Música? Toca a pagar e o paradoxo da pirataria
Basicamente querem atirar-se a quem passa música, sejam DJs em discotecas, centros comercial com música ambiente ou a lojeca da esquina que mete uma musiquinha para animar a clientela.
O que interessa é cobrar.
Se até agora a luta era apenas contra o papão da pirataria (que tal discos mais baratos e música mais variada?) e quem passava música só tinha de se preocupar em comprar os originais da música que passava, agora nem isso chega.
Ou seja, pagam pela música quando a compram (o cd) e pagam por ela quando a passam.
Amanhã se derem por mim a cantarolar uma música que gosto ou ficar com um refrão na cabeça também terei de pagar?
Comparemos agora esta atitude com a posição da indústria de moda quanto à pirataria das suas criações artísticas.
Ao contrário da indústria fonográfica que quer defender cada vez mais "direitos" seus e dos ditos "artistas" a alta costura apenas se preocupa em proteger a marca. E espantosamente, dão-se muito bem com isso. A explicação é muito simples: a pirataria de desenhos e padrões acelera a obsolescência aparente da roupa e a necessidade de as pessoas comprarem nova roupa para se manterem na moda.
A cópia directa, ao invés de destruir a criatividade (como alega a indústria fonográfica) pelo contrário incentiva o seu desenvolvimento.
Chamam a este efeito o paradoxo da pirataria.
Sendo certo que muito distingue ambas as indústrias é de realçar a abordagem totalmente distinta ao problema comum da "pirataria".
Sobre este tema recomendo vivamente a leitura do estudo de dois académicos das Universidades da Califórnia e Virginia disponível aqui.
