Apocalypto
O filme de Mel Gibson é uma pérola. Mais pelo seu conteudo que pelo filme em si.
Em síntese, o filme retrata episódios da vida de um índio e de sua aldeia, o seu convívio e modus vivendi, que é alterado radicalmente um dia pela pela investida de uma tribo Maia vizinha que, num raid sobre a sua aldeia captura amigos, familiares e que coloca a sua família num dilema contra o tempo, isto sem contar mais. Após uma escaramuça violenta com os maias, povo mais evoluido com armas e tácticas mais fortes é boa parte da aldeia escravizada, salvo as crianças que são deixadas ao mais perfeito abandono. "Quase" a sua alcunha é levado de forma brutal e violenta para a cidade maia, vendo o seu modo pacífico de vida alterado e seu habitat familiar destruído por inteiro.
A viagem até à cidade culmina em diversas peripécias, durante as quais os maias demonstram uma invulgar crueldade e soberbo desrespeito pelo homem seu irmão. Entrados na cidade é dada através dos olhos de "Quase", uma visão priviligiada dos costumes dos povos maias, que culminam em sacrifícios humanos, venda de escravos e alma corrompida, com episódios de agitação urbana como os que sucedem no mercado de escravos entre outros. A civilização maia passava à data por uma grave peste, agravada por uma crise agrícola, mas também de valores, classes altas e baixas olham-se de soslaio e desprezo recíproco, sendo as desigualdades sociais evidentes. Alguns homens, guerreiros, são de invulgar agressividade e crueldade, como evidencia o tratamento de seus irmãos índios mas também as sevícias e crueldade de tratamento recíproco.
Entre várias peripécias o filme acelera atraves de um curso intensivo na cultura maia, terminando com a chegada dos espanhois a uma qualquer praia...
Predestinado à polémica, já com a "Paixão de Cristo", nos tinha sido apresentado um dos filmes que pessoalmente considero dos melhores de sempre, Apocalypto é diferente e deve ser visto com vista diferente, provavelmente também com um aprofundamento histórico.
O celeuma causado em países como o México e outros é perceptivel e expectável, tal como na livre e democrática Venuzuela.
Porque?
Por diversos motivos, um dos quais, causando muita tristeza aos acólitos de Rousseau que parecem impor hoje o politicamente correcto no mundo, mas especialmente em África e na América do Sul, nem os selvagens eram assim tão bonzinhos, nem os espanhos[europeus], tão maus.
Os nativos já se matavam entre eles, escravizavam-se e praticavam piores sevícias recíprocas, ilustradas nas culturas indígenas como a maia, azteca ou inca que para além de escravizarem e levarem a cabo expedições para a captura de outros povos, tinham uma cultura brutal que culminava em sacrifícios religiosos públicos de uma brutalidade memorável para aplacar deuses para gaudio das massas. Alias é evidente o manifesto desprezo pelo homem enquanto homem, obedecendo a outros moldes de certo.
O mesmo sucedia em África, entre as civilizações que praticavam em conluio com os europeus o tráfico de escravos, provando que reduzir a escravatura a um fenómeno de racismo é tremendamente ignorante e errado, sem embargo dos "bem pensantes" que digam o contrário sem tolerar contraditório.
Assim sendo caem por terra as legitimações coloridas de movimentos de matriz esquerdista que praticam uma ditadura do politicamente correcto, atribuindo culpas pelas desgraças ao homem branco, culpas por tudo e por nada. Os indios tinham a sua cultura que também não era somente sol, selva e boa vida, a fraternidade entre povos como se vê não era das mais bonitas, a liberdade destes comportava escravos e um elaborado sistema de classes que se desdenhavam reciiprocamente lançando por terra o mito rousseuniano da igualdade entre os bons selvagens.
Sem embargo de parecer demasiado etnocentrico, julgo que o bom selvagem existiu apenas na cabeça de JJ Rousseau e outros iluminados que se julgavam corruptos pela sociedade em que viviam e que no processo de criar uma nova fizeram mais mal que bem.
A tese contudo têm bom aproveitamento e serve propósitos revanchistas do papel que os europeus, agora tão misturados com os povos índios, ocupam e que encontram respaldo nos movimentos índios da Bolívia, do Brazil, do México ou da Venuzuela, ou seja armas de arremesso político para colher entre os descamisados que que se sentem espoliados nas suas riquezas da mãe terra pelos ímpios europeus, racismo?
Ademais europeus que trouxeram consigo doenças europeias e outras coisas piores como o cristianismo e outros valores.
Assim sendo na América do Sul interessa pisar o passado e trazer fantasmas como o dos "conquistadores" espanhois da sua brutalidade e outras coisas, pisar mas com o pé levezinho, pois há sempre o risco de perturbar dogmas instalados, levando as pessoas a pensar por si próprias, o que para algumas elites dirigentes da América do Sul não interessa muito.
