Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, novembro 13, 2006

Quantos advogados há em Espanha?

Segundo os números mais recentes, o universo dos causídicos abrange mais de 130 mil profisssionais. Feitas as contas, per capita dá um advogado para cada trezentos habitantes.

Em Portugal, os números são mais modestos. De acordo com um estudo fresquinho da OA há qualquer coisa como 23 mil advogados a exercer. Feitas as contas, temos um advogado para cada quatrocentos e trinta habitantes.

Aqui - como em Portugal - agora para aceder à profissão não basta o canudo da licenciatura em Direito. "Finalmente" existe algo semelhante ao nosso estágio de advocacia deste lado da fronteira. As massas aplaudem de pé este triunfo do progresso.

E naturalmente os argumentos pró-estágio são os mesmos. Os jovens lobos saem mal preparados das faculdades, não prestam bons serviços e é uma honra (!) no final do período de estágio estarem melhor preparados comparativamente aos advogados não avaliados.

A hipocrisia não conhece limites.

Ao menos sejam honestos: há estágio para limitar o acesso à profissão, para que o poder da escassez se mantenha nas mãos do advogado e não na do cliente (como se passa com os médicos em Portugal).

Há estágio para que a Ordem (e eventualmente o Colégio de Abogados) possam cobrar valores pornográficos pela "formação ministrada".

E principalmente há estágio para que os advogados/escritórios possam diminuir a sua estrutura de custos contratando estagiários que fazem o mesmíssimo trabalho que outros pouco mais velhos mas por preços inferiores ou gratuitamente (a troco de uma "formação prática").

O final do glorioso período de estágio é igual ao que se lê nos frascos de champô: "Wash, rinse and repeat".