Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, novembro 29, 2006

O problema é sempre a solução!

Numa inversão de toda a lógica, inclusivamente a terapeutica, a grande Bandeira do Ex-Comissário contra a droga dos tempos de Guterres Vitalino Canas, essa cabeça, as salas de chuto avançam, acolhendo todo o unanimismo da esquerda, recomendando até a sua extensão a prisões, mais adianto eu, a medida deve ser extendida a espaços públicos, tribunais e esquadras de polícia.

O maná demencial do BE, era capaz disso, alias mais tarde ou mais cedo chegariamos ao absurdo de serem obrigatórias em empresas, pois os "Belmiros" deste mundo querem impedir os trabalhadores de se drogarem, aviões e comboios. Ademais se puxar de um cigarro é um ilícito (contraordenacional creio) dentro de um restaurante e outros espaços, uma sala de chuto é modernidade e progresso. Risos, muitos, no alegre passeio para a parvoice.

Mas enfim indo a assuntos mais sérios, a prevenção ou estratégia contra a toxicodependência em Portugal é um dispendioso absurdo, subsidiado pelo contribuinte que serve para por em prática teorias de engenharia social absurdas do qual o título deste artigo é bom exemplo.

A Câmara Municipal de Lisboa a breve trecho irá substituir os Gabinetes de Apoio aos Toxicodependentes pelas Instalações de Consumo Apoiado para a Recuperação. Ou seja os GAT's pelos ICAR's. Já dizia o Brito Camacho que mudam as moscas mas a merda é sempre a mesma, neste caso muda o nome mas a porcaria é toda igual.

Ora a CML anda a subsidiar com o dinheiro público instalações aonde se pratica a expensas públicas o consumo de drogas, por ora somente os necessários instrumentos, seringas, uma caminha, uma equipa de bananas, perdão técnicos de apoio social e psicologos, entre outras coisas para que os toxicodependentes possam consumir para recuperar.

A fórmula mágica é esta consumir para recuperar. Óbvio que bastantes médicos repetidamente avisam que consumir nunca é a solução pois a cura têm de partir dos toxicodependentes, deixando estes a dependência em prol de uma vida diferente, com outras companhias e estilos. Repetidamente vemos casos de toxicodependentes que saem do consumo para voltar a cair neste, precisamente pelos estilos de vida e amizades. Ora em demonstração de humanismo o que faz a CML, criar recintos de consumo de drogas, o toxicómano não deseja em caso algum recuperar, este em poucas palavras vive para consumir e orienta toda a sua existência para esse fimm . A tristeza da droga é esta, a negação do ser, da liberdade e sua individualidade, sua sociabilidade e inserção social para consumir, há quem diga que por causa da ressaca, em bom rigor creio que não apenas, mas também pelo transe de consumir, ignorar esta realidade é entrar no libelo carpideiro da "engenharia social".

Tão sub-humano é este fenómeno que os toxicómanos estão dispostos a tudo para mais uma dose, os percursos são já conhecidos, de uma casa ou família á rua, da rua ao sistema judicial, do sistema judicial a um concurso de crimes até que finalmente são encarcerados em prisões que toleram o consumo. Tudo isto numa sociedade que considera normal e até pouco censurável boa parte do percurso. O sistema judical responde com tolerância permitindo sucessivos pequenos delitos, infrações pouco importantes que vão sendo julgadas. Os toxicómanos são sempre "vítimas", "doentes" ou desfavorecidos, curiosamente com gaúdio reparamos que as molduras penais são frequentemente superiores às dos crimes e mesmo contraordenações (estes não a moldura penal que não se verifica) praticados na estrada nomeadamente a condução sob o efeito de alcool que é reprimida com severa e especial violência, enfim curiosos contrastes...

Ou seja a luminosa estratégia de criação de ICAR's levará a um crescente consumo uma vez que o toxicomano não irá ao referido centro para se curar, para ouvir psicólogos, mas sim para consumir, empregando para esse efeito meios pagos pelos contribuinte. Enfim do palanque de autismo em que boa parte da esquerda se colocou em Portugal parece correcto defender disparates e coisas que são em todo o caso avessas à própria natureza humana. GAT's e ICAR's são para além de trazer inconvenientes aos moradores da zona que têm de tolerar com o triste cortejo de criaturas que se despojaram de humanidade, formas de continuar a resolver droga com droga.

Continuando assim o cortejo de estupidez, servido com relativo unanimismo persistimos em manter uma política light de prevenção à toxicodependencia, pontuada por crescente proliferação de drogas entre adolescentes. Ano após ano vemos taxas de consumo a aumentar, ano os orçamentos aumentam e também o consumo, contudo com a criação de gabinetes, centros e psicólogos sem quaisquer justificação de entidades responsáveis ou melhorias sentidas.

Este tema é nauseabundo e em boa verdade não tenho animus de escrever mais, salvo que a única política viável será a que atacar qualquer especie de consumo, a qualquer título e colocando a enfase nos malefícios, enquanto dissuassor. O mais são floreados de engenharia social que redundam em mais consumo, mais toxicodenpendência e crescente delinquência.