Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, agosto 09, 2006

Líbano, Líbano, Líbano

Inicio a minha actividade neste blog com um pequeno excurso sobre a actualidade internacional (que neste mês de Agosto se resume também aos fogos na vizinha Espanha), em particular a guerra no Líbano.

A título de confissão prévia, informo que não tenho partido tomado sobre esta matéria, nem pretendo vir a ter a curto prazo. Para já trata-se de uma guerra que a nós (europeus) não nos diz directamente respeito. A seu tempo veremos se nos virá a dizer e de que maneira.

Posto isto, informo também que deixo de lado quaisquer considerações sobre a vantagem moral de cada um dos lados no conflito. Seria um exercício inócuo e irrelevante peneirar os argumentos que de parte a parte suportam as linhas oficiais.

Assim cumpre olhar para o conflito que dura há quatro semanas com algum distanciamento e pensar que posição apoiaria caso fosse israelita ou libanês.

Tenho a dizer que se fosse israelita iria apoiar as medidas duras tomadas contra o Hezbollah de forma a defender a integridade e os interesses do estado a que pertencia.

No entanto, colocado na pele de um libanês também tenho quase a certeza que defenderia o Hezbollah enquanto compatriotas que lutam contra quem ataca a população civil.

Não é estranho, portanto, que a opinião pública de ambos os países suporte massivamente ambas as posições no conflito. Não vemos em Israel fortes manifestações anti-guerra como ocorreu em 2003 no Reino Unido ou nos Estados Unidos. Não vemos no Líbano o Primeiro-Ministro ou os restantes grupos étnicos não-xiitas a exigirem o desarmamento do Hezbollah, muito pelo contrário.

Este cenário pressagia um endurecimento de relações entre vizinhos habituados a não conviverem pacificamente e uma necessidade de a resolução deste conflito vir de fora.

Por fim, e para não alongar o texto, regresso ao início, em concreto à questão da tomada de posição. Por enquanto vai sendo possível manter esta análise equidistante da guerra do Líbano e a confortável posição de não comprometimento. No entanto, caso a situação se agudize e alastre, a Europa terá de identificar com qual dos lados tem maiores afinidades (mormente históricas) e ainda que com alguma azia, apoiar um determinado lado.

A resposta é fácil.