Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

A mentira corre solta

Eu não gosto de ter razão antes do tempo, mas existem casos em que infelizmente conhecer as matrizes ideológicas de um partido/organização política ajudam.

O líder da bancada parlamentar do PS resolveu dizer aquilo que já prenunciavamos, e que podem ler em detalhe aqui:

"A lei do aborto respeitará de forma cristalina a vontade do povo".

Muito bem.

Erros:
1) A vontade do povo que foi expressa, não foi vinculativa;
2) Ao não ser vinculativa, os partidos não são obrigados a seguí-la;
3) Se a interpretação do PS é de que o referendo foi vinculativo, deverá a lei do aborto ter um artigo único que deverá prever que a mulher poderá efectuar a interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas em estabelecimento legalmente autorizado. Nem mais outro entendimento ou derivação.

Ao contrário do que diz Alberto Martins, não vamos agora extrapolar a posição do PS durante a campanha para a votação do SIM, até porque isso seria a apropriação de ínumeros milhares de votantes que não concordam com o periodo de reflexão, ou que querem que a mulher não tenha que dar qualquer tipo de satisfações.

Esta classe política que se apropria de votos que ainda por cima não representam a vontade da população (nos termos do artigo relativo ao Referendo constante da Constituição) ainda é mais triste e problemático que as posições assumidamente de extrema esquerda, tb designada "Na minha barriga mando eu!".