Aritmética simples
Todos os dias somos
bombardeados, chateados, aborrecidos com propostas e "solucções" governativas...
Mas ao contrário dos Iraquianos e até dos pobres (e distraídos) norte coreanos que pelos vistos morrem às centenas de milhar com bombas e morteiradas cada vez mais injustificadas, nós, aqui neste cantinho recatado, somos bombardeados com aumentos, reduções, reformulações, redistribuições... enfim tudo sinónimos para os cidadãos ficarem cada vez pior, menos protegidos e violados nos seus direitos elementares, e o Estado a engordar... sempre a engordar.
Exemplos? Vamos a eles:
1. As taxas moderadoras da saúde vão duplicar... porquê?
ninguém sabe, mas parece que ninguém quer saber. Pergunto porquê por vários factos... a saber: fechar maternidades, cortar nas contratações e nos medicamentos, de alterar as regras da ADSE e fechar urgências. Com estas medidas o SNS teve pela primeira vez lucro.
Logo, a pergunta que não quer calar é: porque duplicam as taxas?
Mas a pergunta ainda mais interessante é... para quê o lucro?será suposto um serviço que tem como objectivo atender os cidadãos ter um escopo lucrativo? Ou deverá prosseguir o objectivo de servir seriamente os cidadãos? Ou deverá ser assegurado por privados?
2. Aumentos da função pública abaixo da inflação... quer dizer... muito abaixo.
Uma redução no poder de compra de 0.7%, juntamente com a nova forma de cálculo das pensões que as reduz todas, sem excepção. Mas temos mais... violação dos direitos adquiridos daqueles que já se encontram à décadas ao serviço do Estado, a criação de uma lista de supranumerários que recusarem dois empregos, por razões tão atendíveis como terem família e não poderem atender telefones 300 km longe desta, simplesmente deixam de receber 60% do salario que receberiam se estivessem no activo.
Não seria melhor o despedimento hoje? Pelo menos era sério, honesto, cara a cara.
E nem sequer falo da Segurança Social. A suposta REFORMA.
Todos iremos continuar a descontar para um sistema moribundo e que não tem resolução enquanto se mantiver exclusivamente público.
Apenas a desinformação do povo justifica que este não se revolte quando pode ver em causa as suas reformas de miséria quando o estado é obrigado a pagar reformas principescas as quadros altos da administração, deputados, ministros e coisas que tal, quando estes podiam perfeitamente descontar e receber através de sistemas privados, de forma parcial.
3. Redução da comparticipação às Autarquias Locais e às Regiões Autónomas.
Uma vez que são uma fonte de despesismo não se criam formas para controlar e para destituir partidos e presidentes da camara que violam as leis das finanças locais. Corta-se. Ora bem... se se cortam as pernas normalmente fica-se a gatinhar... isso irá acontecer uma vez que se o dinheiro não vem do Estado, virá com certeza das receitas municipais onde se contabilizam o IMT, IMI, e impostos de saneamento, esgotos etc. Todos estes só irão aumentar... bem como a famigerada construção para os suportar.
Ainda bem que todos nós gostamos de grandes aglumerados habitacionais... também conhecido como "confusão do caral...".
Será que ninguem percebe que o caminho não é este. Este apenas diverte mas não resolve.
Pergunto:
Alguém acredita que com esta reforma da Segurança Social vamos receber pensões daqui a 40 anos?
Alguém acredita que os milhares de professores e quadros baixos da administração continuem na função pública a receber 60% durante anos?
Alguém acredita que uma pessoa que precisar de ir ao hospital de urgência sobrevive se o hospital for a 45 minutos?
Estamos a criar uma sociedade mediocre, de gente remediada, a receber ordenados minusculos face aos ordenados da UE, e a descontar mais de 50% do seu ordenado para suportar um Estado que não cumpre a sua função e necessita de explorar os cidadãos para poder sobreviver.
A solução não está no corte cego que está a ser feito (com o conluio dos jornais e dos opinion makers).
É necessário uma visão dos problemas que ultrapasse a conta de mercearia.
Deixo um desabafo:
Entre ter um serviço de Estado que garante o mínimo dos mínimos sendo suportado por 50% dos impostos de cada um de nós, onde as listas de espera e o mau serviço impera, será impossível esperar por uma sociedade para a qual eu possa receber os 100% do meu salário e garantir os serviços que pretendo?
Quero saúde, contrato um seguro.
Quero pensão, faço um desconto privado da percentagem que entender correcta.
Quero educação pago propinas.
O tempo da contribuição geral para a solidariedade entre classes acabou. Da mesma forma como terminaram as classes. É tempo de responsabilizar cada um de nós pelas escolhar e não mais o Estado.
Esse infelizmente já se viu que nunca tem culpa de nada, e raramente sabe o que se passa.
