá festeje-se a vitória do Professor. Se ganhasse Cunhal estariamos hoje a debater a sua coerencia ou outra coisa qualquer elogiosa sob a batuta da camarada Odete... Uma coisa é bem certa, os portugueses não sendo grandes amantes da liberdade também não gostam de totalitarismos, antes preferem bandalheira como hoje ou o calmo respeitinho. São estes o yin e yang conflituantes dentro da cada português. Prevalecente somente a ignorância dos dias de hoje...
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