Notas Soltas III
Leituras de Verão.
Profícuas que foram as diversas leituras de Verão, salienta-se "A Queda de Roma" de Brian Ward Perkins (ed. Altheia). Num livro interessante e aproveitando os paralelos aportados pela economia complexa do império romana demonstra-nos o autor que o fim do império romano no Ocidente não foi o "passeio" que muitos julgam e que a benevolência das tribos germânicas não é a que muitos autores recentes querem fazer crer.
Curiosamente segundo o autor as explicações para o final do império romano são diversas e variadas, conforme as épocas históricas em que foram formuladas. Em momentos de conturbação europeia estas tendem a ser mais caóticas com a clássica imagem das hordas bárbaras com Átila e outros à frente de um enxame de cavaleiros, decepando cabeças à torto e a direito. Por outro lado em momentos de maior euro-harmonia estas tendem a ser mais benevolentes, apontantando para uma coabitação pacífica entre os povos, vencendo pela força as tribos germânicas ao mesmo tempo que rapidamente se "romanizam" estas, vencendo-se aos confortos do império.
Pois, nem uma nem outra... Em jeito de síntese, traça-nos o autor um interessante paralelo entre certos produtos como a cerâmica, as telhas ou a moeda e a habitação conjunta entre as tribos e as populações romanas. Sem espanto constata-se que o império era uma civilização extremamente avançada no sentido em que sua economia era complexa e que desta complexidade resultava que à "classe média romana" estavam acessíveis bens de consumo variadíssimos e que a vida era confortavel, em moldes bastante semelhantes aos de hoje, água, calor, tecto e boas acessibilidades eram apanágios do império, até aí nada de novo, todos conhecemos a opulência dos Imperadores romanos e dos patrícios, contudo esta era tranversal a toda a sociedade.
A mencionada economia complexa concretiza-se não apenas nas trocas serem em moeda maioritariamente, mas também que da interacção comercial entre as diversas províncias resultava prosperidade e qualidade de vida, o escoamento de produtos era normal, pressupondo isto não apenas a rede de transportes, mas também segurança e logística, registos e etc...
Fruto do mesmo, a queda do império como estrutura política e militar dá-se fundamentalmente por dois motivos, em primeiro lugar as fractricidas lutas pelo poder em roma e inerentes guerras civis e em segundo lugar a erosão da base tributária, fruto de penetrações "bárbaras" dentro dos muros que serviram fundamentalmente para destruir a estrutura administrativa, serviços como a cobrança de impostos que sustentavam as legiões são o exemplo.
Continuando a incursão pela obra, sustenta o autor em diversas evidências o apagamento do império e da sua economia complexa, ilustrando em comodidades como o acesso massificado a bens de consumo ou a recipientes descartáveis (ânforas) ou outros como os standarts de vida baixaram e os confortos minguaram.
Para a próxima nota solta terminaremos a análise da obra, especialmente no tocante à parte axiológica ou civilazacional do império...
Para lá remetemos o climax da obra!
