Bons ventos?
Á 6ª Feira é sempre melhor ser optimista, portanto doravante será feito um esforço para neste dia de semana não ler os artigos da Senhora Câncio, hoje resisti à tentação e sou mais feliz por isso... fica a sugestão.
Porque bons ventos, primeiro lugar pela primeira vez na história o Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe visita a sede da NATO em Bruxelas, sinais de mudança sem dúvida, há muito a NATO extravasou o seu ambito inicial, tendo uma participação activa fora da Europa, veja-se no Afeganistão e noutros teatros mais pequenos. A visita per si é um sinal de novas forças positivas em transformação e a emergência chinesa, juntamente com o declínio russo e os problemas da Coreia do Norte impelem o Japão a tomar um grande lugar no concerto das nações. A possibilidade do Japão se tornar uma potência nuclear não é de longe dispicienda, muito embora trilhando este caminho, será sempre com respeito à política de contenção nuclear norte americana, escolhendo de forma clara e inequívoca os parceiros e aliados credíveis para o futuro. Uns diram, evidência histórica e política, outros nem tanto, verdade é que o Japão é um aliado de peso para contrabalançar a emergência regional chinesa.
Os que se detém em excesso com a emergência chinesa esquecem os seus constrangimentos regionais e outros poderes fortes na área que impediram sempre a China de assumir uma postura demasiadamente agressiva e expansionista com seus vizinhos. Falamos do Japão, da Índia e da Austrália, sem falar da Rússia, potência minguante mas com interesses a acautelar na área. Fora ficam potências de terceira linha como a Indonésia ou o Paquistão... O mosaico Asiático é complexo, especialmente se juntarmos o problema das Coreias e de Taiwan, em todo o caso num Japão maturo e fora dos constrangimentos do pós 1945 que ainda se fazem sentir, encontrar-se-à um parceiro credível e honrado.
São bons ventos também a recente visita da Chanceler Merkel aos EUA, ao assumir a presidência da UE, bons sinais pois os anos de borlas russas que vigoraram no pós 1989 finalmente acabaram. O controlo de algumas fontes de energia, o fluxo de capitais e o próprio papel de Putin obrigam a Europa a acordar para a realidade que estará sempre limitada nas suas fronteiras por um colosso como a Rússia. Os delírios da Hiperpuissance, esbarram na realidade de que a Europa precisa dos EUA e vice-versa. O sr. Chirac pode ular e berrar, ir vezes sem conta ao Kremlin mas será sempre merecedor de algum escárnio pois historicamente a Rússia respeita a força e só a força, que a França não inspira. A reaproximação alemã ou pelo menos os bons sinais despertados pela visita devem ser vistos como bons augúrios, especialmente numa época de incerteza, pendentes que estamos do resultado das futuras eleições francesas. Sego ou Sarko? Ainda cedo para essa questão...
O plano Bush? Este já é mais controverso, verdade seja dita em termos económicos, o cometimento de mais recursos poderá implicar desperdícios, sendo contudo que a presente alocação é realizada a par de alterações nas chefias e contaram com outra experiência e uma missão mais definida. Diram os detratores, também no Vietnam, certo, contudo temos uma optimista perspectiva de que desde então as instâncias norte americanas amadureceram e não são a primeira potência por acaso do destino... Assim sendo resta esperar com optimismo, não apenas pelo destino do Sr. Bush mas mais importante pelo futuro dos iraquianos, que muitos esquecem, ou usam como arma de arremesso...
O preço do petróleo têm vindo a baixar paulatinamente a de níveis excessivamente altos, não que o consumidor português o sinta, mas é importante à economia mundial, à balança comercial portuguesa e à estabilidade dos preços! Bons ventos!
Mais sinais há que devem inspirar, no plano internacional sinais de optimismo moderado, contudo a conjuntura continua carregadíssima, especialmente por conta dos nós ainda por desatar no Irão e as Coreias...
Enfim, bons ventos...já não é mau para os dias que correm...
