O divertido barranquinho português
Semanalmente assuntos inflamam na comunicação social indígena os nativos. Ontem o cenário de pré-pandemia generalizada em Suffolk (julgo), na qual mão de obra portuguesa estava a ser explorada para participar no genocídio de milhares de perús. Aproveitando a deixa os genocidas lusos retorquiram que a empresa não os informara, que alguns tinham ido trabalhar com salários a 300% etc... Ora o estado de imenente catástrofe era pautado por geniais dislates como o de um estripador de aves que havia já sido vacinado com a «flu» ou outros ainda mais absurdos... Boa parte dos nativos torcia todavia pela manutenção dos postos de trabalho pois o despedimento em Inglaterra é bem mais flexível que em Portugal etc...
Num contexto de notícias de um alarmismo inexcedível, os jornalistas portugueses em Inglaterra excediam-se em declarações de um ridículo sem limites, tendo o inteligente de serviço ao canal Público de informação ter dito, que era um estado de alma de medo que se vivia em Inglaterra e que ainda durante o dia de «hoje [ontem] tinha visto patos e gansos a voarem». Fossem porcos, vacas ou mesmo pinguins e seria caso para a lei de saude mental...
O pânico era já de dimensões apocalipticas, com patos e gansos a voarem por ai, debicando transeundes e passando-lhes a «flu». Imagino que desde as hordas de aviões pertencentes à Luftwaffe Germânica que atravessaram frequentes vezes o canal, não se viu outra horda de invasores alados tão perigosos.
Continuando pois garantia o mesmo jornalista não terem sido pelas entidades tomadas todas as mediadas sanitárias, obviamente munido da sua sapiência como perito em contenção de pandemias ou de inspector sanitário somente como treinador de bancada pois nessa semana tinha visto o "outbreak" com dustin hoffman entre outros...
As populações lusas migrantes para o Reino Unido bem podem agradecer conterrâneos da Comunicação Social o alto serviço que prestam , contribuindo mais para a desinformação, pânico e medo entre os menos informados, que para o seu esclarecimento. Mas mais ainda e sem antecipar mais um grande momento televisivo gostaria de saber qual é a relevância informativa deste género de noticias, somente porque meia dúzia de portugueses decidiu emigrar e por coincidência trabalha numa exploração de perus, deve um assunto ser tratado como de interesse nacional? Julgo que não, contudo as notícias portuguesas servem os mesmos propósitos que o Jornal da Zona, da aldeia ou de uma remota e atrasada freguesia uma vez que cada um dos seus moradores é notícia por mais insipiente e insignificante que seja deve esta ser de primeira página e com as maiores honras e destaques.
Hoje de manhã contudo assuntos mais importantes ligados à aldeola portuguesa estavam nas bocas do mundo, é pois o Portugal Brasil e os anos do Cristiano Ronaldo, que mais pá. Bola é bola, os portugueses adoram falar de doenças, médicos e cenários de catástrofe contudo em relação à bola não há nada mais importante, amanhã ou depois do rescaldo do jogo, da festa do Ronaldo das declarações dos intervenientes, do conflito de lealdades do Scolari, entre a costela inglesa-italiana-portuguesa e brasileira e a mercenária, lá voltará a gripezinha das aves e o «flu» dos pobres descamisados que tiveram de sair da miséria de Portugal para ganhar uns cobres.
É divertido o "barranquinho" luso, alguem têm de estar sempre a berrar, seja pânico, seja golo, seja ultraje, seja atraso, seja vergonha, pois o que interessa são os berros, o sensacionalismo ignorante, ao invés de maior calma e responsabilidade, isso é coisa para os mais lúcidos.
Bolas, hoje nem queria falar disto mas sim de outro petite episode, o girado em torno das «polémicas» declarações de Pinho e da ridícula visita de Sócrates à China, do pais calçadeira para a entrada em África e das plataformas giratórias que merecem a aclamação da comunicação social indígena a soldo do sistema. Galo... A isto voltaremos se a agenda o permitir, até la ponha a sua máscara e cuidado com o «flu», eu cá prefiro prevenir-me contra a pobreza de espírito do pais pequeníssimo, extendendo as minhas modestas recomendações aos remanescentes leitores...
