A perfilhação e linhas soltas de pouco nexo....
O PR decidiu participar em programa na SIC-Notícias dando uma entrevista a Mª José Stock. Como ainda não estamos em época de bolo rei, não tive o belo prazer de a acompanhar integralmente, assim como a de Pedro Santana Lopes, concedida ao canal 1 (ainda se diz assim?),na qual a sapiente jornalista queria rivalizar em tempo de palavra o entrevistado, mas para essa "profissional" já não há saco.
Felizmente só tive tempo de apanhar os soundbites da entrevista, que sem prejuízo de terem passado no crivo da comunicação social do PS, foram fracos para não dizer secantes. Cavaco, fiel a si próprio vendeu uma nova versão do discurso seco de "deixem-nos trabalhar". Neste caso foi polvilhado por tiradas como «estamos a trabalhar para o bem estar dos portugueses», ou que «A cooperação silenciosa é aquela que pode produzir resultados. Não é importante que se fale alto».
Com a constituição fandanga deste país o PR pode fazer tudo, dizer tudo a viciar todas as regras do jogo a seu bel prazer. Exemplos, os mandatos de Sampaio e Soares que foram, hinos à Legística portuguesa, conseguindo até o fenómeno de «anunciar intenções de dissolução de Assembleia da República». Anunciar uma intenção, algo que certamente encontrará espaço na macambúzia cabeça dos mediocres constitucionalistas deste país que decidiram fazer uma melange de cretinices ao produzirem a CRP vigente e suas sucessivas e bácoras revisões. Prova disso, as sucessivas crises constitucionais de 1981 a 1986, e os anos Soares e Sampaio.
Cavaco contudo, qual protagonista esnobado decide carregar por escolha própria a cruz que Sócrates escolheu, agravada por uma fraudulenta campanha política e de imprensa, contudo tendo o «Homem», costas largas decide inaugurar uma nova linha de «cooperação estratégica» ou seja mandamos os dois para que ninguém mande... Transvestindo-se de presidente à francesa, esse grande país, decide o PR dar a mão ao Governo que conduz grandes reformas, tendo assim Sócrates o ombrinho amigo e a retaguarda protegida.
Continuando, Cavaco sendo traumatizado pelo nefasto Soares decide corrigir a mão do seu algoz, especialmente depois de 1992, que em manobra política o suplantou muitas vezes, fazendo gato sapato do menino franzino de Boliqueime. Decidido a evitar erros do passado Cavaco inaugura então assim a cooperação estratégica, mesmo que isso implique renegar aos «seus», que em bom rigor nunca o trataram muito bem.
Sócrates delira, respira e transborda em projectos, megalómanos ou não, sabendo que a consciência social do PR é coincidente com a sua. Óbvio que «consciência social» é um eufemismo para manobra política, ou seja Soares e Sampaio promoveram sempre as suas manobras do QG de Belém, Cavaco pelo contrário, mau jogador de poquer, já mostrou a mão, não agirá tão depressa para colocar em S. Bento um governo mais simpático, provavelmente com Ferreira Leite ou Marcelo à cabeça (mais dificilmente o segundo claro!).
Pior ainda deu a iniciativa total a Sócrates, as reformas promovidas e a modernização são já velhas glórias do Cavaquismo, projectos megalómanos ibidem. A ideia do bom menino europeu ainda melhor. Contudo, onde se encontram os dois é na concepção de Estado e serviços públicos, Sócrates e Cavaco são domadores de elefantes, ou seja mantendo o Estado, grande e gordo, com largos poderes e funções é a sua linha. Ambos jogam em manter uma pleiade de prestações sociais, muitos funcionários públicos, carga fiscal dispare, ou seja o presente estado de coisas.
Porque domadores de elefantes? Porque ambos conhecem um facto inegável que quanto maior for o elefante, maior a atenção, protagonismo e permitindo continuar a governaçao de um estado com séculos de clientelismo, alimentando os meninos dos partidos e os indigentes inqualificados que encontram nos braços do estado um compagnion de route. O retrato é uma rábula demasiadamente exagerada sem dúvida, contudo os traumas de Cavaco são profundos e condicionaram sempre a sua manobra política, o seu final último, ser maior que Soares e obter votações unanimes, ser maior e ainda tentar um malabarismo no qual o PS nunca cairá, o de ser o único candidato credível às futuras presidenciais, reeditando a manobra que significou o seu obituário antecipado, as famosas presidenciais de '92.
Esta é a única linha que fará sentido, caso Cavaco nos decida surpreender, tentando em 2º mandato fazer monobrismos políticos... Em todo o caso, persistindo assim, assistimos em entrevista a mais um momento inédito, ou seja o primeiro acto de perfilhação em directo. Com Sampaio e Soares os PM's Sociailistas eram tratados como bastardos rabinos que apreciados e favorecidos discretamente levavam palmadas cada vez que saiam da casca. Cavaco apoiou convictamente Sócrates por achar que é o correcto num tom paternalista do velho "deixem-nos trabalhar", a ver se têm estômago para Sócrates... Uma coisa é certa pôs-se a jeito para não ter grande sucesso.
