Quantos advogados há em Espanha?
Em Portugal, os números são mais modestos. De acordo com um estudo fresquinho da OA há qualquer coisa como 23 mil advogados a exercer. Feitas as contas, temos um advogado para cada quatrocentos e trinta habitantes.
Aqui - como em Portugal - agora para aceder à profissão não basta o canudo da licenciatura em Direito. "Finalmente" existe algo semelhante ao nosso estágio de advocacia deste lado da fronteira. As massas aplaudem de pé este triunfo do progresso.
E naturalmente os argumentos pró-estágio são os mesmos. Os jovens lobos saem mal preparados das faculdades, não prestam bons serviços e é uma honra (!) no final do período de estágio estarem melhor preparados comparativamente aos advogados não avaliados.
A hipocrisia não conhece limites.
Ao menos sejam honestos: há estágio para limitar o acesso à profissão, para que o poder da escassez se mantenha nas mãos do advogado e não na do cliente (como se passa com os médicos em Portugal).
Há estágio para que a Ordem (e eventualmente o Colégio de Abogados) possam cobrar valores pornográficos pela "formação ministrada".
E principalmente há estágio para que os advogados/escritórios possam diminuir a sua estrutura de custos contratando estagiários que fazem o mesmíssimo trabalho que outros pouco mais velhos mas por preços inferiores ou gratuitamente (a troco de uma "formação prática").
O final do glorioso período de estágio é igual ao que se lê nos frascos de champô: "Wash, rinse and repeat".
