Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, março 20, 2006

Auto-critica...

A auto-crítica é um dos princípios fundamentais marxistas, de um nobre instrumento o qual deveria ser praticado por cada ser humano na privacidade do âmago do seu ser este evoluiu para um instrumento repressivo e até mesmo purgativo.

Vamos por partes a "boa e sólida" teoria marxista defende a auto-critíca individual face à grupo ou colectividade como forma de se expirem males individuais pela remissão ao colectivo, fazendo esta análise, em sociedade marxista deveria o colectivo remir as falhas do individuo, tudo de forma muito socialista e igualitária devendo então depois de admitida a falha sujeitar-se o individuo ao conselho amigável do colectivo comunista, maximizando o individuo a experiência e benefício do colectivo. Este processo era igualmente uma forma de aproximar os indivíduos ao mesmo tempo que se expiam os individualismos excessivos que punham em causa os objectivos e sã vivência colectiva.

Grosso modo é este o traço geral, daí as sessões de auto-crítica colectiva que deveriam ser realizadas em todos os níveis produtivos da sociedade. Infelizmente o comunismo de livros nunca nos convenceu, nem da sua bondade teórica nem dos seus méritos práticos. A auto critíca colectiva marxista foi usada de forma vil e torpe de forma a reduzir a pó indivíduos, nada menos que escolher o elo mais fraco e lança-lo aos chaciais ou às hienas que a mando do chefe ou dos funcionários do partido se encarregavam de crucificar o bode expiatório, leia-se que o bode expiatório em caso algum seria o culpado das infames acusações que lhe eram imputadas. Normalmente estas incluiam, nos bons tempos do estalinismo «desvios direitistas e conluio com potências estrangeiras capitalistas». Uma sessão de crítica marxista normalmente significava o fim ou a deportação para o Gulag de uma pobre alma e... a sua família, se isto não nos convence da bondade do sistema pergunto o que servirà.

Vejamos pois a perversidade da coisa, um indivíduo em sessão colectiva dominado pelo arrependimento ou qualquer outro motivo admitia a sua culpa, sendo crucificado e ostracizado pelos seus era condenado, na melhor das hipóteses eram-lhe retirados todos os benefícios sociais condenando-se a ele próprio e aos seus a uma existência fora do estado, ou seja sem alojamento, sem emprego e sem a menor hipótese de sobrevivência, os sortudos eram destinados a uma estadia no Gulag, depois da qual consoante o arbítrio do partido ou do ditador de serviço eram readmitidos enquanto membros reeducados da sociedade, nascendo do Gulag um novo homem. Infelizmente não o presente post refere-se somente à experiência soviética, ficando de fora a experiência chinesa ou cambodjana que dada a natureza cultural dos povos a torna mais interessante do ponto de vista antropológico.

Moral da história, auto-crítica e arrependimento, tentativa de remissão de pecados frente à sua comunidade e devante si próprio, o comunismo ensina-nos que a perversão humana das ideias cristãs e de parte do pensamento cristão é sem limites e que no que toca à pervesão poucos batem o marxismo ou o comunismo.
Lamentamos profundamento a coluna ter sido lúgebre mas afinal de contas hoje é 2ªf...