Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, novembro 02, 2006

A dança indígena

Como certamente grande parte os leitores deste humilde espaço saberão, estou-me perfeitamente nas tintas para o desenvolvimento dos países africanos, muito em particular para aqueles que foram durante anos colónias de Portugal.

A razão para tal sentimento é simples. Entendo que o trabalho que Portugal fez nesses países, de desenvolvimento económico e social e de introdução de leis, nunca foi devidamente tido em consideração (nem sequer pela esquerda nacional, muito menos pelos indígenas).

O desenvolvimento que Lourenço Marques ou Luanda tinham no antes do 25 de Abril eram incompáraveis face aquilo que existiu durante os 30 anos que se seguiram. Destruição, guerra civil e a exploração de hoje não tem paralelo nos tempos modernos.

Podem-me vir dizer que existiu a escravatura e a exploração dessas terras durante 400 ou 500 anos. Respondo simplesmente que o passado não se julga pelos olhos dos nossos valores, muito menos do nosso tempo sob pena de entrarmos num jogo de espelhos que acabará no Adão e Eva.

No entanto, e chegados ao momento actual, verificamos que encontrando-se em paz, e possuidores de riquezas naturais multiplas e variadas, quer Moçambique quer Angola, vivem épocas em que a prosperidade de crescimento económico (promovido pelos "colonizadores" de hoje, as multinacionais) ajuda apenas a oligarquia reinante, famílias de multiplas caras e de interesse uno. Riqueza, contas na suiça. E os outros que se lixem... ou pior... voltem ao ex-colonizador.

Verificar a bondade do povo, explorado pela sua classe reinante, impávido e anestesiado, é apenas uma bofetada de luva branca para quem "negociou" a saída de Portugal destes países, deixando um clima de inevitável guerra civil.

Sendo as frases supra ditas algo que Marx poderia dizer, chego à terrível conclusão que continuamos, como na altura, a ser governados por uma esquerda que acredita na teoria do bom selvagem. De que temos uma obrigação moral de ajudar estes países esquecendo os portugueses que derramaram sangue para manter um estado uno e indivisível.

Cahora Bassa é apenas mais uma pinta num i. Mais um momento em que a esquerda rejubila no alto de um pedestal, na magnificiência do seu gesto, sem defender aquilo que milhares de portugueses fizeram e sofreram. Aqueles que fugiram sem nada, com uma mão à frente e outra atrás não receberam uma palavra, um gesto, quanto mais 700.000.000€. Aos militares que morreram e aos outros que ficaram marcados para sempre, o governo não paga aquilo que se tinha obrigado.

No entanto, uma vez que em Portugal este ainda é um assunto tabu, aquando das eleições ninguém irá levantar uma voz contra esta medida.

Pagamos...como sempre, todos nós.

É o governo que temos.

1 badaradas:

Blogger lorenzetti said...

E cinco dias depois deste post, no Lorenzetti, e em comentário:

' AOC disse...

Sinceramente considerar a Europa como farol da democracia parece-me esquecer algumas coisas... a saber:

- Passado de colonialismo e esclavagismo (convém não esquecer).'

1:43 a.m.

 

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