Dor de cotovelo
O suplemento o Dia D do Público de hoje convenceu-me da actualidade do tema. Nesta revista encontramos um artigo sobre a recente moda editorial dos livros de economia para massas, ou ditos de economia popular. O livro de Hartford enquadra-se nesta corrente, lado a lado com Freakonomics de Steven Levitt.
Em ambos os livros algumas situações do quotidiano diário são analisadas do ponto de vista da racionalidade económica mas de uma forma acessível ao grande público. Por outras palavras a ilustre Economia dá-se ao luxo de abandonar o Olimpo das Ideias (e das bafientas cátedras universitárias), cometendo o pecado de se rebaixar ao mundo real. Quando ouvimos falar na crescente alienação entre universidades e a vida no exterior, esta deve-se, precisamente, à incapacidade das mentes brilhantes das mais diversas áreas do conhecimento em transmitir o saber à generalidade da população. Quem não tiver sido aluno de licenciatura de um professor excelente investigador/péssimo explicador que levante a mão.
Ingenuamente pensava eu em tempos, que a pequenez da trica académica era fruto e consequência da aridez dos livros de Direito. Recentemente descobri noutras áreas a inveja académica a fazer parte do plano de curso (e de vida) de qualquer investigador.
Nunca tinha reflectido (mea culpa) sobre a possibilidade desse vírus ser inerente a qualquer academia. Felizmente que o artigo de hoje da D me dissipou qualquer dúvida. Ao ler as opiniões de três luminárias nacionais (encarreiradas no estrangeiro) sobre o livro de Hartford, fiquei feliz por reparar na subtileza dos comentários que escondiam farpas carregadas de veneno, tal e qual como na análise a uma qualquer tese de mestrado ou doutoramento em Direito.
Ou seja, lá como cá, quem obtém o sucesso ou o reconhecimento público está sempre sujeito aos disparos de snipers.
Aguardo, sem entusiasmo, diga-se, que qualquer uma dessas três iluminárias produza uma obra legível por pessoas inteligentes de outras áreas e não apenas por doutorados em economia.
Naturalmente termino recomendando a leitura dos dois livros, em especial o de Hartford.
