Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, outubro 12, 2006

Grandes Portugueses!!

Enquanto o outonal sol se põe de bela maneira sobre os verdes de monsanto, respondo ao repto do DR.AOC (MI) acerca dos grandes portugueses. Em primeiro lugar o género de formato é bastante sem graça pois submete 900 anos(quase) de historia a votos por SMS de determinados portugueses. Pouco me estranhará se por milagre aparecer o Mario Soares no pódio, por artes mágicas na certa.

Aproveitando a iniciativa remeto o bom leitor para as linhas de JPP no Público de hoje acerca da ausência de Salazar dos putativos "Grandes Portugueses".

É no entanto vinda a ocasião de eleger os meus "grandes portugueses". Ponto prévio, grandes foram todos que tiveram uma visão e dedicaram suas vidas ao serviço da nação, dentro das suas capacidades. Grandes portugueses são também aqueles que grandes feitos alcançaram e para os livros não ficaram. Importa pois falar dos grandes ad perpetuam rei memoriam...

Escolho três, podia escolher dez, vinte em diferentes áreas, primeiro o mais genial homem de estado português que ao contrário de Fontes Pereira de Mello, deixou um legado histórico e alterou para sempre a portugalidade que mil anos não irão alterar, refiro-me pois ao mais brilhante dirigente português de todos os tempos que inúmeros calotes pregou, ao mesmo tempo que para a história ficou como o "Príncipe Perfeito". Refiro-me claro a D. João II, que mais do que um rei garantiu "somente" o feito histórico de ter lançado as bases para que a sul dos Estados Unidos se fale outra lingua que não o castelhano, que lançou no novo mundo uma das mais recentes potencias emergentes, o Brasil. Pois é caros leitores, o homem de raro génio era implacável na defesa do interesse da Coroa que usava, pouco corrupto, e tinha uma visão de futuro, exemplo, foi o monarca que lançou as bases para o Estado enquanto instituição em Portugal, colocou uma lápide no feudalismo, meteu os nobres com dono, reformou o ordenamento nacional, quereis mais, deu o calote do Brasil aos Espanhois, assinando Tordesilhas e tentou uma união dinástica entre portugal e espanha, na qual os do lado de cá mandavam, falhou porque ironia do destino quis a sorte lusa que seu filho morresse em acidente de montaria.

Quereis mais, pois aqui vai, quem pensam que garantiu a meta essencial para a chegada às indias, preparou o percurso posterior empregando os mais ilustres mestres na guerra e vela, navegação e matemática, pois é! Quem foi o "Mourinho" da política, D Joao II, os seguintes são pálidas imitações...

Caro Maquiavel, Lorenzo di Medici foi grande, mas não foi "Perfeito".

Outra ilustre e brilhante é Fernando Pessoa, este vale por cinco e dispensa apresentações. Julgo pessoalmente que foi o mais genial poeta e escritor português, mais que Camões, mais que Eça mais que tudo, e mais do que a sua genial obra sua brilhante luz intelectual que jamais se extinguirá enquanto as pessoas souberem ler, mais uns anos de reformas educativas quiça. Terminando nas suas palavras, mais que isto só Jesus Cristo!

O último português o terceiro grande, maior de todos, quem é caro leitor, quem não sabe, certamente não será português, termino com pistas para a sua identidade:

«Quando viras, ó Encoberto,
Sonho das eras português,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?

Ah, quando quererás, voltando,
Fazer minha esperança amor?
Da névoa e da saudade quanto?
Quando meu sonho e meu Senhor?»

O maior de todos é o que esta para vir numa manhã de nevoeiro, o Esperado e o eterno português?

Pois é caros amigos, nenhum ultrapassa o que ora descrevi!

Nota: a transcrição corresponde ao verso 3º e 4º da III Parte do Encoberto, II os avisos!
Agradece o humilde leitor a Fernando PEssoa o facto de ter existido e ter captado em palavras a alma de ser português.