Escolhas...(Plágio!!)
Aproveitando o mote dado pelo meu caríssimo amigo AOC, seguimos no tema por este lançado que por ser interessante merece que se maçe o nosso bom leitor com o mesmo. Parece que andam para aí uns iluministas inspirados que ao abrigo de nada e mais um pouco põe em causa valores e posições que devem ser tidas como indiscutíveis. Referimo-nos claro ao problema das relações transatlânticas e da intervenção iraquiana e da qual a crispação resultante se deve principalmente ao Sr. Chirac.
Mas ao Sr. Chirac lá iremos mais tarde...
Parece que as luminárias iluministas se arrogam de uma superioridade moral enorme em comparação a nós, pequenos marretas e filhos da melhor tradição política internacional, a escola realista construtivista. Mas, em honra ao mote do presente blog, partamos para a crítica tendencialmente destrutiva, os iluministas, filhos de Montesquieu e Rousseau vêm o Mundo com os olhos da razão, que o homem é um ser racional e que tende, independentemente dos valores culturais que o norteiam a ser semelhante a todos na sua busca por conhecimento, paz social e demais aspirações. O iluminista acredita no primado da razão, a razão conforme ele a molda e através da qual vê o mundo. Transpondo para a política internacional, a razão e o direito são os eixos principais da sua visão. O pensamento destas iluminárias europeias especialmente é complementado pela visão internacionalista de Kant que busca a paz perpétua entre as nações que partilhem iguais valores de paz e prosperidade.
Obviamente que aos olhos dos filhos da razão fora do direito e da paz só pode haver fome e guerra, que o direito internacional é o garante da estabilidade entre as nações e da prosperidade dos povos. A utópica federação de Kant corresponde a muitos dos desejos europeístas de segurança colectiva na qual o mundo obedece à razão e esta é um princípio axiológico imutável.
Que gente sem graça! No mínimo, os iluministas na sua busca pela razão ignoram a História dos povos e civilizações, ignoram a própria natureza do homem e esquecem que a conjugação entre ambas resulta que a linha da razão desde os tempos imemoriais do homem é ténue e pouco iluminada. Senão vejamos na mui iluminista europa do século XX, foram praticados os piores genocídios e crimes de guerra, não nos referimos somente ao nazismo e comunismo já que esses sãoi cliches fáceis mas falamos da Bósnia e do Kosovo por exemplo que foram praticados bem dentro da esfera de influência europeia e numa zona em que a projecção de forças da UE era tida como forte. Pois claro que a razão não se compadece com estes genocídios e trucidamentos afins, sujar as mãos nesses chiqueiros, que fique pros yankees imperialistas...
Continuando, os iluministas na sua quimera jurídica preferem criticar Guantanamos e afins, Bushismos e Sound Bytes do Grande Homem, bem como tudo o que vêm do lado de Lá do Atlântico ou do Canal da Mancha. Preferem os iluministas pregar da sua cátedra que resolver e lidar com os problemas deste mundo, com os Bin Ladens e os Assad's ou os Kim il Sungs e os Fideis, afinal de contas estes também são filhos do mesmo deus ateu iluminista.
Nos por cá preferimos uma "Pax Americana" imperfeita, na qual alguns são aliados participantes e responsáveis que uma Cátedra Iluminista na qual se ignoram que as realidades do mundo são complexas e na qual de quando em vez e com o apoio dos aliados é necessário tomar em mãos os destinos dos povos. Esquecem os detratores desta "Pax" que dormimos todos melhor sabendo que muitas vezes a vanguarda da defesa dos direitos humanos não está nos Códigos e Cimeiras Internacionais mas sim no Convés de um porta aviões. Não é um sistema perfeito mas têm a virtude de ser o melhor que humanamente se pode arranjar... É um raciocínio um pouco crú mas é assim a natureza humana.
Ao Sr Chirac voltaremos outro dia...
