Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, agosto 24, 2006

Só se serve um mestre!

Indignam-se ou louvam a atitude do PCP no caso Carlos Sousa, elogiam ou não conforme as inclinações da hora a acção tomada pelo ex-edil de setúbal. Os comentários os do costume, ou o compromisso dos autarcas com o seu povo e populações dado o vínculo estreito entre ambos, ou a dignidade do mesmo face ao réprobo julgamento do Partido e da IGAT etc e tal conforme o caso.

Sinceramente não compreendo a emoção ou comoção de muitos, este episódio, à sua escala foi somente mais um de uma longa senda vermelha de que os comunistas devem a sua obediência não ao povo, não à democracia e princípios que esta representa, não a nada mais que não seja o partido e promanação de vontade do mesmo, mais nada. Aproveitando o aforismo, só se serve um Senhor e este é o Partido.

Pouco me interessa discutir o bom timing político ou o facto do caso ser exemplar por contraste ao de Fátima Felgueiras ou outros, pouco me importa, a verdade é que num ponto muito singelo reconduz-se tudo ao facto de ser conveniente ao partido e seus interesses. Assim se vê a fibra do PC, nada de novo, dos militantes obediência, cega, acrítica e servil. Dissidências no pensamento proveniente da cúpula são reprimidas, o bem estar das populações, mandatos democráticos, compromissos ou a legitimidade do catgo, nada disso poderá entrar em choque com a linha do PC.

Do autarca, merece somente a palavrinha do líder, elogios de grande comunista, homem de causas, é um grande homem e ainda maior pelo que fez, a típica hipocrisia vermelha que sob chavões ou palavras ocas disfarça as crueis e tristes realidades que gente daquele credo acredita. O Partido dispõe do autarca, o homem, a liberdade e sua intenção são esmagadas contra o monismno dos orgãos partidários, mesmo que o partido se engane, cabe aos orgãos colectivos julgarem-se a si próprios, não ao indivíduo... Daí que como foi aqui escrito antes com Thorez, o bom vermelho é o que serve sem questionar e sem pensar, obediência e seguidismo, eis os estribos da existência individual, a masssa e o indivíduo...

Desconhecendo as ambições futuras de C Sousa, creio profundamente que qualquer eleito deve obedecer em primeiro lugar aos compromissos que assumiu e à sua consciência, só depois aos ditames de máquinas partidárias ou outros orgãos colectivos quaisquer!

O fenómeno de Setúbal não causa pois estranheza a quem leia e veja o PC como ele é, uma máquina partidária com uma lógica especialmente perversa que nega o personalismo , a democracia ou a liberdade individual em detrimento de um partido de homens mas com dogmas sacrossantos e acima de crítica!

Terminando, não entendo como um ideal destes poderá causar a menor admiração, encorajamento ou poder de atracção sobre qualquer pessoa que tenha "dois dedos de testa" e preze a sua sanidade mental e individualidade. Carlos Sousa é somente mais um cordeiro do Partido, que se sacrifica em nome de um ideal vil, torpe putrefacto e abjecto!