Borga em Santiago
Ontem, rara vez tive tempo para televisionar as notícias da RTP 1, no qual era realizada pelo sempre imparcial e politicamente desalinhado Cesário Borga, ex- tudo o que já existiu à esquerda do PCP e que nos brinda com as costumeiras peças de Madrid, sempre em crítica a uns e laudatório para outros.
Ora Cesário, a pessoa mais indicada encontra-se no Chile a cobrir as exéquias militares de Pinochet. A coisa até ia bem com manifestações dos dois lados, umas palavrinhas de Augusto Pinochet III, neto do falecido, trajando um impecável dolman cinza de inspiração prussiana, contudo o infatigável Borga quis realizar uma pequena sessão de vox populi, entrevistando alguns cidadãos na rua. Ora certamente o primeiro, vestido com uma esconça t-shirt, chapeu meio à cowboy na tola lá prestou a Cesário o relambório costumeiro e vezeiro de Pinochet, do mau que era etc... mas vá lá estava no seu direito pois certamente pela idade teria vivido alguns anos conscientes sob o jugo do temível ditador. Melhor ainda e num momento de alto jornalismo ainda criticou o neto do General com vêemencia e não sem alguma razão.
Linha!
Cesário seguiu para Bingo!
Sorte d'um camandro, o segundo elemento entrevistado falava português sério (não do Brasil), ora Borga inicia com pergunta habitual, o qual o indivíduo cujo nome não recordo respondeu com alguma profundade, retorquindo que à altura as coisas eram bastante diferentes e que o falecido tinha abandonado livremente o poder depois de um referendo. Sobre divisões entre chilenos referiu que quem tinha passado pelos anos Pinochet não se manifestava e via a coisa com boa dose de indiferença, retorquindo a Cesário acerca de manifestações de gaúdio com o óbito que quem protestava estava claramente identificado, com cores e que a maior parte não era viva, ou não têm memória dos tempos de Augusto.
Na muche, cai o pano e toca o orgão, a peça editada cortou a frase a meio e passou para a súmula final... Obrigado Cesário...
Por curiosidade, e por fluxo recente de notícias, porque se referem os jornalistas lusos de forma useira e vezeira a Pinochet como o " ditador chileno", mesmo depois de 16 anos de mudança e democracia, e a Fidel como o "lider cubano", muito embora governo com pulso de ferro os destinos do povo cubano há 48 anos, sem eleições, liberdade de expressão ou outros confortos imperialistas, curiosamente o tempo que durou o Estado Novo por cá ???
Dos pesos dos medidas! As usual!
