Nota Civilizacional (Solta IV)
Continuando a brevíssima análise das ideias de força da obra a Queda do Império Romano, dá no capítulo final do mesmo o autor a sua visão pessoal do final da civilização romana e subsequente transformação. Vejamos pois que a palavra civilização não é usada levianamente e muito menos por capricho ou acaso, pelo contrário a palavra civilização é algo que infelizmente se encontra arredado do léxico comum e das cabeças pensantes do nosso Império Europeu.
A civilização romana terminou a partir do momento em que implodiram as estruturas políticas e militares do império, contudo limitar o fim de uma civilização a isto é reducionista e limitado. Civilização é um conceito diferente, abrangente e mal compreendido hoje. Começa o autor, por complexo de dominação europeia e do mundo desde 1498 a 1918 a afastar o conceito de superioridade civilizacional que hoje não nos permite sem "complexos" falar de civilização ocidental ou europeia.
O que é para Ward Perkins a civilização romana, é o todo complexo de valores, forma de vida, estrutura familiar, relacionamentos sociais, vivência comunitária, cultura e literatura, artes, construcção, etc. Este modus vivendi representa precisamente o que distingue um europeu de um oriental ou um romando de um membro das tribos germanicas.
Foi esse modus vivendi que se alterou e, ao contrário do conceito de civilização que exige perpetuidade e continuidade, este foi minguando e alterando-se por forma a ficar descaracterizado e adulterado. Confortos, relações sociais etc...
Civilização, eis um conceito precioso, ontem hoje sempre, a civilização é um estado de coisas que tolerando alterações e reformas, rupturas e mudanças se mantém constante e se perpetua, mudando-se os tempos não se mudam as bases mínimos que aglutinam. Civilização é pois continuidade, manifestações prácticas, monumentos, obras musicais e literárias etc... Por exemplo aos templos romanos, estruturas e monumentos seguiram-se os seus congéneres germânicos, diferentes e que muito embora partilhando um crescendo de influências comuns que se atenuam crescentemente com o a fusão de um povos nos outros mantem sempre a traça comum civilizacional e que nos induz ainda hoje a mencionar os bárbaros por oposição aos romanos, os europeus aos orientais ou aos povos ameríndios etc...
Transpondo aos dias de hoje, que perenidade civilizacional queremos passar aos nossos descendentes? Que legado?
Não me refiro ás manigâncias quotidianas, mas a um estado de coisas. Que valores e vivências se querem passar para o futuro, a liberdade e responsabilidade individual ou a submersão de um indivíduo em sub culturas ou em grupos como "emigrantes","negros","amarelos","brancos" etc... Que pilares estruturam a nossa sociedade e que interessa perpetuar ad eternum, a família homossexual ou lesbiana? A criação de classes parasitárias como os que comem do estado social, a cultura de injustiça ao se criarem cidadãos de excepção que respondem por critérios de justiça diferentes etc...
Felizmente mudou-se o paradigma de conquista ou subversão das outras civilizações ou a peregrina ideia de levar a "civilização" aos outros, preferencialmente na bainha da espada, contragosto sobre os indígenas.
Igualmente o choque de civilizações é um falso paradoxo uma vez que nós não vemos as civilizações orientais a lutarem entre si pela democratização ou pela tolerância, o mesmo se aplica aos povos do médio e extremo oriente, não o que crescentemente vemos é uma ofensiva militante de membros que partilhando o nosso espaço, não desejam aceitar os nossos valores civilizacionais, sejam as minorias muçulmanas ou outras....
Creio que gostemos ou não os povos que vivem dentro do nosso império sabem e escolhem criteriosamente os valores civilizacionais que decidem aceitar, a liberdade individual, mas não a da mulher, a liberdade religiosa strictu sensu, ou seja que todos ou tenham a nossa ou mais nenhuma, a liberdade de expressão mas é proibido questionar os mullah's ou outras vacas sagradas, a tolerância societária e vivência comunitária mas somente dentro dos guethos que os próprios criam e gostam de viver, a protecção das minorias por forma a oprimir e causar uma sensação de culpa sobre todos os outros etc...
Como foi dito, não é fora do nosso império, mas sim dentro de portas que o nosso mundo se encontra sob ataque, sob a forma de adulteração de acomodação e de criação de privilégios morais, legais ou outros fruto da nossa descrença militante enquanto europeus.
Aproveitando o Dr. Aoc, este é o meu post estrutural!
Acreditamos na nossa civilização? Gostamos da nossa maneira de viver?
Se sim, porque não a perpetuamos, em vez de a mitigar aos mundos de outros ou a uma tolerância que relativiza crescentemente tudo causando nada mais que um nilistmo ou cepticismo descrente em relação a tudo?
