Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, novembro 29, 2006

Mais uma marretada da indústria musical

Recentemente, a editora Universal conseguiu que a Microsoft lhe pagasse 1 dólar por cada leitor Zune por esta vendido. O Zune e a loja online Marketplace representam o novel contra-ataque da MS ao binómio iPod-iTunes que tem o sucesso que se conhece. Para oferecer uma alternativa credível, a MS estava condenada a aceitar quaisquer termos leoninos que lhe fossem propostos pelas grandes editoras.

Hoje, o presidente da dita editora achou por bem dizer que pretende obter a mesma gratificação por parte da Apple. A troco de quê pergunto eu?

Se bem me recordo as K7 (não me lembro se também para suportes mais recentes) e aparelhos gravadores vendidos nos anos 80 e 90 pagavam uma taxa semelhante à cobrada pela Universal tendo em vista remunerar os artistas pela pirataria a que serviam. Mas pelo menos tinham uma contrapartida: podia-se grava K7s à vontade sem medo que um bicho papão como a RIAA ou as diversas associações fonográficas nacionais nos caíssem em cima.

Mas a Universal quer ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo: manter que considera a cópia e troca de ficheiros musicais como forma de pirataria e remunerar-se por cada aparelho mp3 vendido. Dinheirinho a entrar por um lado e dinheirinho a entrar pelo outro. A mão esquerda da Universal saberá o que faz a direita? Desconfio que sim.

Já agora, tendo em consideração que os leitores de mp3 não permitem verdadeiras trocas de ficheiros, necessitando de um computador para que se multipliquem as cópias digitais da música, por que não cobrar também uma taxazinha aos fabricantes de computadores?

Por muito que goste de música, quanto mais tempo passa menos vontade tenho de comprar CDs novos e encher os bolsos a esses xupistas.

E também gosto cada vez menos de comprar música on-line, pese embora tenha alguma comprada no iTunes. Uma avaria num disco rígido, a impossibilidade de transferir a música tranquilamente para outros computadores (só se pode até um máximo de três se não me falha a memória) e as definições regionais (estilo DVDs) que me impedem de me re-registar no itunes com um cartão de crédito português e uma morada espanhola a isso levaram.