Maurice Thorez
Conhece o leitor esta figurinha da história francesa?
Até á leitura do livro Paris e a Libertação 1944-1949, de Anthony Beevor confesso que eu muito pouco, Thorez foi secretário do Partido comunista francês desde a década de 30 até aos anos 50. Não só foi uma das figuras da Frente Popular, eleita em 1936 como teve diferentes papeis activos no mencionado período, considerado um traidor e vendido foi um dos que pôs a França num caminho activo rumo à ditadura comunista, no período em que intelectualmente o comunismo estalinista tinha um poder de fascínio sobre parte dos intelectuais e artistas franceses, veja-se oo caso de Sartre, Vercors e Curie, Picasso e outros que claudicaram de sua forma ao monismo partidário estalinista.
O Período em causa é fascinante, Thorez é uma criatura que leva um percurso interessante, com a vitória alemã sobre a frança em 1940 Thorez de forma canina segue as indicações de Moscovo e adopta uma política de low profile e mesmo de obediência para o "boche nazi", motivo clarissimo, o Pacto Ribbentrop Molotov de 1939 que dividiu a Polónia numa partição somente comparável ao Inferno de Dante, entre a Alemanha Nazi e a URSS Comunista. Sendo que de Moscovo os ventos eram de não afrontamento, mais uma conquista de França pela Alemanha em 1940 levou o PCF (Partido Comunista Frances) a patrioticamente ter uma atitude cooperante com os Alemães.
Thorez, tomou posições públicas que foram largamente difundidas em França, de apoio ao novo status quo. Thorez, em 1941 desloca-se à URSS, onde se encontra com o início da operação Barbarrosa, em Junho de 1941. Manipulado por Estaline, passa a ter o PCF a histórica e hercúlea missão de resistir ao ocupante nazi, criando um dos mitos franceses do pós guerra, muito semelhante ao dos autócones no 25 A, mascarando uma traição e subserviência nunca antes vista desde tempos imemoriais, ou seja que o PCF estalinista foi cooperante com a ocupação.
Nasce pois a Resistência comunista, cujo nome imaculado resulta da já conhecida pauta de música, o heroismo contra os nazis, a coragem contra tão formidável inimigo, os actos de insurrecção míticos etc... Já se conhece a máxima, exagerando o inimigo os nossos feitos parecem mais heroícos, o mesmo sucede com a temível máquina repressiva salazarista, sendo o acto corajoso de ler o avante uma ode à liberdade, caro leitor que perdoe o excurso mas o único olho digno de leitura do Avante é o que anda tapado boa parte do dia...
Virando a marreta para a história de Thorez, em momento posterior a Libertação de França, previsivelmente os comunistas tornam-se senhores da verdade cultural e histórica, provendo saneamentos e julgamentoss, campanhas de calúnia e mesmo conduzindo assassinatos selectivos a torto e a direito por forma a aproveitar a oportunida de histórica dada pelo final do regime de Petain e dos colaboracionistas. Tomou também o PCF o monopólio da cultura e dos valores embarcando tudo numa linha de ortodoxia vermelha, que tal qual uma maré engalfinharia tudo e todos à sua passagem, senão pela força do número, ,pela força nas ruas, mais uma repetição de '74 cá da terra.
Thorez e seus sicofantas promoveram não só greves e rupturas, mas também colocaram a França à beira da guerra civil ou de um golpe de esquerda ou de direita. Felizmente do Kremlin o temor pelos americanos e britânicos exclamou sempre mais alto, colocando sempre em linha baixa de prioridades o PCF francês, uma vez que Estaline queria mão livre na Europa Oriental, não sendo altura de actuar abertamente na Europa Ocidental. Thorez pautou a sua linha sempre pela obediência a Moscovo, mesmo sobre o interesse de Estado da França, seu país.
Assim se vê, como são os do PC! O nosso cunhalito, mutatis mutandis pouco mudou.
Saudações ao PT, seja benvindo e desejam-se mtos post'S!
