Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, outubro 26, 2006

Pontes ontem, hoje e sempre!

Um tema interessante para os estudiosos históricos seria o da "fibra das cadeias de comando ou das estruturas hierarquicas". O tema parece fora de qualquer contexto mas se o bom leitor for paciente para conosco verá que têm o seu interesse.

Uma das principais causas da queda do Império Portugues do Oriente no século XVI foi a má qualidade das estruturas de comando, militares e não só. Fenómeno de capelinhas e egos incomensoravelmente grandes para a estrutura, os capitães portugueses passavam igual tempo a guerrear entre si ou a quadrilhar nesse sentido, a par de estarem em conflito com os naturais inimigos. As ordens régias demoravam cerca de ano e meio a fazem o caminho entre o Lisboa e a Índia e daí que quando chegavam ou se encontravam completamente desadequadas, ou por chegarem em momento anterior à ordem precedente.

Curiosamente Afonso de Albuquerque entre muitos outros foram vítimas de um sistema de comando ineficiente e demasiado fraco que aliado à lentidão das comunicações foi uma das principais causas de declínio do nosso poder. Mas não só, um sistema judicial que não permitia aos Vice-Reis exercerem seu poder de vida e de morte sobre os homens sob o seu comando uma vez que em pena de morte e demais sentenças gravosas os condenados podiam sempre apelar ao rei, às influências cortesãs, a nosso Senhor e a quem quisesse, minando não apenas a autoridade dos Vice-Reis, mas também a eficiência do comando. Numerosas vezes as penas eram comutadas, ou entretanto o Vice-Rei havia caido em desgraça ditando a absolvição do condenado, mesmo em casos de corrupção, subornos ou piores.

Em suma o caos organizativo e um sistema judicial cheio de apelos, recursos e moroso foi uma das principais razões de nosso poder ter minguado rapidamente de mais. E hoje bom leitor? Hoje o Sr. Jorge Coelho lamenta que a culpa tenha morrido solteira no caso de Entre-os-Rios, como se desde o final do século XIX não houvessem entidades públicas responsáveis pela manutenção e conservação da ponte, como se a extracção de areias fosse uma actividade paralela a qualquer regulamentação e supervisão, caindo numa lacuna legal.

Moral da História, a ponte fez-se e olha, por lá ficou.

O poder judical, na sua atávica hipertrofia e processo decisório mirífico e de complexa formação, foi incapaz de encontrar responsáveis pelo sucedido. Nada de novo, Portugal desde sempre e não obstante alguns centralizantes esforços que no longo prazo se revelaram fúteis padece de fenómenos de capelinhas, de poderes para toda a entidade e mais alguma, num constante jogo do empurra entre repartições, entidades públicas e autarquais para resolver conflituantes competências. Comendo todos do mesmo prato, ou seja do que os contrinuintes lançam, na hora de prestar os seus serviços escondem-se na malha legal de competências e funções diferentes, sempre com o venerando respeito pelas figuras do autarca, do director, do sr. dr. e ainda do Pai Natal, o coelho da PAscoa e o presidente da junta de freguesia.

Antes de adiantar a conclusão, ´num pais demasiadamente pequeno como o nosso o bem comum, a quem se encontra adstrito à sua prossecução é um horizonte demasiado distante e imperceptível. Os egos grandes e o pais pequeno, ressentindo-se na cadeia hierarquica ou na distribuição de competências.

A moda típica do desenrasca é outro corolário da falta de conceito de bem-comum e qualidade que os nativos conhecem, o desenrasca nada mais é que fazer por si, à sua maneira levando em diante o seu pequenino interesse. Mudar as coisas, melhorar, nada disso ora se consegui, por inviesado expediente o meu objectivo para que preocupar-me? Certamente deve ser essa a falha de carácter que pulula entre os locais.

Moral da história as cadeias de comando lusas são fracas e ineficientes, bastará ver casos como o de entre-os-rios ou ler a legislação que coordena as intervenções de forças de segurança, das entidades administrativas, das autarquias, das Direcções Gerais para compreender o atávico auto-estrangulamento que se inflige a si próprio. Terminando, no Império Sul Americano Espanhol, os Governadores ou equivalentes decepando a torto e a direito os casos de insurrecção tiveram mais sucesso, pois os nobres ou seja quem fosse poderia apelar ao Rei, sem prejuízo de ficar sem cabeça entretanto.

Se o bom leitor acompanhou estas linhas, peço que veja o exemplo do Império Britânico que com parcos recursos humanos governou a Índia, conseguindo em 1900 governar com sucesso 1/4 do mundo sem problemas de maior....

1 badaradas:

Anonymous Anónimo said...

Ó senhor DML, essa prosa toda mais parece saída de um conto de fadas...madrinhas...

8:42 p.m.

 

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