Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, novembro 24, 2006

Mais uma prosa da Sra Câncio

Numa semana fértil em eventos vários, com diversos assuntos, desde "passeatas militares" à revisão do modelo de financiamento da OTA, esconço que ainda não iniciado ou sequer decidido já irá sair mais caro que o inicialmente previsto, as peripécias de Carmona que entrou numa vertiginosa espiral de idiotice crescentemente efeverescente para prejuízo dos munícipes somos à 6ª como de costume brindados por mais uma prosa da Câncio, a primeira jacobina da nação.

Infelizmente parece ter Câncio uma fixação religiosa com a Igreja, o Vaticano e certamente o Cristianismo, uma vez que, semana após semana, na gazeta do PS, leia-se o Diário de Notícias, versa temas de religiosidade, aborto, sempre em tom jacobino, denotando, para além de uma patológica obsessão um tom moral superior, certamente do alto do seu Olimpo socialista, estando o Zé do povo, não o outro, cá em baixo.

Começa a ronçeira prosa, com o título «Habemus sexo, não preservativo». Só o título diz tudo para além de ser um xiste de teatro de revista dá imediatamente uma lamiré do que para aí vêm.

Continuando, «Não se esperam decerto milagres do Vaticano - instituição vocacionada para os validar, não para os operar - e muito menos sobre temas "fracturantes». A piada está muito divertida, nem os malucos do riso se lembrariam de tal jogo de palavras, mau grado ignorante, seja pelo Vaticano não ser nenhuma instituição mas sim um Estado, seja por os Estados ou instituições não conseguirem fazer milagres pois são coisas e não pessoas. Mas enfim o jacobino exercício certamente ilustra a pobreza de espírito, os temas "fracturantes" para a Senhora Câncio não vão além da cama, ou outras divisões ou locais conforme preferencias. Ora a Igreja não endossou, nem por motivos de saude pública o uso de preservativo, ao arrepio da primeira deusa do firmamento socialista, ao arrepio do primado em absoluto e sem reservas da vida como primeiro e mais importante valor humano .

Infelizmente a Câncio não entende mais nínguem a não ser a própria e lamentavelmente têm um estranho fascínio por padres, freiras e a Igreja, a prova é as esperanças depositadas no Vaticano, a Câncio não é certamente iletrada ou inculta, mas faz-se pois o bias com que escreve apenas denota que estaremos perante uma pessoa que deliberadamente quer manipular eventos, factos e palavras. Em boa razão críticas destas devem-se em minha opinião ao facto da Igreja existe, em edifícios mas mais importantes nos corações e cabeças dos homens, com existÊncia física é a bandeira e estandarte permanente levantado de uma concepção valorativa de valores como a vida, liberdade, a dignidade humana, a unicidade do ser humano e da alma. O socialismo como doutrina do século XIX vêm vender uma chusma de velhas ideias, tentando vender uma ideia de humanidade e solidariedade que para além de ser decalcada do cristianismo, é uma sua perversão ou mero produto de um recalcamento mental de vários.

Continuando, brinda a cronista o povo com o seguinte dislate: «As consequências desta atitude, que chegou em alguns meios ao ponto de se transformar numa espécie de "filosofia de vida" que faz do sexo sem protecção uma roleta russa, estão plasmadas nos números que a Onusida apresentou esta semana».

Palavras para quê?

Termina a autora com o seguinte parágrafo:
« A grande explosão de diagnósticos dos últimos anos é nas mulheres, sobretudo nas com mais de 50 anos. Muitas "culpadas" de um único comportamento de risco, o de terem sexo desprotegido com um único homem- aquele com quem partilharam a vida, não raro nos laços do sagrado matrimónio. E isto num país em que a maioria se diz, sem hesitar, católica, e tanto incensa o valor da vida. Que o seu deus lhes perdoe. »

Faltava pois, para terminar a coluna proto-sentimental, o relambório das pobres mulheres que iludidas pelos terríveis machos, que sob a capa do matrimónio e com benção da Igreja praticam as piores pilhérias nas pobres mulheres que nada são para além de meros olharapos, sem liberdade ou direitos face à lei, sociedade ou seja lá o que for.
Os vis machos, fornicadores, promíscuos, maldosos não se coibem de, após impregnarem a torto e a direito tudo o que podem, vir a casa, atacar as quasi-santas mulheres que fieis não ousam enfrentar a estreiteza de uma sociedade com pudores falsos e cristãos destas espera este comportamento e vêm com estranheza o divórcio, condenando as que a estes expedientes recorrem ao ostracismo e à censura social.

Contudo não deixem estas de saber que no ombro da Sra. Câncio gozam de protecção e amparo, um irónico que deus(propositadamente escrito pela autora desta forma) lhes perdoe.

Enfim, palavras para quê?