Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, novembro 02, 2006

Kanimambo!

31 anos após o fim do nefasto colonialismo lusitano a barragem de Cabora Bassa reverteu para o Estado moçambicano, a preço de saldo e por troca a benefícios turvos de tratamento mais favorável para empresas portuguesas no mencionado pais.

Para ajudar à festa a preço de saldo e com pagamento em prestações fajutas, tal como a dívida externa para com um dos paises com mais riquezas naturais e um dos maiores produtores de petróleo, leia-se de Angola. Em cobertura noticiosa por um dos jornais diários portugueses, a inteligência nativa rejubilava com danças tradicionais e ajuntamentos espontâneos o facto de finalmente reverter a barragem para Maputo, a par do já useiro e vezeiro argumento político de que finalmente se eliminaram os vestígios de um passado eminentemente negativo.

O gaudio final é a forma credível e "por atacado" que o velho manifesto carpideiro anti-colonialista é comido pelos jornalistas e endossado pelo governo português. Moçambique é um pais independente e soberano desde 1975, que depois do nefandol flagelo do colonialismo luso se atirou de braços abertos para o voluntarismo e solidariedade internacional de paises como a União Soviética e a China.

Óbvio que ao contrário do colonialismo a solidariedade internacional é boa, benéfica, ao inves de trocas comerciais normais com os paises vizinhos, Africa do Sul entre outros, os amigos internacionais passaram a enviar armas, conselheiros e toda a parafernália militar para que o bom povo se passasse a combater a si próprio, alias e não obstante a partição de esferas de influência entre a URSS e os EUA (Africa pros vermelhos, america do Sul para os yankees), Moçambique não deixou de ter uma transição difícil com guerra civil de mais de 12 anos.

Alias sobre os belos "conselheiros" estes dividiam-se em dois tipos militares e económicos, os económicos, na sua boa vontade marxista foram em Moçambique impor o regime de cooperativas agrícolas de chapa soviética, com planos, plantações colectivas etc, à boa maneira soviética e leninista que nunca funcionou em lado nenhum, salvo na cabeça de Lenine e outros e nunca alimentou população nenhuma não ser as elites dos partidos comunistas, vulgo a nomenclatura local.

Continuando pois, fruto da nossa partida apressada (eufemismo para «descolonização exemplar» nas palavras de alguns pais fundadores da democracia), entregou.se Moçambique à sucursal comunista da zona que rapidamente se encarregou de tentar eliminar a concorrência, que assentava em moldes tribais por oposição à boa vontade para com Moscovo. Sem sucesso diga-se.

Óbvio que a herança do colonialismo português salta à vista, o bom povo grassa a subnutrição e infra-estruturas básicas nem as ver. O legado negativo português reflete-se igualmente no facto de aquando a nossa partida Moçambique ser dos paises mais prosperos de África, hoje dos mais pobres. Continuando podiam-se falar de exemplos como a rede rodoviária e ferroviária, o facto de Moçambique ser dos territórios mais prósperos para agricultura de toda a África, possibilitando a realização de culturas todo o ano, etc... Alias, a barragem que hoje causa tanto furor foi produto de capitais e engenho português.

Sobre esta cumpre dizer que o consumo energético de moçambique é inferior ao de uma única fábrica de alumínios (Mossal creio!). Só por estes factos se pode ver o quão negativo foi o impacto do ncolonialismo luso, construindo obras de dimensão enorme sem qualquer necessidade.

Sem querer continuar um tema que nos levaria, à corrupção, ao nepotismo, ao aproveitamento que as nomenclaturas locais fazem de um pais, da cultura de subornos, do facto de após 31 anos as populações de moçambique passarem fome e sofrerem de forma quase primitiva fenónemos como cheias, fruto da falta de planeamento estratégico, para Moçambique, esse grande pais enviamos um sentido obrigado por nos demonstrarem o quão nociva foi a nossa presença e o bem que aquela gente se governa.

Escusado será dizer que 31 anos depois, Moçambique e África são oportunidades perdidas, que ainda se preocupam em culpar o colonialismo europeu, o capitalismo ou outros maléficios exclusivamente europeus que corrompendo os nativos os condenaram à miséria e à fome...

Para essa gente...um belo Kanimanbo pelo Eusébio, o resto é folclore macaco e manhoso!