Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, novembro 06, 2006

Mid Term Elections!




Uma das belezas, várias do sistema constitucional americano são as mid terms, gravitando em torno do Presidente todo o executivo e um crescente legislativo é muitas vezes comum considerar o Presidente o centro de poder nos EUA, quando este se localiza no Senado e Congresso de Represantes, que dispõe de enormes poderes legislativos, especialmente no que toca a política fiscal, algumas prerrogativas em política externa etc...

A inteligência local e europeia, julga que o Iraque será um elemento decisivo para as eleições e que após 12 anos os democratas têm uma hipótese de inverter o controlo republicano. Mais uma vez o acertamento das prioridades norte americanas através dos interesses ou pensamentos politicamente correctos europeus criam uma disfunção entre a o a que para efeitos do presente post chamaremos de distorção estratégica e política ou somente distorção.

A distorção leva tipicamente aos europeus a medirem a temperatura política nos EUA pelo New York Times ou outros jornais, em vez de verem as coisas com olhos sérios. Primeiro qualquer maioria de 12 anos encontra-se numa democracia fértil, plural e viva sujeite a alterações, alias não será nenhuma novidade se em qualquer sociedade europeia ou americana (excepto Cuba e Venuzuela) que quanto mais longo for o mandato maior será o desgaste...

Posto isto, cabe igualmente salientar que os republicanos há muito são os paladinos de baixa fiscal, redução de deficit federal e reforma de serviços sociais e de saude. Ora em bom rigor o que sucedeu não corresponde às expectativas criadas, não houve um sério desagravamento fiscal e o deficit não diminuiu, quanto as reformas internas estas não têm eco na comunicação social europeia, salvo no tocante ao relambório costumeiro da ausÊncia de estado social e o proto-socialismo europeu que como se sabe é moralemente superior e mais humano a conversta mole costumeira.

A questão do IRaque é sobreavaliada na Europa, alias o americano não é nem mais nem menos ignorante que o europeu médio, logo ao invés do Iraque, interessa-lhe são empregos, crescimento da economia e desenvolvimento, ponto no qual os EUa estão bem, pese não estarem como se esperava e conforme as expectativas inicialmente criadas.

Aí é que vencem as eleições e não haverá animo derrotista e choramingueiro que o resolva. As pessoas no momento do voto querem saber como lhes tocará, o Vietname criou verdadeiros problemas na coesão interna dos EUA, a par de outros movimentos que inflamaram as tensões sociais. Ora o Iraque para além dos iluminados de NY e Boston também não mobilizam como outros tempos, a comparação com a ofensiva do Tet de '68 foi certa em várias coisas, noutras nem se aplica, a verdade e que o Tet foi uma derrota no terreno que virou vitória mediática para o Vietname do Norte, mas enfim, não entremos por ai.

Os democratas continuam como sempre fieis a um programa de estado social, mais impostos e aumento de deficit, que certamente irá contra os desejos do average joe, e ainda mais se considerando que os anos Clinton não foram nenhum Eldorado, pois terá sido por isso que os democratas perderam durante 12 anos e mais ou menos igual número de ida às urnas em sucessivas eleições. Depois de tanta derrota, qualquer melhoria dará a sensação de vitória.

Tão bem vão os democratas que todos os candidatos às proximas presidenciais se encontram muitos pontos atrás dos republicanos, sejam eles McCain ou Giuliani, portanto inferir que Bush condicionará demasiado as próximas será errado.

Sem prejuízo de 4ª estar errado, quem irá a votos seram os membros de senado e C. Representantes, ganhando-se ou perdendo-se com assuntos políticos e com as verdadeitas aspirações dos cidadãos, não por longas tiradas absurdas e aborrecidas sobre o Iraque. Em momentos de delírio contra os Republicanos muitas mentes brilhantes esquecem-se que o povo é soberano e quem está bem não vota em quem promete aumentar impostos, salvo em Portugal aonde quem os paga e quem deles beneficia nunca coincide.

4ª Feira veremos, com esperança minha, o regresso dos argumentos useiros e vezeiros da america do mid west, dos contrastes entre as costas e o interior, da pretensa superioridade moral dos democratas, das trapalhadas do IRaque e os velhos libelos carpideiros anti americanos... Enfim business as usual, nos cá torcemos pelo elefante, que é de longa memória e um animal possante e majestatico...

Terminando com uma provocaçãozinha....