Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, novembro 27, 2006

Música? Toca a pagar e o paradoxo da pirataria

Como se não bastasse os CDs serem caros, virem cheios de "protecções" que apenas prejudicam o imbecil que compra o disco e a qualidade do material editado em Portugal ser terrível a malta do microfone descobriu nos direitos conexos um novo filão para garimpar umas migalhinhas.

Basicamente querem atirar-se a quem passa música, sejam DJs em discotecas, centros comercial com música ambiente ou a lojeca da esquina que mete uma musiquinha para animar a clientela.

O que interessa é cobrar.

Se até agora a luta era apenas contra o papão da pirataria (que tal discos mais baratos e música mais variada?) e quem passava música só tinha de se preocupar em comprar os originais da música que passava, agora nem isso chega.

Ou seja, pagam pela música quando a compram (o cd) e pagam por ela quando a passam.

Amanhã se derem por mim a cantarolar uma música que gosto ou ficar com um refrão na cabeça também terei de pagar?

Comparemos agora esta atitude com a posição da indústria de moda quanto à pirataria das suas criações artísticas.

Ao contrário da indústria fonográfica que quer defender cada vez mais "direitos" seus e dos ditos "artistas" a alta costura apenas se preocupa em proteger a marca. E espantosamente, dão-se muito bem com isso. A explicação é muito simples: a pirataria de desenhos e padrões acelera a obsolescência aparente da roupa e a necessidade de as pessoas comprarem nova roupa para se manterem na moda.

A cópia directa, ao invés de destruir a criatividade (como alega a indústria fonográfica) pelo contrário incentiva o seu desenvolvimento.

Chamam a este efeito o paradoxo da pirataria.

Sendo certo que muito distingue ambas as indústrias é de realçar a abordagem totalmente distinta ao problema comum da "pirataria".

Sobre este tema recomendo vivamente a leitura do estudo de dois académicos das Universidades da Califórnia e Virginia disponível aqui.