Tom and Jerry e o pecadilho do tabaco
Em tempos, os nús de Miguel Ângelo tal o sentiram, as culturas romana e grega (mais a posterior bárbara) também, e chega agora a altura de ajustarmos contas com os ícones do nosso tempo.
Depois do cigarrinho do Lucky Luke edo charuto do Winston Churchill, chega agora a vez do Tom and Jerry sofrerem na pele (na fita) uma revisão actualista dos seus desenhos animados. Sim, porque aparecer tabaco num desenho animado criado há trinta ou quarenta anos é um escândalo (já a violência dos mesmos desenhos animados passa despercebida...até quando?)!
É simplesmente ridículo. Lembro-me perfeitamente de ver esses desenhos animados em miúdo e a existência do tabaco neles em nada modificou a minha postura quanto a este. Postura essa que continua a ser a de enorme distância e repúdio, excepto da ocasional cigarrilha em social.
A continuarmos assim amanhã será o cigarro do James Bond (Sean Connery), o farto bigode do Rei D. Carlos, o Tio Patinhas e o Pato Donald por causa da gripe das aves ou as matanças de animais selvagens do Tintim no Congo a serem "corrigidos" a bem dos valores hoje em voga na nossa sociedade. E mesmo este último exemplo, na primeira edição escandinava a cores, as pranchas em que o Tintim mandava pelos ares um rinoceronte com dinamite foram alteradas.
A sociedade aceitava como naturais na altura da criação do Tom and Jerry as referências ao tabaco. Não nos cabe a nós, só por acharmos inconveniente na actualidade referir esse produto na televisão, lançar mão do lápis azul e modificar algo que é, na realidade, uma obra de arte produto do pensamento geral de um determinado momento histórico.
Tenham juízo!
PS: Esqueci-me dos desenhos animados nos Simpsons que o Bart e a Lisa adoram ver. Também estes não deverão resistir à censura do passar dos anos.
