A revolução de Potemkin!
Ontem em mais uma edição do programa Prós e contras, estiveram frente a frente o Ministro das Finanças (vulgo Lanterna Vermelha, que nem por coincidência trajava com adereço burguês de igual cor, ou seja gravate rouge!), Daniel Bessa, Medina Carreira e Octávio [apelido que desconheço, pelo PCP].
Comeeçando por Daniel Bessa, traçou este um bom diagnóstico, vincando bem erros e vícios do caminho adoptado nos mais recentes anos, lamentavelmente quando Guterres iniciou esta alegre marcha, lá estava o Sr. Bessa, no Governo, ou deste próximo... O diagnóstico é bom sem dúvida, com números, estatísticas e modelos, fornecendo a lúcida análise que é somente possível na sociedade portuguesa que permite a pessoas com responsabilidades opinar em praça pública sem quaisquer pudores em relação à obra feita... Com o Sr. Bessa a coisa nem é muito grave creio, já com o Engº Guterres, Pina Moura e outros, o caso muda de figura, quando nos vendem criaturas como Vara ou o Gomes do PS Porto então, estamos como de costume, entregues à bicharada...
Continuando, pois a memória histórica não é algo que se interesse cultivar entre o luso gentio, presentes estavam também Medina Carrreira e o Sr. ministro das Finanças. Entre ambos se travou o melhor do debate.
Medina Carreira (MC) puxou de argumentos de peso, entre os quais salientamos o facto do pais se endividar alegremente à razão de 8.000.000.0000 € (ou seja oito mil milhões) de euros por ano, que os sacrifícios ora suportados por um constante agravamento fiscal se encontram no limite, a par de que o Estado levar tributariamente fatias cada vez maior dos rendimentos pessoais.
Igualmente apontou que o peso dos salários dos funcionários públicos era insustentavel, se compararmos tudo isto à eficiência dos serviços públicos que, pagos por todos (mais por uns que outros) ´para pouco servem,para além de alimentar muitas bocas.
O Sr. Ministro retorquiu, apontando em primeiro lugar que o nível de salários públicos no PIB português é identico ao da Finlândia (15%), ahh boa finlândia, porto de abrigo e oasis socialista, a par disso reiterou que as culpas não são imputáveis aos Governos Guterres mas sim também aos do PSD, a par disso aflorou temas como o PRACE, a reforma da função pública, as novas leis de finanças locais e regionais, o esforço quimérico do governo, etc...
Tristemente foi omisso à avidez e gula fiscal estatal, assim como ao crescente peso que impostos e taxas ocupam para os portugueses. Desagravamento fiscal nem ouvir falar e acima de tudo, as coisas vão bem pois estamos como a Finlândia... A ostensiva fixação finlandesa é algo que não me para de surpreender, em minha humilde opinião preferia ter como modelo de comparação outros paises mais parecidos com o nosso como o Senegal, o Burkina Faso ou outros, nos quais o estado certamente terá a identitica credibilidade à da nossa República.
A constante e pecaminosa vontade de copiar A B ou C é sinal de um retrocesso endémico e de uma constante falta de visão do verdadeiro papel de Portugal no mundo, das suas capacidades e vantagens relativas.
Assim sendo, a Finlândia esta igual e os Portugueses que durmam descansados, ademais cá a carga fiscal e bastante inferior logo ainda se devem dar por contentes. Algo vai errado neste hábito imemorial luso que somente pela negativa tende a fazer valer a "excepção lusa".
A receita do Sr. Ministro quer se goste quer não esbarra nas primeiras dificuldades impostas pelas forças do bloqueio da função pública, pelos sindicatos, pela comunicação social e pelos velhos do restelo (não o autor deste post claro).
Não sendo o momento de advinhar, em 2007 teremos um ano com muita conflitualidade social, greves, protestos, aborrecimentos etc, a par de um insucesso governamental, as avaliações, as bolsas de trabalhadores, os PRACES, e tudo o mais continuará na boca do mundo e na gaveta do Ministro, optando-se pela costumeira receita de aumentar a gasolina, o tabaco e o imposto do selo, a recorrer a expedientes perversos e demais meios mantendo as coisas na melhor das hipoteses na mesma e o deficit abaixo de 3%, como se isso fosse o desígnio nacional.
É engraçado ver como os episódios se sucedem, sempre da mesma maneira, óbvio que o Governo não deseja em caso algum proceder a um realinhamento do papel do Estado na vida comum, tornando-o mais pequeno, eficiente e humilde, ao invés de embarcar em delírios socialistas que em última instancia mais mal fazem que bem, pois quem precisa de recorrer a serviços públicos não é servido de forma digna e eficiente, e quem a estes não recorre paga duas vezes o mesmo serviço, o público e o privado.
A revolução de Potemkin de Sócrates, ou seja, uma aparência de socialismo reformista para um estado velho e com hábitos caros. Os restantes argumentos do Sr. Ministro são os de sempre, propaganda, retórica e imagem de duro para mais do mesmo que nos levou aqui...
