O capitulacismo
O recente atentado da ETA demonstra a fragilidade e ingenuidade das posições que uma Europa politicamente correcta quer assumir face a problemas fundamentais de hoje. A estratégia de Zapatero é debil e incorrecta desde o dia 1, já o dissemos e basta um atentado para o demonstrar.
A via do capitulacismo como o disse Lobo Xavier só poderá levar a resultados desastrosos, porquanto é impossível dialogar com quem ganha o seu peso político do terror. A força da ETA no pais Basco não deriva do mérito de sua causa, do brio dos seus defensores ou da sua justiça, esta é fruto de um só instrumento, o medo. Quanto maior o medo sobre as populações civis, maior o poder da ETA e por antítese mais débil o poder estatal.
Ora ZP genial estadista e homem de promessas tinha ideia que não, que basta uma trégua para dialogar, enfim o relambório iluminista europeu de que sentadinhos a uma mesa, políticos e terroristas se chega a um entendimento, pois todos os homens são iluminados pela razão e da discussão nasce a luz. Mário Soares deu e vendeu esta ideia por cá, a do diálogo, entre uma cházinho em Belem com dois pasteis resolveria certamento o provecto cavalheiro os problemas de terrorismo em todo o mundo. A estratégia ZP errada desde o primeiro dia não exigiu o depor de armas e o cessar fogo incondicional e sem reservas por tempo ilimitado. São estas as condições mínimas que não foram respeitadas. Exemplos históricos são vários, demonstrando a futilidade do diálogo com terroristas, uma vez que com o estrondo de uma bomba se perde a face junto dos cidadãos a que se serve. Ademais os espanhois gostam pouco de frouxos, ao invés de muitos outros...
Se o estrondo de uma bomba levou tudo, ZP colocou-se numa posição muito precária, a de ser esmagado entre o revanchismo popular, fruto do medo sempre presente e o facto de ter as mãos sujas de sangue. Adicionalmente e fruto de falta de sentido de estado rompeu o consenso com o PP, que sempre o procurou com PSOE, nos governos de Gonzalez e Aznar ambas as forças haviam forjado um pacto de "sangue" para combater este fenómeno, ao mesmo tempo que a ETA assassinava políticos e autarcas de ambos os partidos. Com divergências de estilo a política manteve-se forte, assente no princípio de sentar à mesa só em condições que implicassem uma derrota sem limites dos terroristas, não há meios termos, tréguas ou namoros meio escondidos, ou fim do medo ou lidar com este de outras maneiras.
ZP rompeu um consenso de mais de 30, pensando que seria possível chegar a um consenso com quem põe o fim da independência acima da vida humana. Previsivelmente falhou, contudo padece o mesmo de uma deformação que prejudica toda a Espanha, a de que a luta está perdida e que termos aceitáveis de conviver com estas forças possam ser encontradas. Bush é burro dizem uns, Blair mentiroso, Aznar entre outros contudo em caso algum decidiram estas claudicar face ao medo, por tal foram sucessivamente reeleitos, por se saber que o "homem do leme" acredita que com medo é impossível viver. Com erros pois claro, contudo na convicção clara que lutar e manter o nosso património civilizacional, de liberdade e diversidade é melhor que viver em meias palavras, meias liberdades e meias coisas.
Capitular é por isso a palavra a retirar do léxico, seja no Iraque, seja em nossas casas, seja no exercício de nossas liberdades, é essencial que se entenda que isto. Um estudo aprofundado da história demonstra que entendimentos entre estados democráticos e outras entidades com aspirações totalitárias em nome de ideiais ou religões levaram a que a corda quebrasse quase sempre para o lado da liberdade e diversidade, então porque persistir? Porque quem têm responsabilidades não têm coragem e alguns lideres preferem entendimentos mais confortáveis a expensas da liberdade e segurança comum.
Como em crónicas do passado reitero a minha convicção que em Espanha, muito em breve haveram mudanças políticas e que os ventos de mudança já se fazem sentir, mesmo que seja de forma fátua...
