Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, outubro 06, 2006

Uma OPA para mim...uma OPA para ti...

Pois é, a novidade ibérica de opar (v. acção de lançar uma oferta pública de aquisição sobre uma empresa incauta) já atravessou os pirinéus.

Em Portugal são as OPAs da Sonae e do BCP. Em Espanha, as da Gaz natural, E.on, ACS e fusão Iberdrola-Unión Fenosa.

Lá fora a grande novidade é a OPA da Ryan Air sobre a Aer Lingus, ambas empresas irlandesas. Mas o espantoso é analisar quem opa quem.

A Aer Lingus é só a companhia de bandeira irlandesa, recentemente privatizada e colocada nos carris do lucro depois de anos a fio de prejuízo (qual TAP).

A Ryan Air é uma empresa relativamente nova, moderna e campeã das low cost, sentada numas confortáveis reservas financeiras de 2.2 biliões de euros. Ainda há uns anos era um patinho feio com aviões velhos e alvo de chacota. Aparentemente, virou cisne. É mais ou menos como a PGA querer comprar a TAP.

Parece que vender viagens a 0.01 cêntimos dá dinheiro. Incrível é que dê tanto dinheiro e que permita ao David tentar comer o Golias.

Se conseguir vai criar uma das maiores companhias aéreas europeias, capaz de competir eficazmente em ambos os sectores chave deste mercado: o das viagens tradicionais - em particular os voos de longo curso - e o das viagens low cost.

Lá (na Irlanda), como cá (em Portugal e Espanha) há os habituais velhos do restelo a cavarem trincheiras para evitar esta fusão. Vai ter muita piada ver o governo irlandês (liberal) a travar esta batalha lado-a-lado com os sindicatos da Aer Lingus.