Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, janeiro 15, 2007

O preço do petróleo

Nas últimas semanas o preço do petróleo baixou significativamente em comparação com os máximos de 75 dólares por barril registados no final do ano passado, descendo inclusivé até níveis de 2005.

Ainda que em Portugal a gasolina e gasóleo não tenham acompanhado a queda rápida dos preços, num movimento inversamente proporcional ao ditado: "para baixo todos os santos ajudam, para cima só um e é coxo", o que é certo é que as previsões pessimistas do barril acima dos 100 dólares (ainda) não se concretizaram. Certamente para grande pena da OPEP e restantes países produtores de ouro negro.

Mas a diferença que uns anos fazem nas contas do petróleo são impressionantes. Não há muito, a OPEP pretendia manter os preços no intervalo entre 24 e 28 dólares. Hoje, montada no crescimento económico alheio ao preço elevado do crude o objectivo do cartel é estabilizar os preços entre 50 e 60 dólares.

Será criticável esta opção? Obviamente que não. A OPEP faz o seu papel: estabilizar os preços a um nível compatível com o desenvolvimento económico e ir maximizando os lucros para os seus membros. No lugar de qualquer ministro de um país produtor de petróleo com a pasta respectiva, faria o mesmo. É assim que as coisas funcionam.

Mas se não podemos criticar os países produtores por quererem manter os preços elevados, o mesmo não podemos dizer da incapacidade dos países ocidentais em afastarem-se do vício que é o petróleo como combustível (e já agora, matéria-prima para muitos bens, de plásticos a cosméticos). Pode-se dizer que tou a bater no ceguinho, que é o tema da moda. Pois é. Efectivamente é o tema da moda e não valerá a pena falar muito sobre isso.

Valerá a pena sim falar de algumas consequências dos actuais preços elevados do petróleo e já agora do gás natural. Basicamente, para onde vai o dinheiro? Já nem falo da corrupção na Nigéria, Angola e Sudão ou do apoio indirecto ao terrorismo por alguns dos muitos príncipes da Arábia Saudita.

O dinheiro vai sim para países como Venezuela, Irão ou Rússia, cada vez mais com agendas internacionais próprias e com vontade de usar a energia como arma.

Ou seja, esse Eixo-dos-Novos-Ricos permite-se uma linguagem, uma agenda e um conjunto de políticas internacionais próprias e contrárias aos interesses ocidentais. Mais uma vez, não os critico. Estão no seu papel.

E enquanto mantivermos a nossa actual dependência desse bem, continuaremos a dar dinheiro aos nossos "queridos inimigos".

No entanto, sejamos pragmáticos. Boa parte desse dinheiro regressa ao mundo ocidental através de bens de consumo, contas na Suiça ou peças para reactores nucleares como Bushehr.

Afinal de contas, podemos não gostar deles mas também são nossos clientes.

Da mesma forma que Chavez bate nos EUA mas precisa do cliente (pelo menos enquanto a China não tiver capacidade para refinar o crude pesado que se extrai na Venezuela).

Concluindo, e pragmatismos à parte, o meu ponto é simples: quanto tempo mais vamos estupidamente financiar quem tem uma agenda contrária à nossa?