Treguas...
Motivos de índole profissional impediram este autor de dar um contributo tão intenso como o desejado ao longo desta semana. Aproveitando a trégua laboral debruçamo-nos precisamente acerca deste mesmo tema, as tréguas decretadas pela ETA.
O quasi-demencial executivo de Zapatero que a nos muito nos repugna teve a genial ideia de aceitar a trégua proposta pela ETA. Parece que a organização terrorista decidiu por iniciativa própria declarar uma trégua unilateral a partir da meia noite do dia 24/3, deixando assim a voz do povo basco exprimir-se livremente a respeito da sua autodeterminação.
Gente abjecta e repugnante, desde a década de 70 a organização terrorista é responsável pela morte de centenas de pessoas, não somente membros de forças de segurança mas também políticos do PP e PSOE, lembrem-se o caso de Miguel Angel Blanco, vereador do PP e outros, inclusive um primeiro-ministro (Carrero Blanco).
Durante anos a fio a ETA foi responsável por um reinado de terror que percorrendo toda a sociedade basca, intimidou e condenou a um medo constante boa parte de populações. Tive a oportunidade de há uns anos conhecer bascos que se recusavam a falar em público problema ETA por receio de quem estivesse a ouvir...
A ideia de trégua repugna-me profundamente, qual deve ser a resposta a esta inversão de discurso na ETA, curiosamente não compreendo como podem os que amordaçaram durante anos a fio o seu próprio povo, assassinando os seus representantes democraticamente eleitos ao mesmo tempo que exerciam coacção e represálias múltiplas e indistintas sobre ricos e pobres pode agora mudar de linha estratégica sem que seja feita uma análise mais crítica a esse respeito.
O ror de congratulações foi sem limite, desde Zapatero ao nosso Engº Pinto de Sousa que somente demonstram desconhecimento histórico e uma forma de tentar a expensas do sangue de muitos e da luta incansável desenvolvida pelas forças de segurança tirar um sound bite fácil pro telejornal de logo. Às duas liminárias recomendo o filme que ontem tive a oportunidade de ver, "uma História de violência" que em breves palavras nos relembra da natureza animal e violenta dos seres humanos que por mais que se esconda ou se relege para as profundezas da alma tornará sempre a emergir com o estímulo exterior adequado.
A ETA meus senhores não é boazinha, nem se democratizou, de menos descobriu as virtudes do sistema representativo espanhol cujos representantes assassinou e coagiu durante anos a fio, a ETA está sim de joelhos por conta de trabalho policial e de uma nova conjuntura política. Durante anos a fio as autoridades francesas praticaram uma política de não ingerência com a ETA no país basco francês, a rede da ETA estava espaldada em França, fruto da pressão do Governo Aznar e de menos também de Zapatero consegiu-se em ambos os lados levar a cabo a eliminação dos pontos de apoío da ETA, leia-se que operações destas começaram em 1996-97, levando a ETA ao desespero assassinando ainda com mais indistintamente. Estando de joelhos como é o caso é altura sim pra desferir um golpe que erradique seriamente a ETA do mapa por muitos e bons anos, não é altura de entrar em compromissos políticos ou em mesas redondas.
Terminando aduzem os detractores de uma política forte para com o terrorismo que terá a ETA sempre matéria humana para continuar a sua senda de terror, é verdade, mas treguas e apaziguamentos nunca conseguiram melhor, pelo contrário até. Infelizmente os decisores de hoje não conhecem o pensamento de Giap(líder vietnamita) e Lenine, basta uma meia dúzia de homens bem organizados e determinados para instigar e animar o medo ou o terror. Com o terrorismo não pode haver compromisso ou cedência pois a luta contra o mesmo nunca terá fim enquanto subsitir quanto mais não seja um indivíduo bem determinado a levar a cabo a sua campanha. Incapazes que somos de conceber que uma trégua implicará um abrandamento da acção das forças de segurança perguntamos valerá a pena a presente trégua?
