Vieram de Marte?
Enquanto esperamos de forma apreensiva a apresentação do novo plano ferroviário nacional, que o governo nos reservou para Sábado amanhã, oferecemos um lamire comentado com base em notícias disponíveis na página do Público on line.
A estrela da companhia é obviamente o TGV, velho cavalo de batalha do Bloco Central, de ronovado ânimo com as iniciativas socráticas. Parece que o genial plano preve que a ligação Lisboa-Madrid esteja terminada em 2013, que somente em Lisboa seja programada uma terceira travessia sobre o Rio Tejo porquanto a entrada em far-se-à pela margem direita, com todos os inconvenientes daí derivados. O próspero plano prevÊ também que a linha Lisboa-Porto esteja pronta em 2015, com paragem na Ota, projectando-se assim uma estação para a alta velocidade nova em Lisboa, ou seja para além das já existentes, Sta. Apolónia e Oriente. Isto só em Lisboa, ou seja nova ponte, nova estação em conjunto com novo aeroporto.
A norte a ligação Porto Vigo não é prioritária, mas prevê-se igualmente a criação de nova gare e ligação ao aeroporto Sá Carneiro. Na sua demencial mente o governo deseja que em 2015 90% da população transite entre centros urbanos de comboío, a par de uma aumento exponencial no transporte de mercadorias. A rede de Alta velocidade deve ser articulada com a já existente rede convencional que se encontra ainda adaptada aos moldes de início do século XX ou final de XIX.
Espantemo-nos pela prosperidade oculta do país na certa, não apenas pelos custos do projecto mas também pela farónica ambição que se encontra arreganhada de qualquer juízo de racionalidade e realidade. Vezes sem conta se demonstra que a ligação Madrid Lisboa não é viável, demasiado onerosa e sem ganhos de peso para ninguém, excepto para quem lucre pela sua construcção. Vezes sem conta se refere que esta ligação deverá ser subsidiada. Vezes sem conta se ouviu a história da entrada na margem direita de Lisboa do TGV e da terceira ponte, claro que as outras duas são pagas pelos automobilistas, a terceira é já mais democrática, são os contribuintes por conta de uma quimera "dourada" de querer tudo ao mesmo tempo.
Continuando, vezes sem conta são expostas as desvantagens da Ota em comparação com Rio Frio, ou a manutenção da Portela, obviamente que o Governo na sua lucidez entende que tudo ao mesmo tempo é possível, o pais vai bem, as despesas minguam, o deficit é cumprido, o pais respira saude financeira, as infraestruturas sociais são fortes, o sistema de saude e educação de qualidade, as populações usufruem todas de saneamento básico de qualidade, as escolas boas.
A tal acresce a necessidade verdadeira de novo aeroporto, ligações ferroviárias de alta velocidade, ou seja de atirar milhares de milhões de euros para um investimento de futuro, como se depois de anos de agravamento fiscal, de devergência em relação à média europeia e de diminuição da qualidade de vida para muitos milhões de portugueses o que faltava seria investir em projectos de dúbia rentabilidade e cujos benefícios pesados os inconvenientes serão bastante inferiores.
Sejamos realistas, qual é a prioridade estratégica da linha de TGV para Madrid, a par de continuar a linha do norte a demorar há quase 20 anos 3 horas e tal até ao Porto e quase 5 horas até Braga? Quantas pessoas seram beneficiadas pelo gigantico investimento? Em relação a esta linha ferroviária, estudos do governo projectam que cada bilhete custe € 200, mais ou menos o mesmo que uma ligação aerea, ora imagine-se o simples cenário de uma família de 4 membros realizar o mencionado trajecto de automóvel, estimemos os custos com gasolina,portagens e refeições, incluindo desgaste no automóvel em € 250 (estimativa bastante exagerada), a mesma família dispenderia cerca de € 600 de TGV (crianças com menos de 12 anos 1/2 tarifa e com desconto familiar). "Oh Énginheiro" as contas são simples...
Quem ganhará com estas obras? Os de sempre, os empreiteiros, os especuladores de terrenos, os Bancos e os financiadores e outros interesses mais escuros quem nem interessa falar... Quem perde? Quem paga ou seja, o contribuinte que ainda anda a pagar em ponte construída há mais de 40 anos.......QUARENTA ANOS!.... O eusébio ainda jogava à bola e tinhamos colónias!
A única explicação é ter sido o Governo raptado por extraterrestres antes da tomada de posse, sendo substituido por um conjunto de criaturas que não conhecem as limitações do pais, a sua história e costumes, por oposição a obras de envergadura gigante, rentabilidades estranhas e obscuros ganhos. Daí a questão: Vieram de marte? A alternativa é serem dementes ou simplesmente perigosamente incompetentes....
