Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, novembro 02, 2006

Eleições na Catalunha: Mas não chega!

Ontem foi dia de meter a cruz no papel para determinar a composição do próximo Parlamento da Catalunha e, consequentemente, da Generalitat.

A campanha foi frouxa, tirando uns tomates, ovos e agressões com que uns radicais brindaram o candidato do PP, Piqué e o Secretário-Geral Angel Acebes. Isso e os pequenos-almoços do fim-de-semana entre Joan Laporta e os candidatos da CiU (Artur Mas) e do PSC (Jose Montilla).

A vitória foi para quem se esperava. Pela oitava vez consecutiva os nacionalistas moderados da CiU venceram as eleições. E ainda há quem ache a Catalunha uma terra de esquerdistas. No entanto, tal como há três anos, a vitória de Mas é uma vitória de Pirro. Então, embora como partido mais votado, não formou governo devido a uma aliança de esquerda.

"A CiU ganhou, Mas não chega" eram as capas dos jornais hoje. E não chega mesmo. Até porque chingou o PP (que havia dado em 1999 a Jordi Pujol a sua última maioria) berrando que jamais fará um pacto duradouro este partido.

Foi estranho ver a noite eleitoral e todos os partidos cantarem vitória e terem, efectivamente, motivos para o fazer.

A CiU ganhou e aumentou o número de deputados.

O PSC, embora perdendo deputados, mantém expectativas de voltar a comandar a nova Generalitat.

A Esquerra Republicana, perdeu deputados mas manteve o papel de pivot essencial, encaixado no espectro político entre a CiU e o PSC, dependendo o novo executivo em grande medida das posições desta formação política.

A Iniciativa (o BE cá do sítio) aumentou o número de deputados e aspira manter-se na Generalitat.

E a grande surpresa, apareceu um tal de P-C, o partido da cidadania, guiado por um estranho grupo de artistas e intelectuais. Nenhum analista ou sondagem o referiram ao longo da campanha, mas o P-C logrou atingir o patamar mínimo dos 3% para poder estar representado no Parlamento. Um dos seus líderes brindou hoje a comunicação social, recebendo-a em casa, de robe, papel de jornal na mão e caminhando em direcção à casa-de-banho. Claro sinal de não ter gostado do tratamento dado ao seu partido e de uma eventual falta de papel higiénico em casa.

Agora tudo poderá acontecer: uma reedição do tripartito de esquerda, uma coligação PSC, Esquerra Republicana e Iniciativa; um centrão entre PSC e CiU (denominado socioconvergencia); uma aliança nacionalista entre a CiU e a Esquerra ou um governo minoritário da CiU.

Para a semana as coisas estarão resolvidas.