Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, outubro 11, 2006

Coreia do Norte

Primeira dúvida, o "ensaio" foi efectivamente nuclear? Admitamos que sim. Se o foi, a força da detonação foi bastante reduzida, cerca de uma quilotonelada (o equivalente a mil quilos de TNT). A título de comparação, a bomba de Hiroshima detonou com uma força de 12.5 quilotoneladas e a India ensaiou uma de 15 quilotoneladas em 1998.

Isto quer dizer duas coisas, a primeira que o Querido Líder estava desesperado para obter atenção internacional e a segunda, que as coisas estão más, mas não tão más como as pintam, pois uma coisa é detonar um engenho atómico em condições controladas, outra é ter maneira de a utilizar como arma.

Começando pela primeira, o Querido Líder já há algum tempo que andava fora dos escaparates mundiais, ultrapassado pelo Irão e pela guerra do Líbano na busca de atenção dos líderes internacionais. Há algum tempo tentou o truque do lançamento de um par de mísseis para obter atenção, sem grande sucesso (na atenção ou no ensaio propriamente dito). Portanto, a criancinha de Pyongyang para obter atenção e tentar forçar a mão dos Estados Unidos, tinha de berrar mais alto. Só que desta vez é capaz de ter berrado demasiado alto, pois até o irmão mais velho que mora ao lado não gostou da berraria. A China tinha pedido duas vezes à Coreia do Norte que não procedesse a um ensaio nuclear. O rapazinho birrento mordeu a mão que o alimenta com o ensaio de Segunda-Feira. Resta saber se a China vai continuar a varrer para debaixo do tapete ou vai finalmente alinhar com o resto do mundo e fechar a torneira à Coreia do Norte. As primeiras impressões são mais encorajadoras que o assobiar para o lado dos últimos anos e os paninhos quentes com que tem tratado o assunto.

Passando à segunda e à ameaça para a região. Como disse, uma coisa é provocar a detonação e outra utilizá-la contra alvos militares ou civis. Não creio que a Coreia do Norte tenha capacidade de miniaturizar a bomba de forma a utilizá-la sustentada e eficazmente num cenário militar, pelo menos nos anos mais próximos (e principalmente enquanto as contas coreanas no estrangeiro estiverem congeladas). A maior ameaça será um acordo entre a Coreia do Norte e o Irão, pois este último certamente que gostaria de adiantar o seu programa nuclear e tem dinheiro disponível (e maior margem de manobra no grupo dos não-alinhados) para ajudar Pyongyang.

Por enquanto, as armas atómicas coreanas são a maior ameaça para o seu próprio país.

Ainda assim, não gostaria de viver em Seoul neste momento. O que é certo é que a Coreia do Norte de uma assentada, coloca em cheque a Coreia do Sul (adeus política de abertura), os milhares de soldades americanos estacionados nesse país e o Japão. A consequência (inesperada) para Pyongyang poderá muito bem ser uma corrida às armas destes seus dois vizinhos.

3 badaradas:

Anonymous Anónimo said...

Parece-me que este indivíduo está a mais neste blog!!

Cumprimentos,

O buda

10:39 a.m.

 
Anonymous Anónimo said...

Apoiado!Que ideias!

11:38 a.m.

 
Anonymous Anónimo said...

Concordo com o Buda! Que sarrabulho de asneiras!

3:01 p.m.

 

Enviar um comentário

<< Home