O futuro está no CDS/PP
Eu sei que este título vindo de um "laranginha" dos tempos cavaquistas soa mal, e provavelmente até a falso. Mas para ser completamente sincero, julgo que é chegada a altura de um post estrutural.
E porquê agora?
A razão é simples. O panorama político que se apresenta ao eleitorado é demasiado seguro. Desinteressante. Diria mesmo apolítico (será possível??). O fim da linha.
Retirando desta equação os partidos à margem do sistema, que sabem que nunca serão governo, enquanto o povo tiver dois dedos de testa, os três partidos que restam ocupam, em condições normais, cerca de 75% da votação eleitoral. De entre esta percentagem temos a votação dos maiores partidos de governo - PS e PSD.
Ambos disputam o centro. Sempre o fizeram e continuarão a fazer. Actuantes do centro, a favor das forças de mercado, de uma economia privada, de uma classe média consumista motor de uma economia virada para os serviços e para o turismo.
A diferença entre eles foi o papel do Estado. Gastador, despesista, demasiado social e fornecedor de despesa com pessoal no caso do PS. Estado investidor, com preocupações sociais e de renovação do caso do PSD.
E chegamos aos dias de hoje. A situação que temos é o resultado destas políticas. Ora a manta segue para a esquerda. Ora a manta segue para a direita. No fundo fica sempre no centro!
O estado como o conhecemos terá de necessáriamente morrer. Ou por causas naturais ou por decapitação!
Aqui está, no meu ponto de vista, a solução para o CDS/PP ( e para Portugal).
Quando este partido foi criado, foi criado por juristas da escola de Marcello Caetano, democratas com sentido de Estado (como era Marcello Caetano, embora queiram fazer passar outra imagem, nos nossos dias) que tiveram a preocupação de chamar a si as boas pessoas do anterior regime, e reabilitar uma mensagem para o Portugal democrático. Uma mensagem de centro.
Ao longo da sua história, e por não haver espaço para um outro partido de centro, o partido foi caminhando para direita. Empurrado!
Alguns dirão com alguma verdade, que nunca foi de direita, antes teve posições de direita. Contra a Europa. Contra o Federalismo. Contra a PAC. Contra o desinteresse nos PALOP.
Defensor de causas sociais, embora não exclusivamente de causas sociais, o Partido cresceu quando apostou em eleitores marginais e causas esquecidas. Os Ex-Combatentes, os reformados. os Anti-Europa.
No entanto e chegado ao governo viu-se aquilo que o CDS/PP pode ser: um partido integro, composto de pessoas competentes, com visão estratégica do país, uma visão ideológica.
Quando digo ideológica, muito pensarão nesta como uma visão indesejável e de evitar.
Não posso estar em maior desacordo. Portugal precisa ao fim de 30 anos, de um partido com uma sólida base ideológica, alicerçada na figura de um lider carismático, competente e com visão.
Inegávelmente, essa pessoa não pode deixar de ser Paulo Portas.
Podemos não gostar do estilo, das coisas que diz, da maneira como o faz.
Mas o que é facto é que ninguém, nos últimos 20 anos fez aquilo que prometeu, não defraudando as expectativas criadas sobre si. Apostou num partido com pessoas, com ideias, com projecto global.
Foi o primeiro a colocar a Ordem como função principal do Estado. A falar da importância dos reformados, em todas as suas vertentes. A falar da importância dos valores. Da defesa do Estado. De uma liberalização das relações laborais e de segurança social.
É um facto que perdeu nas urnas. Em condições ainda por explicar. Mas perdeu.
No entanto, é meu entendimento que Paulo Portas está destinado a ser Primeiro Ministro. Ou de um partido novo, criado da junção de parte do PSD e do CDS/PP, ou (mais dificil) do CDS sozinho. Este último caso talvez seja demasiado optimista, confesso. Mas acho que merecia.
O que lhe falta? Falta-lhe força nas ruas... militância. Falta-lhe apoio jornalístico, falta-lhe presença mediática séria e competente.
E sobretudo. Falta defender o fim desta Constituição. Fazer esta a principal prioridade. No principio e fim de todas as conversas. Contra tudo e contra todos. Penso que para este fim é preciso, de modo definitivo, fazer uma aliança com o PSD.
Mas isso são outros trezentos...
Esperemos que o filho pródigo volte com ideias e energia! Muito ainda há por fazer!

Depois de tanto conviver com o subscritor deste belo post, muito surpreendida fiquei ao constatar tão fulguroso apoio a Paulo Portas! Mas para além de surpreendida, posso dizer que fiquei igualmente contente! De facto, é raro encontrar quem saiba apreciar a coragem, a determinação e a solidez de alguém que, apesar de constantemente criticado, manteve o rumo que traçou em consciência. E ainda bem que esta pessoa rara é alguém que eu amo tanto…
Quanto ao desejo de ver Paulo Portas (ou alguém como ele) chegar a Primeiro Ministro, não sou tão optimista! E quanto a uma aliança com o PSD, ainda menos! De qualquer maneira, a esperança é a última a morrer… e se Paulo Portas já teve o meu voto, seguramente que, se o quiser, o terá novamente!
Maf
4:22 p.m.