Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, março 27, 2006

Espetáculo Degradante...

Dizer que a comunicação social que temos corresponde ao nível cultural do país é algo ou insultuoso para o pais ou elogioso para os profissionais dos media. A cobertura da recente expulsão de emigrantes que se encontravam em situação ilegal no Canadá é prova sem discussão disso.
Enquanto somos bombardeados com a cobertura do evento, desde o check in no aeroporto no Canadá ás imagens da chegada a Lisboa, que ocorrerá ao longo do dia de hoje não deixo de me questionar se o espetáculo da informação em Portugal não poderá deixar de ser mais degrandante e repugnante desprezando por completo quaisquer noções básicas de Humanidade e de dever de informar.
A ordem de expulsão não chegou ontem, esta situação era previsível desde pelo menos o ano passado, ao longo do qual foram realizadas eleições no Canadá, durante as quais a emigração foi tema de campanha, sendo vencedor um partido que fez questão de publicitar a medida ora adoptada, já existente à data de eleições mas cuja aplicação havia sido amenizada. Desde o ano passado pelo menos a situação era previsível, obviamente e sendo este um tema político já de si controverso na Branda Lusitânia (mito falso e ao qual voltaremos), foi completamente negligenciado e ignorado pelos mass media locais.
Igualmente se exigem responsabilidades ao Sr. Professor Freitas, que desde há muito deveria ter conhecimento da presente situação. Que medidas tomou junto do seu homólogo canadiano de forma a salvaguardar os interesses de cidadãos portugueses? Que pressões diplomáticas foram realizadas? Do Prof. Diogo já se conhecem as larachas acerca de campeonatos euro arabes de futebol e outras diatribes mas desconhecem-se diligências realizadas a respeito do presente assunto, bem mais gravoso mas enfim voltando aos abutres...
A comunicação social se se arroga o estatuto de 4º poder deveria igualmente estar ciente dos correspectivos deveres como os de dar voz às minorias de emigrados nacionais no Canadá ou noutros locais do mundo.
Infelizmente os media nacionais são de gente vil e cruel, quando o espetáculo é bom lá está a câmara amiga para predar nas emoções das pessoas, à despedida dos emigrantes ou à sua chegada lá estarão eles para se alimentarem das emoções de quem sofre na pele a tragédia, filmando todas as lágrimas, um último beijo ou abraço ou cenas piores ainda. Á chegada a Lisboa ou aos Açores lá estaram os abutres, perdão as equipas de reportagem de forma a captarem com a maior minúcia a revolta dos que foram expulsos de uma forma previsível mas brusca, filmando a sua revolta ao voltarem a uma terra que deixaram por não terem expectativas pessoais e profissionais de monta...
Uma vez obtidos umas imagens fortes e que nos tocam a todos, pelo menos a mim, uma vez assente a poeira, uma vez que deixe o espetáculo de render em termos de emoções, em que não hajam mais gritos de revolta ou desespero porque a gente que foi expulsa é seria e sã só procurou uma vida melhor nada ficará a não ser meia dúzia de sound bytes e imagens tristes já que a carcassa deixou de ter carne indo os abutres pastar para outras pastagens mais férteis.
Pois é contra este primarismo que nos devemos insurgir, a comunicação de sentimentos e imagens numa sociedade que se realize desta forma somente levará a um caminho de indiferença pelo próximos, pois e infelizmente por mais fortes que sejam as imagens já muito pouco nos choca e o que nos choca é somente o que nos toca, nas nosssas realidades quotidianas. Somente o que nos diz respeito directamente nos afecta pois crescemos numa indiferença quotidiana.
A espiral noticiosa é cada vez mais exigente, o escândalo cada vez maior e as vítimas ou a massa humana da qual se faz a notícia deve ser cada vez mais amasssada e pontapeada pelos media no diário espetáculo da mórbida informação diária...
Lamentavelmente o post de hoje não é dos mais animados, pede-se ao bom leitor que compreenda que hoje é mais uma vez 2ª feira.